segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O BELO MONTE É AQUI.



O Belo Monte é aqui...

Antônio Vicente Mendes Maciel é de Quixeramobim no Ceará, nasceu em 1830. Por volta dos quarenta anos, depois de quinze anos de penitência, iniciou a sua vida ambulante, como pregador. Virou Antônio Conselheiro. Em 1874, ele chegou a Itabaiana. Sua passagem por Sergipe foi decisiva nessa transição de Antônio Vicente para Antônio Conselheiro. Aos poucos, ele vai abandonando a postura de ermitão, para liderar seguidores.

Tá lá, nos Sertões de Euclides da Cunha:

“Dos sertões de Pernambuco passou aos de Sergipe, aparecendo na cidade de Itabaiana em 1874. Ali chegou, como em toda a parte, desconhecido e suspeito, impressionando pelos trajes esquisitos — camisolão azul, sem cintura; chapéu de abas largas derrubadas, e sandálias. Às costas um surrão de couro em que trazia papel, pena e tinta, a Missão Abreviada e as Horas Marianas.”

“Vivia de esmolas, das quais recusava qualquer excesso, pedindo apenas o sustento de cada dia. Procurava os pousos solitários. Não aceitava leito algum, além de uma tábua nua e, na falta desta, o chão duro.”

Em Itabaiana, ele se arranchou na Rua da Pedreira, numa casa da família de Romão de Nanã. Em sua breve passagem por Itabaiana (97 dias?), de acordo com a memória coletiva, passada de boca em boca, Conselheiro construiu o cemitério das Flechas e um tanque de água para beber, conhecido como Perpétua. Ele deixou Itabaiana, com destino a Itapecuru, com os seus primeiros seguidores, três da família de Romão, e quatro negros, fugindo da escravidão. Um tema pouco tratado pela história oficial: o Belo Monte é visto por José Calazans, como o último quilombo.

Nos ensinou Luiz Antônio Barreto: “A tradição sergipana é a de que Antonio Conselheiro, antes de fixar-se em Monte Santo, fazia igrejas e cemitérios. São citados, dentre outros, a igreja e o cemitério de Tanque Novo, município de Riachão do Dantas, em Sergipe... Não há, no entanto, um levantamento que revele, com segurança, a geografia das andanças do Conselheiro, antes de Canudos.”

A presença de Conselheiro na memória dos Itabaianenses era muito forte. Minha mãe falava muito, me contava estórias de Canudos, como se tivesse participado. Em ouvi falar de Conselheiro por mamãe. Machado de Assis estava certo, quando sentenciou: “O nome de Antônio Conselheiro acabará por entrar na memória desta mulher anônima, e não sairá mais. Ela levava uma pequena, naturalmente filha; um dia contará a história à filha, depois à neta, à porta da estalagem, ou no quarto em que residirem.”

Muita gente de Itabaiana lutou na Guerra do Fim do Mundo, em Canudos, ao lado dos Conselheiristas. Gente da Matapoã, Sambaíba, Flechas, Caraíbas, Pé do Veado, Nicó. Sei por ouvir dizer. Quando a notícia de Belo Monte se espalhou, vários Itabaianenses não perderam tempo, partiram para Canudos. Os poucos que voltaram, contavam, e foi assim passando, de boca em boca. Houve em Itabaiana uma adesão a causa. A passagem de Conselheiro deixou raízes. E ele recebeu influências: não é à toa que o padroeiro de Canudos é Santo Antônio.

Sobre a passagem e breve estadia em Itabaiana não existem dúvidas. O Jornal “O Rabudo”, da Estância, relatou em detalhes esse fato. O que ele fez, quanto tempo ficou, quem o seguiu, quem foi depois para o Belo Monte? É o que queremos saber. Vamos ouvir os poucos que ouviram dizer, e ainda lembram. E os historiadores de Itabaiana, que são bons e muitos, podem ajudar nessa reconstrução histórica.

Nesse momento, a Associação Sergipana de Peregrinos, sob a liderança de Anselmo Rocha, está construindo um memorial a passagem de Antônio Conselheiro por Itabaiana. O local escolhido foi a Rua da Pedreira, nas proximidades de onde foi o seu rancho. Da mesma forma que a lenda de Santo Antônio Fujão está sendo reconstruída, esse fato histórico, quase esquecido, começar a ser relembrado.
Antonio Samarone.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

SAÚDE PÚBLICA E HIGIENE EM SERGIPE...



Saúde Pública e Higiene em Sergipe. (Por Antonio Samarone.

Higiene é a medicina preventiva. Na mitologia grega, as filhas de Asclépios, Higéia e Panacéia, cuidavam respectivamente da prevenção da cura. A higiene foi subdividida em vários ramos: a higiene pública, do trabalho, industrial, escolar, pessoal, etc.

A higiene é, em última instância, a utilização de mecanismos proteção à Saúde. Vamos comentar um pouco sobre a higiene pessoal, a mais conhecida. Os cuidados com o asseio e a limpeza do corpo.

A higiene pessoal nos primórdios da humanidade estava relacionada com a religiosidade. Segundo Rosen: “As pessoas se mantinham limpas para se apresentarem puras aos olhos dos deuses, e não por razões higiênicas.

Minha geração alcançou o descaso com os hábitos higiênicos da população em geral. Os banhos eram raros e mal tomados, unhas e dentes sujos. O lodo era a regra. Mijava-se em qualquer canto. Defecava-se longe de casa, nos quintais e terrenos baldios, nos pés de bananeiras.

As ciências sociais em seus estudos sobre a higiene, motivadas pelo papel da higiene nos projetos eugênicos e pelo uso dos discursos higiênicos em programas de urbanização autoritários; utilizam o conceito de higienizar como faxina social.

Higienizar é traduzido como repressão, dominação, conspiração da classe dominante, no mínimo, medidas para anestesiar o ímpeto revolucionário da classe operária, ou na ausência, dos oprimidos em geral. As ações da saúde pública, nesse viés, enquadraram-se perfeitamente nesse manequim ideológico. Acredito, que boa parte dessa blasfêmia, deve-se a leituras apressadas do marxismo.

Por outro lado, em Sergipe, devido ao desleixo com a higiene pessoal, e a uma alimentação precária, os nossos escolares pobres eram acometidos de: bicho de pé, frieira, terçol, conjuntivite, sarna, lêndea, piolho, pulga, dermatite seborreica (caspa), tinea corporis (impingem), tinea cruris (micose na virilha) e tinea pedis (pé de atleta), pyteriase versicolor (pano branco), ancilostomíase (amarelão), áscaris (lombriga), ameba, anemia, boqueira, dor de dente, halitose (fedor de boca), dor de ouvido, unheiro, pelagra, nanismo, raquitismo, escorbuto, piodermite (pereba), furunculose, fleimão (maldita), chulé, subaqueira, cegueira noturna, oxiúros (caseira), infecção respiratória (catarro) e gastrenterite (diarreia ou caganeira).

Muito da mortalidade infantil decorreu da completa falta de higiene no momento do corte do couto umbilical. Mãos sujas, tesouras infectadas, uso de fezes de galinha como ungüento anti-hemorrágico, entre outras barbaridades, apressava a morte dos anjinhos. Era o temido “mal dos sete dias”, ou simplesmente tétano umbilical, que por ignorância e falta de higiene aumentava os habitantes do “Limbo”.

O hábito generalizado de se cuidar dos próprios ferimentos com cuspe ou com o mijo, depende crença na eficácia dessas medidas era generalizada. A higiene infantil europeias era muito acompanhada de resguardo e agasalho. O medo do vento (do ar, seja quente ou frio).

Essas doenças estão relacionadas com a precariedade da higiene pessoal. Uma ampla campanha de educação sanitária, entre 1940 a 1970, realizada pelas escolas brasileiras, mudaram os hábitos de higiene pessoal, reduzindo essas doenças a raridades históricas. Não foram os sanitaristas (éramos poucos). Uma parte desse trabalho educativo foi das visitadoras sanitárias. Mas uma parte pequena.

A educação sanitária passou a ser a principal estratégia na divulgação dos preceitos da higiene, a escola o local privilegiado para essa difusão e o professorado o principal aliado. O carro chefe dessa mudança foi a escola. Foram as professoras que desencadearam uma fiscalização rigorosa em cada aluno.

Na chegada, o aluno passava por uma vistoria, para saber se tomou banho e escovou os dentes. A professora inspecionava unhas, orelhas, pescoço, orifícios, cabelos, encontrando lodo, a mãe era chamada e notificada para providências. Com vergonha a exposição pública, as incorporavam hábitos de higiene até então ignorados. A eficácia do novo padrão de higiene dos escolares, levou a atual geração desconhecer as pulgas e até os piolhos. 

A frequente infestação por piolhos era compensada pela deliciosa operação de cafuné na ineficaz tentativa de diminuir a população de parasitas. A cata, tanto podia ter como prioridade os insetos adultos, como a procura dos ovos fixados na raiz dos cabelos, carinhosamente chamados de lêndeas. Tardes inteiras foram ocupadas na impossível tarefa de erradicação manual dos prolíficos reprodutores. Os piolhos, quando encontrados, eram esmagados entre as unhas das catadoras num estalido característico.

Outro método bastante usado na caça aos insistentes parasitas era a aplicação de banha de porco nos cabelos e posterior alisamento com o pente fino. Colocava-se uma pequena toalha no colo para não deixar que os piolhos e ovos caídos do pentear não se espalhassem pelo resto da casa. Uma vez removidos, os pequenos insetos eram triturados mecanicamente com as unhas, resultando numa massa imunda de pus e sangue, quase nunca removidas, pois o modesto hábito de se lavar as mãos com água e sabão, era pouco apreciado.

Com o desenvolvimento da indústria química o combate aos piolhos ganhou eficácia. Aplicava-se o velho e perigoso DDT (diclorodifeniltricloretano), (Neocid Pó – derivado do DDT), diretamente no couro cabeludo, envolvia-se a cabeça com um pano, e deixava-se o veneno agindo por vinte e quatro horas. O desconforto, os riscos de contaminação e o mau cheiro eram recompensados pelo fim da estigmatizante parasitose. Era aconselhado repetir-se essa bárbara operação com oito dias, pois os ovos não eram atingidos pelo inseticida.

O DDT (diclorodifeniltricloretano), potente veneno utilizado no terceiro mundo para o controle de pragas e endemias, altamente solúvel na água e na gordura, que permanece por mais de vinte anos com sua estrutura molecular inalterada, e que foi encontrado no tecido de animais no Ártico, o que prova que todo planeta está contaminado.

Absorvido pela pele ou nos alimentos, o acúmulo de DDT no organismo humano está relacionado com doenças do fígado, como a cirrose e o câncer. O uso indiscriminado e descontrolado do DDT fez com que o leite humano, em algumas regiões dos EUA chegasse a apresentar mais inseticida do que o permitido por lei no leite de vaca.

DDT: Inseticida organoclorado que se acumula no tecido adiposo e na cadeia alimentar. São da mesma família o DDE, o DDD e o BHC. Tais pesticidas são considerados carcinogênicos (que levam ao câncer), teratogênicos (que causam danos ao embrião durante a gravidez), além de desregular o sistema endócrino.

O DDT foi muito utilizado em guerras para a prevenção de soldados contra pulgas, os vetores do Tifo. Hoje o uso do DDT é proibido em todos os países, pelas suas propriedades cumulativas, carcinogênicas e teratogênicas.
Antonio Samarone

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A BANCADA FEDERAL DE SERGIPE.



A bancada federal de Sergipe.

Na lógica tradicional das eleições, o sufrágio para deputado federal em Sergipe tem as suas especificidades. O voto de federal não é buscado diretamente no eleitorado, no corpo a corpo, pedindo-se a um e a outro. O voto não é no varejo. O voto de federal consegue-se no atacado, com o apoio de lideranças (deputados estaduais, Prefeitos e, secundariamente, vereadores).

Por isso uma eleição de federal custa caro. Essas lideranças para apoiarem um federal buscam uma contrapartida. A recompensa vai do compromisso para liberação de emendas para o município, ao apoio na próxima eleição municipal.

Claro, precisa-se também de um adjutório para tocar a campanha, a chamada estrutura, o capilé, a grana que move as eleições. Uma parte desse recurso pode chegar ao eleitor, em forma de pequenos favores ou em espécie. É sobre essa última etapa da cadeia mercantil que se voltam os olhos da justiça.  

Qual o valor dessa “estrutura” no mercado da política? Depende do potencial de transferência da liderança contratada. Quem é do ramo sabe com precisão quanto cada um transfere. O apoio do Prefeito X significa tantos votos, quando se apura tá lá os votos. Essa lógica tem funcionado desde a proclamação da República. Nessas eleições, um político conhecido achou muito caro e desistiu; e um outro, desconhecido, virou favorito, só porque tem bala na agulha.

É por isso que os analistas bem informados fazem a lista de quem vai ganhar e de quem vai perder para federal, com antecedência. O meu amigo Rosalvo Alexandre, quinze dias antes, entregava a relação dos oito eleitos, nunca errou! De vez em quando aparecia uma zebra, que ninguém esperava. A exceção é parte da regra.

Para ser deputado federal em Sergipe, não precisa o candidato conhecer os eleitores, nem ser conhecido por eles. Não precisa dizer as razões do seu pleito, em pouco tempo os eleitores não se lembrarão em quem votaram. A votação do federal dependerá apenas de quem o candidato contratou para apoia-lo. Não precisa sair em cima de uma caminhoneta, acenando para o eleitor. Na verdade, é o candidato quem escolhe os eleitores que votarão nele.

Tem sido raro, mas de vez quando se elege um nome novo. Esse ano, temos vários candidatos alternativos: uns por convicção política, outros por falta de recursos e outros até por oportunismo. Candidatos que não procuram os apoios convencionais. Fazem a campanha no varejo, de porta em porta, de rua em rua, de beco em beco. Alguns esperando o milagre das redes sociais. Esses candidatos estão fora do mercado do voto, esperando uma rebelião do eleitorado.

Entre os favoritos, destaco a campanha alternativa de Fábio Henrique. Ele reuniu os seus cabos eleitorais e danou-se no mundo a pedir votos, diretamente aos eleitores. Priorizou a grande Aracaju e adjacências. Optou por gastar a sola dos sapatos. Apoio tradicional, só o Prefeito de Cristinápolis. Em Socorro, onde ele foi Prefeito, dos vinte e um vereadores, ele só conseguiu o apoio de dois. No mais, um outro vereador. Não sei se por opção ou por falta de opção, a verdade é que Fábio Henrique não está seguindo a cartilha. Portanto, faz uma campanha arriscada.

A tese que o eleitorado está indignado com os políticos vai ser testada nas urnas. Que bancada federal Sergipe mandará à Brasília? Os analistas mais experientes defendem que nada mudará, os eleitos serão os mesmos, usando a velha receita. Eu confesso não saber. Gostaria que surgissem novos deputados federais, gente idealista, cheias de bons propósitos e com o espírito republicano. Vamos aguardar...

Antonio Samarone.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CHOLERA MORBUS EM PROPRIÁ (1862)



O Cholera Morbus em Propriá (1862)

O Cholera dessa vez veio de Pernambuco. Em 22 de agosto de 1862, a Peste se manifestava no povoado Curralinho, com dois óbitos. O primeiro caso em Propriá, ocorreu em 30 de agosto. A Província dessa vez estava mais preparada, (o flagelo de 1855, ficou marcado). Desde março, cinco meses antes, a Província havia sido dividida em distritos médicos, nomeando-se pessoas caridosas para as cidades, vilas e povoados. Todas instruídas do que fazer antes, durante e depois da Peste.

As autoridades da Província distribuíram uma cartilha com todos fazendeiros e proprietários, com professores, padres, pessoas alfabetizadas, com as recomendações preventivas contra o Cholera, as formas de uso dos medicamentos, dietas e resguardos. A Província de Sergipe estava mais precavida, e os flagelos dessa segunda epidemia foram bem menos funestos e assoladores que os estragos da Peste de 1855.

Mesmos com todas as precauções, a Peste se disseminou. O Dr. Leopoldo, residente em Propriá não deu conta sozinho. Tentou-se a ajuda do médico de Divina Pastora, Dr. João Paulo Vieira da Silva, que não pode. Na emergência, o Presidente da Província encaminhou para Propriá o cirurgião do corpo de saúde do Exército, Dr. Manoel Antunes de Salles.

Com o avanço da epidemia de Cholera em Sergipe, a Bahia mandou ajuda: médicos e medicamentos. De imediato, dos chegados da Bahia, o Dr. Egas Muniz Barreto Carneiro, foi encaminhado para Propriá.

O dr. Joaquim Jacintho de Mendonça, Presidente da Província informou:

“Para evitar latrocínios, que outrora, em crises semelhantes, apareceram na Província; e para fazer guardar com toda a regularidade das inhumações (sepultamentos), pus a disposição do Juiz de Direito os praças do destacamento da cidade, como aumentei o efetivo e enviei um capitão do corpo efetivo da polícia.”

“Finalmente, para que nada faltasse aos infelizes enfermos, fui diligente ao remeter suprimentos de remédios, roupas, carapuças, tamancos, baetas e gêneros alimentícios, bem como 1:200$000 reis em dinheiro.”

O ano de 1862 foi trágico para Sergipe, além das mais de 600 vítimas fatais do Cholera, na cidade de Propriá, entre eles, o próprio Juiz de Direito, Dr. Antônio Rodrigues Navarro de Siqueira, falecido em 22 de janeiro de 1863. Segundo relatório do Inspetor de Saúde Pública da Província, Dr. Francisco Sabino Coelho de Sampaio, nesse ano de 1862, também ocorreu uma epidemia de febre amarela em Sergipe, com mais de 400 óbitos. O estado sanitário da província de Sergipe era apavorante, na segunda metade do Século XIX.

Destacou o Inspetor de Saúde Pública: “O Cholera Morbus, esse monstro surgido das águas do Ganges, morador inseparável de suas margens empestadas, flagelo, que os céus em sua justiça arrojarão à terra para punir-nos, assaltou vorazmente toda a Província, e saciou a sua voracidade”. 

Antonio Samarone.

domingo, 2 de setembro de 2018

A DIREITA IDEOLÓGICA NAS ELEIÇÕES EM SERGIPE



A direita ideológica nas eleições em Sergipe.

Os simpatizantes das ideologias de direita no Brasil, não costumavam enfrentar debates públicos. A hegemonia política os desobrigava. Quando participavam de eleições, no máximo assumiam que eram de centro, e não explicitavam as suas doutrinas. No momento, vários grupos de direita e de extrema direita vieram a luz do dia. Estão na luta eleitoral. Em Sergipe, temos pelo menos um grupo forte disputando. Não sei se o “MBL” e o “Vem Prá Rua” participam por aqui.

O Imperialismo Americano não interfere na América Latina somente com a CIA, os Marines, ou auxiliando os golpes e as ditaduras. A novidade são as “tinks tanks, ainda sem tradução, mas que agem sobre a opinião pública, visando difundir as ideologias de direita.

A Atlas Network é uma organização sem fins lucrativos que conecta uma rede global de mais de 475 organizações de livre mercado em mais de 90 países para o ideias e recursos necessários para promover a causa do ultra neoliberalismo.

A Atlas Network — think tank legalmente denominado Atlas Economic Research Foundation, sediado em Washington, D.C. — atua, desde 1981, na defesa e propagação de concepções da direita ultraliberal, com organizações parceiras em todos os continentes.

No Brasil, onze organizações aparecem no site da Atlas Network como parceiras, são as seguintes: três no Rio de Janeiro: Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Instituto Liberal (IL) e Instituto Millenium (Imil); três em São Paulo: Instituto de Formação de Líderes – São Paulo (IFL-SP), Instituto Liberal de São Paulo (ILISP) e Instituto Ludwig von Mises Brasil (Mises Brasil); duas em Belo Horizonte: Estudantes Pela Liberdade (EPL) e Instituto de Formação de Líderes (IFL); duas em Porto Alegre: Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e Instituto Liberdade (IL-RS); e uma em Vitória (ES): Instituto Líderes do Amanhã.

A think Tank RenovaBR, Idealizada pelo empresário Eduardo Mufarej, presidente da Somos Educação e sócio da Tarpon Investimentos; e com o apoio de nomes como Armínio Fraga, Abílio Diniz e Luciano Huck, criou um Fundo de financiamento para candidatos simpáticos às ideias liberais. O RenovaBR abriu uma lista de inscrição para interessados, deu um curso de formação política, para afinar as teses, e os escolhidos já caíram em campo.

Em Sergipe, a think tank RenovaBR, apoia cinco candidatos: um a governador, outro a senador, um deputado federal e dois deputados estaduais. Esses candidatos estão hospedados em Partidos diferentes, mesmo porque eles não enxergam a necessidade de Partidos. O estranho, é a clandestinidade dessa ligação, os candidatos apoiados pelo RenovaBR preferem a sombra, nenhum até agora se identificou publicamente (ou eu não vi). Vamos aguardar os resultados eleitorais...

Antonio Samarone.

HOSPITAL SANTA ISABEL (1862)



HOSPITAL SANTA ISABEL (1862)

O primeiro Hospital de Caridade de Aracaju, denominado Hospital Nossa Senhora da Conceição (atual Santa Izabel), foi inaugurado em 16 de fevereiro de 1862. O hospital teve como o seu primeiro médico o Dr. Joaquim José de Oliveira (1920 – 1872), sergipano de São Cristóvão. Joaquim formou-se em medicina na Bahia, em 1844. Além de médico, Joaquim Jose era músico e historiador.

Inicialmente, o Hospital de Caridade funcionou à rua Aurora (atual Rua da Frente), sendo posteriormente (1900) transferido para o areal do 18 forte, onde até hoje se encontra.

Chama a atenção as atribuições do médico, previstas no Regimento Interno do hospital, aprovado em 1862. vamos ao Regimento:

O médico desse hospital, será o funcionário nomeado pelo Governo da Província, especialmente encarregado de velar sobre os curativos dos doentes nele recolhidos; averiguar escrupulosamente se os enfermeiros cumprem com exatidão o que lhes tiver determinado, e os demais deveres em relação aos doentes, e ao asseio e salubridade das enfermarias.

São também competência do médico, de acordo com o Regimento de 1862:

1.       Visitar os doentes em dias alternados, das 7:30 as 8:00 horas da manhã; e em todas as ocorrências que se fizer necessárias;

2.       Prescrever aos doentes o tratamento clínico, e estabelecer a dieta;

3.       Anotar as visitas na papeleta (prontuário), com dieta e tratamento;

4.       Recomendar e examinar se de fato são empregados para com os lunáticos os meios curativos de brandura atualmente adotados;

5.       Fazer manter entre os doentes a necessária harmonia e moralidade;

6.       Examinar os remédios fornecidos ao hospital pelo farmacêutico, quando entender conveniente;

7.       Escrever o receituário de cada visita no livro competente;

8.       Anotar em livro próprio a entrada, o diagnóstico, altas ou óbito de cada doente.

Quanto as enfermeiras, o Regimento do Hospital de Caridade de Aracaju prescrevia: a enfermeira deve ser pessoas de bons costumes, diligentes, cristãs e caridosas, que gozem de saúde, saibam ler, escrever e contar, sendo preferível que tenha alguma prática em tratar doentes. Será funcionária da Província e residirá no hospital.

Antônio Samarone.

sábado, 1 de setembro de 2018

OS BEXIGUENTOS EM LARANJEIRAS (1856)



OS BEXIGUENTOS EM LARANJEIRAS (1856)

Mal saída da Peste do cholera (final de 1855), com mais de 4 mil óbitos, em três meses. Laranjeiras, em 1856, recebeu a incomoda visita da varíola. O Dr. Pedro Autran, testemunha presencial, assim se referiu a epidemia:

Ainda de todo não se tinha apagado os males sulcados pelos passos do inimigo asiático, o flagelador do cholera, eis que em fevereiro de 1856 aparece a varíola. Cresceu o número de vítimas dessa epidemia. Nesse ano, a varíola matou mais de 300 pessoas em Laranjeiras.

Laranjeiras é uma cidade cheia de preconceitos e superstição. Existe forte resistência a propagação do pus vacínico. Era quase impossível obter-se a vacinação. Crescia o número de vítimas roubadas por esta epidemia, e o comissário vacinador municipal não possuía o pus vacínico para a vacinação. Precisou ir buscar na Bahia.

Suponho ser essa complicação devidas a influências cósmicas de uma época epidêmica, cuja influencia é devida a um vírus que se desenvolve e se multiplica conforme os elementos que se encontram na atmosfera, ou por já se achar a varíola incubada.

O inteligente, probo e caridoso médico Francisco de Azevedo Bragança (pai de Antônio Militão de Bragança); cedendo aos impulsos da caridade e da filantropia, que cunha todos os atos de sua profissão, mandou buscar na Bahia pus vacínico para propaga-lo. Receoso de vacinar a um povo cheio de preconceito, sem ter experimentado a natureza da vacina, escolheu as suas duas filhas para testarem primeiro. Só depois que constatou que as vacinas eram de boa qualidade, começou a expandir com a população.

Para dar publicidade aos desejos do Dr. Bragança, o vigário começou a anunciar na missa conventual, que o Dr. Bragança estava vacinando, grátis para os pobres, em sua residência, aos sábados e domingo. Poucos foram os que quiseram de início utilizar do benefício que a caridade de um médico prodigaliza para a cidade.

Rapidamente, o medo das pessoas, assistindo ao doloroso caminho dos bexiguentos, levou a uma corrida à vacinação. De forma inédita, 350 pessoas foram vacinadas no ano da epidemia.

Antônio Samarone.