sábado, 24 de agosto de 2019

OS CRENTES EM ITABAIANA




Os Crentes em Itabaiana. A demolição da Igreja (foto)

Por Antônio Samarone.

Itabaiana era uma cidade que respirava o catolicismo romano. Tudo, ou quase tudo, girava em torno da igreja católica. Talvez por isso, a minha curiosidade sobre os crentes. A antiga igreja de crente me deixava curioso. Eu não perdia a oportunidade de ficar bisbilhotando o culto pela janela.

Só existia uma igreja de crente em Itabaiana (foto), presbiterianos, gente descente, poucos, mas diferenciados. Quando eu perguntava a mamãe (católica, filha de Maria) quem eram os crentes (chamados de bodes), o que faziam, a resposta era contraditória. Ela afirmava: só a igreja católica salva, mas esses crentes são tementes a Deus, verdadeiros cristãos.

Eu não entendia, mas ficava calado. Naquele tempo não se discordava de pai e mãe.

Os crentes eram liderados por Dona Eulina Nunes, uma senhora muito respeitada na cidade.

O historiador Ismael Moura nos ensina que os crentes chegaram em Itabaiana por volta de 1885, no Povoado Caraíbas. “O professor José Gregório da Silva Teixeira é considerado o fundador do protestantismo em Itabaiana.” (Moura citando Sebrão Sobrinho)

Depois vieram para a cidade. A iniciativa coube a Antônio da Silva Nunes, pai de Eulina Nunes.

Essa igreja da foto, estilo art-déco, com janelas e portas com arcos em orgiva, e uma torre central, foi inaugurada em 18 de dezembro de 1938. Antes já existia uma casa de orações. A igreja é uma relíquia da história dos evangélicos em Itabaiana. Além da igreja, os presbiterianos também construíram um cemitério para os crentes.

Moura cita uma passagem de Vladimir Carvalho: outra pedra no sapato do padre Vicente Valentim da Cunha foi a presença de protestantes em Itabaiana no começo de 1903...

Um absurdo: fiquei sabendo que a essa igreja será demolida nos próximos dias. Foi vendida! No local serão construídas lojinhas de bugigangas. Uma profunda indiferença pela memória religiosa da comunidade.

Antônio Samarone.

2 comentários:

  1. A minha opinião é que a liderança da igreja e todos os que fazem parte da mema que opitem pela preservação da igreja visto que é um prédio histórico na Cidade.

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  2. Que tristeza! Uma cidade sem respeito à memória é uma pobre cidade. A comunidade religiosa, os poderes municipais, as lideranças e os moradores em geral deveriam barrar essa destruição que está prestes a acontecer. O comprador do local bem que poderia preservar a igreja no seu projeto comercial, que assim ganharia densidade histórica.

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