domingo, 31 de agosto de 2025

NEM TUDO É AUTOESTIMA.

Nem tudo é autoestima...
(por Antonio Samarone)

Uma famosa historiadora sergipana, me perguntou: “qual são as raízes da autoestima itabaianense?” Ela queria respostas sociológicas e/ou históricas. Sei lá... Nunca tinha pensado.

A autoestima é interior, reside na alma, não precisa de razões objetivas. Talvez seja objeto da psicologia.

Pensei, a autoestima em Itabaiana é inata. Uma obviedade. Já se nasce com autoestima. É um arquétipo. Ela não se intimidou: “e como se formou esse inconsciente coletivo?” Eu não sei! Peço ajuda...

Talvez o secular isolamento do litoral. O ambiente serrano.

Itabaiana, precisou primeiro ser auto suficiente, berço da autoestima. Perguntaram ao mestre Órpilio, renomado alfaiate itabaianense, o que ele achava da guerra do Vietnã. Ele foi lacônico: “eu só me interesso com o que acontece na jurisdição de quem me encomenda ternos.”

Vladimir Carvalho chamou o seu livro clássico, sobre a história de Itabaiana, de “A República Velha em Itabaiana”, sem a saudável autoestima, seria Itabaiana na República Velha. Percebem a sutileza?

Culturalmente, pensa-se grande em Itabaiana.

Parafraseando Fernando Pessoa: o Rio Jacarecica é mais belo que o São Francisco, pois o Velho Chico não é o rio que corre pela minha Aldeia.

É essa a alma sagrada da autoestima!

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
 

sábado, 30 de agosto de 2025

GENTE SERGIPANA - PROFESSOR BOSCO (74 ANOS).

Gente Sergipana – Professor Bosco – 74 anos.
(por Antonio Samarone)

A escola pública já foi o principal caminho de ascensão social. O professor João Bosco Bispo dos Santos, é um bom exemplo.

Os meninos que nasceram em meados do século XX, em decorrência do tri campeonato da Seleção Brasileira (1958/62/70), sonhavam em jogar futebol. Brincar de bola era um sonho infantil.

A primeira bola de couro no Beco Novo, foi de Benjamim, filho de Seu Bebé dos passarinhos. Os irmãos mandaram de São Paulo.

A bola era uma ilusão. A salvação estava na escola.

O meu herói de hoje é João Bosco Bispo dos Santos, professor de matemática. A sua família era de jogadores de futebol, bem sucedidos. Bosco optou pela sala de aula (comer pó de giz).

Na década de 1950, desembarcou em Itabaiana, o ourives Cícero Bispo dos Santos e a esposa, Dona Joventina de Barros Lima, vindos de Porto da Folha. Com uma família numerosa:

Manoel de Jason, goleiro, dono de um velho Pau de Arara, que transportava gente para as feiras da vizinhança. Ele pegou a fama de ser o motorista mais lento da região, sempre em baixa velocidade. O seu carro era conhecido, possuía a pintura de onça-pintada na porta.

Certa feita, um passageiro abusado reclamou: “Seu Manoel, o seu carro está batendo muito!” A resposta veio na ponta da língua: “Enquanto estiver batendo está bom, ruim é quando começar a apanhar.”

Seu Cícero era o pai do maior craque do futebol sergipano (que eu vi jogar), Debinha, e mais de Evangelista, Manoel de Jason, Oswaldo, Benedito e Joãozinho Baú.

Joãozinho Baú, o pai de Bosco, era um sapateiro especializado na fabricação de chuteiras. Ainda não existiam as fábricas nacionais. Calçar uma chuteira de Seu Joãozinho era um luxo, cuidada com zelo.

As chuteiras de Joãozinho Bau, vestia grandes clubes do Nordeste. Ele também fabricava bolas de couro, apesar do mais famoso em Itabaiana em bolas, ser o Metre Dé.

Quando Dr. Pedro organizou o juvenil do Itabaiana, a nossa maior alegria foram as chuteiras, todas da lavra de Joãozinho Baú. Até quem não sabia, jogava.

De onde vem o apelido, Joãozinho Baú? Ele era torcedor do Confiança. Houve um período em que o Sergipe estabeleceu um Tabu, três anos sem perder para o Confiança. Quando quebrou o Tabu, Seu Joãozinho saiu esbravejando: “quebramos o baú, quebramos o baú”! Não deixaram por menos.

O Professor João Bosco nasceu em Itabaiana, em 15 de maio de 1951. Filho de Joãozinho Baú e Dona Senhora. Irmão de Walter, Gustinho (o craque do Itabaiana) e Miro.

Bosco escolheu a escola. Foi aluno na Zenaide Schuster e na Escola de Maria de Branquinha. Foi da primeira turma do científico do Murilo Braga (colega de Tuíca, Wilson da Moita, Zé Américo de Zé de MR, Helenilde de Heleno da Padaria e Neusa de João Leite.) Bosco também foi aluno da primeira turma de matemática da UFS.

Em 1972, o lendário Gabriel, professor de matemática do Murilo Braga, se aposentou. Gabriel dava aula cantando, sempre no tom. Bosco foi o seu substituto natural.

Bosco prestou o seu qualificado serviço, em várias escolas de Sergipe e em pré-vestibulares. Um talentoso professor.

João Bosco se casou com Delormes Lisboa dos Santos, filha de Seu Lourenço do Cortiço e Dona Celuta. Bosco é pai de dois filhos, bem sucedidos nos estudos: Ronmel, médico angiologista e Diretor do IML e Rony, engenheiro civil. O pai soube educá-los.

Ronmel é casado com Viviane, pediatra, neta de Zequinha ourives, família tradicional em Itabaiana. Rony é casado com Larissa, advogada, filha do Dr. José Carlos Pinheiro. Todos socialmente bem situados.

Mesmo seguindo o caminho da escola, esquecendo o esporte, a genética ainda tem peso: o único neto de Bosco, Bernardo Lisboa Santana, 9 anos, é tri campeão sergipano de jiu-jítsu, bi campeão de judô e hipismo. Guardem esse nome, nas próximas olimpíadas.

Professor Bosco, você conquistou a cidadania pela Escola, como outros, em nossa geração.

O nosso reconhecimento e a nossa homenagem.

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
 

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

28 DE AGOSTO DE 1888.


 28 de agosto de 1888.
(por Antonio Samarone)

O que comemoramos nesta data? Não é o aniversário! Itabaiana vem de longe. O Arraial de Santo Antonio e Alma de Itabaiana surgiu por volta de 1609. Em 30 de outubro 1675, já éramos a Freguesia (paróquia) de Santo Antonio e Almas, a segunda de Sergipe. A Freguesia está completando 350 anos.

Não é emancipação, autonomia. Itabaiana já era Villa em 1697, com Câmara Municipal funcionando, ou seja, independente há 328 anos.

Em 28 de agosto, comemoramos a passagem de Villa a Cidade, uma emenda do deputado Guilhermino Bezerra, há 137 anos. Uma mudança cinco meses após o fim da escravidão (Itabaiana possuía 1.683 escravizados), e um anos antes do fim do Império.

À época, a oposição resistiu. O Cônego Domingos de Melo Resende, do Partido Liberal, minimizou, ironizou a iniciativa. Denunciou que a medida só beneficiaria a família de Guilhermino, suas irmãs, passariam ser professoras de cidade, melhorando os seus vencimentos.

Uma simplificação, repetida por alguns historiadores.

O velho Cônego, capelense de família fidalga, filho da Capitão Mor Manuel de Melo Resende, viveu em Itabaiana por 50 anos (1852 – 1902). Domingos de Melo Resende, constituiu um harém, deixando vários filhos, todos registrados.

Cidade é civilidade, cultura, cidadania, onde vivem os praciantes. Villa é habitação de vilões, de artesanato ou de bodegueiros, dominada pelos tabaréus. Dizia Sebrão, sobrinho.

O Cônego pregava poeticamente: “A Villa gosta de ser Villa.”

À época da mudança (1888), viviam na zona urbana da Villa de Itabaiana, três mil habitantes. Um casario modesto, a maioria casas de rancho, com 21 sobrados de taipa. Só existiam dois prédios públicos: a sede da Câmara, num sobrado, que depois virou o bar de Papinha, e a cadeia pública, na rua do Cotovelo.

Itabaiana ainda não possuía um mercado municipal.

Com a derrubada das matas para se plantar algodão, a Villa cresceu, surgiu o comércio, lojas de fazenda, joalherias e a feira passou a ser semanal.

As Praças da Igreja, Santo Antonio e Santa Cruz (rua das tendas dos ferreiros), as ruas do Sol, Flores, Vitória, Futuro, Canto Escuro, Cisco, Beco Novo e início da Rua Nova.

Itabaiana já possuía muitos ourives. Desconheço as razões.

A Villa de Itabaiana era pobre, isolada, sem estradas, sem água, a vida era no campo. Os homens vinham para Villa de celoura, uns calções compridos de pano rústico, camisa de algodão com a frente para dentro da celoura e a parte de trás solta, parecendo fraque.

O último Presidente da Câmara de Vereadores da Villa foi o rico caraibeiro, Cassimiro da Silva Melo, plantador de algodão, grande proprietário de terras nos povoados Chã do Jenipapo, Caraíbas, Flechas e Saco do Ribeiro. Um nome esquecido, aguardando uma homenagem.

Foi o surto do algodão a principal causa da passagem de Itabaiana de Villa a Cidade. Foi o algodão que criou a Villa de Frei Paulo (1890), a primeira a separar-se de Itabaiana, que fortaleceu as povoações de Ribeirópolis, Pedra Mole e Pinhão, que depois viram municípios autônomos.

O algodão criou riqueza para Itabaiana. O comércio estabelecido e a feira regular. O efeito adverso, reduziu o seu território.

Tornar-se cidade não produziu efeitos imediatos. A cidade permaneceu com a alma de Villa. À época, o fato teve pouca relevância. Epifânio Dorea, não cita entre as efemérides do 28 de agosto, a passagem de Itabaiana a cidade. Cita a morte de Fausto Cardoso (28 de agosto de 1906) e o nascimento do itabaianense General José de Calazans. Itabaiana foi a oitava Villa sergipana a virar cidade.

O desenvolvimento só veio meio século depois, mas aí já é outra história.

Nesse período, funcionava em Itabaiana a Filarmônica Eufrosina. Em 1879, o maestro Samuel Pereira de Almeida, transformou a Orquestra Sacra do padre Francisco da Silva Lobo, em Banda Marcial, incorporando a percussão.

Itabaiana passou a ter um médico residente, o lagartense Batista Itajay. Logo cedo, Itajay se casou com uma itabaianense e virou chefe político.

O outro chefe, José Sebrão de Carvalho (Coronel Sebrão), entra na vida pública como delegado de Polícia. Nascem aí os dois grupos políticos (Peba X Cabaús), que vão dominar a vida itabaianense, até a Revolução de 1930.

O cargo de Prefeito (Intendente) foi criado com a República. A primeira eleição para Prefeito de Itabaiana ocorreu em 1892, sendo vitorioso o Capitão José Ferreira Gomes de Melo, do grupo de Itajay.

A tradição tornou o 28 de agosto feriado em Itabaiana e, de certa forma, comemora-se o aniversário da cidade. Mesmo sem ser, continua sendo.

Esse 2025, os 137 anos serão festejados, com ampla programação cívico/religiosa. Missa de ação de graça, foguetório, girândolas e galhardetes, bandeiras hasteadas e discursos comemorativos.

Tudo acompanhados pela Filarmônica 28 de Outubro, e os seus tradicionais dobrados. No final da tarde, abertura da “Micarana”, um carnaval fora de época, que vem de longe.

Itabaiana Grande tem muito a festejar!

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.

domingo, 24 de agosto de 2025

VAMOS FAZER A LOUVAÇÃO, A QUEM DEVE SER LOUVADO.


Vamos fazer a louvação, a quem deve ser louvado.
(por Antonio Samarone)

Na solenidade de inauguração de um CRAS em Itabaiana, duas coisas me chamaram a atenção. A Banda Marcial Francisco Paes da Costa, com meninos carentes, e o nome da homenageada: Centro de Referência de Assistência Social Ana Lúcia Batista Mota.

Pensei, quem foi Ana Lúcia Batista Mota?

Sair perguntando aos presentes: quem foi essa Ana Lúcia? As pessoas se espantavam como a minha ignorância. Como você não sabe, Ana dos Idosos. Passei a simpatizar com a homenagem. Ninguém se chama Ana dos Idosos à toa.

Os critérios sociais de escolha de quem merece ou não homenagens, refletem a alma cultural de um tempo, de um momento histórico. Itabaiana chamou o seu primeiro ginásio de Murilo Braga (1949), um burocrata do Ministério de Educação; chamou de Médici o seu estádio de futebol (1971). As duas principais praças, do começo do século XX, homenageiam Fausto Cardoso e João Pessoa.

Procurei Jéssica e Melissa, filhas de Ana dos Idosos, elas me trataram pelo nome. "Samarone, o que o senhor quer saber de mamãe. Não se lembra? Ela é filha de Seu Batista da Jabá e Dona Josefina" Eita! Passei vergonha. Uma família que eu conhecia muito. Gente de primeira qualidade.

Elas acrescentaram, mamãe foi esposa de Valfrando Gomes (Nem de Abdon). Aí a minha vergonha aumentou. Nem, foi amigo de infância. Um marceneiro culto, erudito na música, colecionador de discos e amante do Rock and roll. Ele botou em um filho o nome de Wickson.

Ana dos Idosos (1963 – 2024), foi uma servidora da Ação Social, que se ligou afetivamente aos grupos de idosos, que não media esforços para atendê-los, mesmo fora da repartição.

Nas comunidades carentes de Itabaiana, Ana dos Idosos continua viva na lembrança de todos.

Bela e justa homenagem.

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana. 

sábado, 23 de agosto de 2025

BANDAS, FANFARRAS E ASSISTÊNCIA SOCIAL.


Bandas, Fanfaras e Assistência Social.
(por Antonio Samarone)

No ano de 1745, uma orquestra sacra foi criada em Itabaiana, tendo como regente o vigário coimbrense Francisco da Silva Lobo.

Em 1879, o maestro Samuel Pereira de Almeida transformou a orquestra sacra em banda marcial, incorporando os instrumentos de percussão. Passou a denominar-se Filarmônica Euphrosina.

Em 1897, o maestro Francisco Alves de Carvalho Júnior a renomeou (desconheço os motivos) Filarmônica Nossa Senhora da Conceição, que continua ativa e operante. Portanto, são 280 anos em atividade ininterrupta.

Ao final do século XIX, foi criada a filarmônica Santo Antonio, do maestro Esperidião Noronha. A Filarmônica Nossa Senhora da Conceição pertencia aos Pebas, grupo político liderado em Itabaiana, pelo Coronel Sebrão e a Santo Antonio pertencia aos Cabaús, de Batista Itajay.

A Santo Antonio foi desfeita com o fim do reinado de Batista Itajay.

Hoje, Itabaiana possui duas filarmônicas, sem lado político: a Nossa Senhora da Conceição, continua, e a 28 de agosto (SOFIVA), fundada em abril de 2011. A primeira, com a sua orquestra sinfônica e a segunda com uma escola de sanfona. Cada uma em sua praia.

Cumpre às Filarmônicas, o dever de abrilhantar todas as solenidades em Itabaiana: militar, civil ou eclesiástica. Isso vem de longe.

Encontrei um relato fabuloso, por ocasião da eleição do Dr. Manoel Batista Itajahy para vice-presidente do Estado (1908):

“Aos seus primeiros arrebóis a simpática filarmônica “Santo Antonio” tocou alvorada em frente à residência do circunspecto Ex. sr. dr. Manoel Baptista Itajahy, digníssimo Vice-Presidente do Estado e Chefe deste município, saindo depois em passeata...”

Ontem, fui a solenidade de inauguração do Centro de Referência de Assistência Social - Ana Lúcia Batista Mota (depois eu conto sobre a homenageada).

Na chegada, percebi um som diferente. Quem é essa Banda, que está tocando o hino da cidade de Itabaiana? “Ergamos nossa voz, minha augusta serrana/ Gritemos o teu nome Itabaiana.”

Tive um espanto emocionado: era a Banda Marcial Francisco Paes da Costa, composta por 50 meninos carentes. Organizada pela Secretária de Ação Social. Todos sabem o poder disciplinador da música. Tira os meninos das ruas e das telinhas. Fortalece os vínculos entre eles. Palmas!

Acho que a música deveria ser obrigatória, em todos os CRAS do Brasil.

O maestro é Célio Melo, um jovem dedicado e talentoso, que está estudando música. Itabaiana tem um maestro em cada famílias. Antes era padre, hoje é maestro.

Itabaiana é uma terra de comerciantes, caminhoneiro e maestros.
Vou propor a Academia Itabaianense de Letras, que convide essa Banda para a Bienal. Provavelmente, eles ainda não toquem Bach e Beethovem, mas, certamente, tocam aos corações dos que tem fome e sede de justiça.

Vou confessar, bateu uma forte emoção.

Antonio Samarone (secretário municipal de cultura).
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

GENTE SERGIPANA - JOSÉ DE ALMEIDA PINHEIRO.


Gente Sergipana – José de Almeida Pinheiro (80 anos).
Por Antonio Samarone.

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.” – Sermão da Montanha.

José de Almeida Pinheiro é um bem-aventurado.

Chega de protagonismos a qualquer custo, de falsos heróis e de alpinistas sociais. Todos somos eleitos. José de Almeida Pinheiro é filho de Pedro de Almeida Pinheiro, (Pedro de Boanerges) e de Maria Lemos Pinheiro, (Dona de João Giba). Gente simples, ordeira e pacata.

Famílias tradicionais em Itabaiana. Seu Pedro, caminhoneiro, é filho e neto de maestros; Dona é irmã de Valdice, mãe de Zé Valde; Calazans e Lourdes de Zé Bezerra, filhos de João de Geraldo do Beco Novo, fabricante de botes de fósforos sete pancadas. João Giba também era perfumista, e dos bons.

José de Almeida Pinheiro é aposentado do Banco do Brasil. Casado com Sonia, uma das princesas de Viera Lima. Pai de três filhos: Jorge, Esdras e Zé Vieira.

Ele é irmão de Pinheiro, Boanerges, Lelé e Nandinho, itabaianense raízes. José foi lateral direito do Cantagalo. Pinheiro e Lelé, foram craques do futebol itabaianense.

Desconheço uma brutalidade de Zé de Almeida Pinheiro, um inimigo, uma desavença. Viveu em paz. Levou uma vida honrada. Sem ambições de poder, riqueza ou glória.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.”

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana. 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

SOMOS CABOCLOS.

Somos caboclos.
(por Antonio Samarone)

Cresci ouvindo dizer que Itabaiana não tinha pretos, que a nossa descendência tinha sangue holandês, com forte influência judaica. O nosso tino para o comércio, vinha dessas raízes.

Os meus amigos de infância eram negros, ou quase negros. Me criei no Beco Novo. Não me alertava para a contradição. “Itabaiana não tinha negros. Um ou outro, mesmo assim, vieram de fora.”

Talvez, fossem poucos no Colégio Murilo Braga.

Nesse meu retorno, estou procurando averiguar. Já identifiquei cinco quilombos: Carrilho, Dendezeiro, Tabocas, Tabuleiro dos Caboclos e Barro Preto.

Ontem eu fui ao Barro Preto, conversei com Dona Júlia (80 anos), nascida e criada na localidade, e com a sua filha Nina, uma líder da comunidade. (Vejam a foto). Sair convencido: o Barro Preto foi local de refúgio dos escravizados da Zona do Cotinguiba.

A Serra de Itabaiana tem o Riacho dos Negros e o Salão dos Negros. Uma forte evidência.

Foram os pretos, com a Tribo Boymé, que fundaram o Tabuleiro dos Caboclos (atual Bairro São Cristóvão), uma comunidade de ceramistas, onde nasceu o futebol em Itabaiana.

A comunidade do Barro Preto orgulha-se de sua origem.

Ao contrário, a cultura itabaianense teve forte influência negra. A nossa castanha assada do Carrilho, que tanto nos orgulha, é uma herança negra indiscutível.

Antonio Samarone. Secretário de Cultura de Itabaiana.