sexta-feira, 23 de novembro de 2018

ANTONIO CONSELHEIRO EM ITABAIANA.



Antônio Conselheiro em Itabaiana. (por Antônio Samarone)

A passagem de Antônio Conselheiro por Itabaiana está registrada por Sílvio Romero, no jornal de Estância, “O Rabuda”; por Mario Vargas Llosa, em seu livro “A Guerra do Fim do Mundo”; e para não deixar dúvidas, nos “Sertões” de Euclides da Cunha.

O povo de Itabaiana, os mais velhos, sempre ouviu falar da passagem de Conselheiro. Eu cresci ouvindo a minha mãe falar em Conselheiro, não lembro o que, porque eu não prestava a atenção.

Mas os intelectuais são desconfiados! Quando a Associação Sergipana de Peregrinos, resolveu homenagear Conselheiro com um monumento, em Itabaiana, registrando a sua passagem, apareceu logo o pessoal do contra, exigindo provas da sua estádia.

Como quem pesquisa acha, o renomado historiador José Rivaldávio Lima, o professor Rivas, neto dos Breus, me trouxe o que faltava. Um texto do Padre José Gumercindo Santos. O padre é de Itabaiana, filho de Dona Ritinha, professora no Zanguê. O padre nasceu na Rua da Pedreira e foi criado no primeiro trecho do Beco Novo. 

O Padre Gumercindo é quase um santo, não é de mentiras, conta o que viu, não por ouvir dizer. O texto a seguir é datado de 1916:

“Em Itabaiana havia uma festa toda esquisita. No aniversário da queda de Canudos, que se deu em 1897, no vizinho Estado da Bahia, a Praça da Matriz se enchia toda de ranchos de palha, imitando a Canudos de Antônio Conselheiro, homem venerado em Itabaiana, porque ali estivera nas suas andanças por Sergipe.”

“E, justamente na rua onde cresci, ele passara um mês em uma casa em construção, apenas coberta. Minha mãe que era menina, naquela época, o ouviu várias vezes.”

“Lá pelas noves do dia, havia uma batalha simulada na Praça. A população se apostava pela frente da Matriz, debaixo das palmeiras do reino e de outras árvores. Algumas pessoas da janela dos seus sobrados engalanados, tinham o privilégio da melhor visão.”

“Quando eu pela primeira vez vi o fogaréu do incêndio simulado, e a polícia e os soldados do exército esmolambados, a correr atrás dos jagunços e a correria do mata-mata, do pega-pega, por entre as labaredas e a gritaria geral, deixei a minha mãe e corri para atravessar a rua e me esconder. Nesse momento, um bando de jagunços, atirando dos seus bacamartes para o ar, desembocava ao meu lado. Eu aturdido chorava e gritava, correndo, sem saber para onde.”

“Eu não sei como passei o resto do dia, porque nem minha mãe me encontrava, nem eu mais acertava com a minha casa.”
Itabaiana, 1916. Padre José Gumercindo Santos.

Acho que se alguém tinha alguma dúvida, a questão está historicamente resolvida.

Antônio Samarone.

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