domingo, 21 de junho de 2020

A PESTE OCULTADA



A Peste Ocultada. (por Antonio Samarone).
Quem governa tem medo da verdade. A atitude do Ministério da Saúde em tentar esconder os óbitos da Pandemia não foi um fato isolado. Esconder os mortos é uma tarefa complicada, as sepulturas falam. Existem artifícios mais discretos de ocultação.
O total de óbitos divulgados em Sergipe é uma parte menor da realidade. Se não houver testagem laboratorial, várias doenças podem ser confundidas com a covid – 19. Por exemplo: síndrome respiratória aguda grave (SRAG), pneumonia, insuficiência respiratória, septicemia (sepse/choque séptico), causas indeterminadas (causas mortes ligadas a doenças respiratórias, mas não conclusivas).
Entre 16 de março e 21 de junho de 2019, ocorreram apenas cinco óbitos por SRAG em Sergipe. Nesse mesmo período de 2020, ano da Pandemia, já morreram trinta e três pessoas por SRAG. !6 de março ocorreu o 1º óbito pela covid em Sergipe. O que houve? É preciso pesquisar.
O que acontece quando um paciente com neoplasia (câncer) contrai a covid. Se for a óbito, qual a causa deve ser preenchida no atestado de óbito? Quem vai para as estatísticas de mortalidade, a neoplasia ou a covid? Legalmente, só existe uma causa para cada óbito.
O boletim epidemiológico publicado diariamente pelo Estado é uma peça de propaganda. Tenta minimizar a gravidade da Pandemia. Na capa, em letras garrafais, o boletim informa que 6.790 pessoas já foram “curadas”, e 22.585 pessoas foram “negativadas”. Quem curou e quem negativou essas pessoas?  O leitor é levado a acreditar que foram as ações do Poder Público.
Como se sabe, a covid – 19 não tem tratamento conhecido. nos casos leves, cuida-se apenas dos sintomas, e em casa. Como eles curaram esses pacientes? O que eles chamam no boletim de pessoas negativadas, são as pessoas que testaram negativo, ou seja, simplesmente as pessoas que não foram infectadas. O governo busca o bônus de ter negativado essa gente.
O boletim epidemiológico de Aracaju, que é distribuído pelo Prefeito, em suas redes sociais, encontrou um subterfugiu original. Divulga que 6.220 pessoas foram recuperadas. Não sei se “recuperadas” e “curadas” são a mesma coisa. Ou se os serviços de excelência da prefeitura vão além, além de curar, recuperam.
Essa linguagem dúbia é parte da propaganda subliminar. Uma pessoa que for infectada pela Covid em Aracaju tem a oportunidade de sair “recuperada”.
A prefeitura também informa que 4.317 pessoas estão isoladas e sendo tratadas em seus domicílios. Portanto, sob o controle da Prefeitura. Mentira! Esse controle é um faz de conta, feito por telefone. Esse foi o principal erro de Aracaju, não monitorar corretamente esses infectados, fazendo a testagem dos comunicantes e o necessário bloqueio.
Foi exatamente a inexistência de ações de vigilância epidemiológica, que transformou Aracaju na cidade com a maior taxa de contágio do Brasil (1,96). Mas o boletim informa que existe.
Vocês abusam da boa fé do povo!
A informação sobre a letalidade dos pacientes internados nas UTI, um dado valioso para avaliação da qualidade do serviço, os boletins omitem.
Quantas pessoas já foram infectadas, quantas adquiriram imunidade, qual a taxa de contágio, nada, o que seria importante para o combate à doença é omitido, nada, quase tudo é omitido. A não ser que o Poder Pública não possua essas informações.
Má fé ou incompetência?
Dos 18.500 mil casos e 448 óbitos notificados em Sergipe, em Aracaju foram notificados 11 mil casos (60%) e 195 óbitos (43%). Uma prova da imprecisão das notificações. Sergipe continua no escuro.
Somos mal informados de forma deliberada ou por despreparo da máquina pública. As duas opções são verdadeiras.
Em Sergipe, muito menos em Aracaju, existe uma comissão técnica coordenando o combate a Pandemia. Ou, se existe, é invisível. Não se manifesta, não fala, não opina. A comunicação com a sociedade é feita diretamente pelos chefes políticos.
Portanto, a informação é maquiada pelo lógica e interesses da política.  
Antonio Samarone. (médico sanitarista)

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