quarta-feira, 6 de março de 2019

CINZA, ÁGUA E FRATERNIDADE.


Cinza, Água e Fraternidade (por Antônio Samarone)

Como havia prometido ao Seu Celestino, fui à missa na Catedral Metropolitana de Aracaju, para a imposição das cinza (Tu és pó, e ao pó retornarás).

Duas boas surpresas: o Sermão do padre Peixoto e o tema da Campanha da Fraternidade.

O padre Peixoto, num sermão leve e erudito, desmontou a teologia do sofrimento. Somos tridentinos (Eu e Celestino), e o padre Peixoto segue a orientação do Concilio Vaticano II.

Me senti na Misericórdia da Bahia, no ano de 1638, ouvindo o Padre Antônio Vieira, pregando o Sermão da segunda quarta-feira da Quaresma. Ninguém precisa se sebastianista para admirar o Sermão do Padre Vieira. O padre Peixoto foi profundo, sem ser professoral. Com uma sábia humildade, chamou a atenção para que a simbologia das cinzas, se completa com a simbologia das águas, da quinta-feira santa.

Nunca tinha enxergado isso. Não basta o reconhecimento de que somos pó, é preciso a conversão, é preciso amar o outro (a parte mais difícil), e lembrou a profundidade da simbologia da água. Ele referiu-se ao lava pé da quinta-feira santa. Uma pessoa ajoelha-se, e lava os pés de doze outras, que simbolicamente representam a comunidade. Não basta sentir-se um nada (cinzas); é preciso servir o próximo. A ideia central é que a quaresma não é um período de sofrimentos e penitências, mas uma alegre caminhada para a Pascoa. Nesse ponto, eu fico com Trento.

A segunda boa surpresa, foi o tema da Campanha da Fraternidade: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” – Fraternidade e Políticas Pública. Nada mais oportuno e urgente. Passamos por um ataque frontal do neoliberalismo. A obsessão do estado mínimo. A redução dos direitos sociais é a prioridade desse Governo. Cortes e mais cortes, enxugamentos e restrições. A narrativa é que o mercado resolve as desigualdades sociais. O capital financeiro está com as garras afiadas. Deus nos proteja!

Esse caminho aprofundará as desigualdades, com as suas consequências. Parabéns a igreja católica, num gesto de profundo conhecimento da realidade brasileira, aponta para o seu ponto nevrálgico: não a perda de direitos sociais, não ao aprofundamento das desigualdades.  

“Serás libertado pelo direito e pela justiça”.

Antônio Samarone.

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