sábado, 3 de agosto de 2019

SERGIPE ANTIGO (CAPÍTULO IV)


(Cap. IV)

Sergipe Antigo. (Ciri-gy-pe – rio dos siris).  (por Antônio Samarone)

Um Sergipe pouco conhecido (1501 a 1530) – Presença dos franceses.

A expedição portuguesa de 1501 encontrou em Sergipe os Tupinambás, que dominavam todo o litoral, com 36 aldeias e uma população estimadas em 40 mil índios. Mais para o sertão, encontraram em menor número os kiriris, Boimés, karapotós, Aramurus e os kaxagós. Sebrão Sobrinho incluiu os Guajajaras, no território de Itabaiana.
    
A primeira descrição portuguesa dos índios está na carta de Pero Vaz Caminha: “Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.”

No início, o Rei Dom Manoel (1495 – 1521), o venturoso, não se interessou pelo Brasil, não possuía nem metais preciosos nem especiarias. Demorou a ocupação do vasto território, apenas algumas expedições de reconhecimento. Portugal priorizava a consolidação de outras possessões marítimas, sobretudo na Índia.

Valendo-se do abandono, os franceses estabeleceram um comércio regular de pau-brasil com os índios. Neste período, a Terra de Santa Cruz foi um paraíso de degredados e piratas. Em Sergipe, além das relações comerciais, franceses e tupinambás firmaram relações de parceria e amizade, desde 1504.

Em Sergipe, os Tupinambás foram aliados dos Franceses, chamados de “mair”; e devotavam profundo ódio aos portugueses, chamados de “pero”.

Cândido Mendes de Almeida, em seu artigo “Os primitivos povoadores”, revista do IHGB, edição de 1877, informou que a primeira expedição de reconhecimento da terra descoberta em 1501 (Américo Vespúcio), ancorou por cinco dias na enseada de um rio com uma densa mata de canafístula ou cássia (tapyra-coynana) em suas margens. Pela descrição, Mendes acreditou tratar-se do rio Irapiranga dos tupinambá, denominando-o rio Canafístula ou Cássia.

No decorrer do século XVI, diante das dificuldades de navegação em sua enseada, as embarcações eram obrigadas a reduzir o seu peso, tendo portanto que eliminar alguns tonéis (barris).Por conta disso,  o Rio passou a se chamar Vaza Barris.

Nas expedições seguintes Sergipe foi ignorado. Em 1503, ocorreu a expedição comandada por Gonçalves Coelho. Em 1516 e 1526, ocorreram mais duas expedições, comandadas por Cristóvão Jacques, visando proteger as costas brasileiras dos franceses.

Visando proteger as Terras do brasil, em 03 de dezembro de 1530, el Rei D. João III enviou uma armada, com 400 homens, comandada por Martins Afonso de Souza. Em 11 de março de 1532, a esquadra chegou ao Rio São Francisco, não deu atenção ao território sergipano e em 13 de março, dava entrada na baia de todos os santos. Fundaram a primeira vila portuguesa no Brasil, São Vicente. Iniciava-se a colonização portuguesa na América.

Diogo Alvares Correia (Caramuru – homem de fogo) chegou às costa brasileira por volta de 1510.  Caramuru, faleceu em 05 de outubro de 1557, na Povoação do Pereira, sendo sepultado no Mosteiro de Jesus, colégio e igreja da Companhia de Jesus.

Não encontrei registros da presença de portugueses em Sergipe entre 1501 (expedição de Américo Vespúcio) e 1530 (expedição de Martim Afonso de Souza). Os Tupinambás de Sergipe mantiveram plena relação de amizade e comércio com os franceses.

Em seu diário de navegação, Pero Martins de Souza (1531) relata uma batalha naval entre os Caetés de Alagoas, em suas Igaraçus (canoas grandes) de piripiri; e os Tupinambás do lado de Sergipe, em suas canoas de tronco escavados das grandes árvores, envolvendo mais de seis mil guerreiros e cem embarcações de cada lado. 

Segundo Moacyr Soares Pereira, em sua igaraçús de piri-piri, nas águas do rio e do mar, os destemidos Caetés da margem esquerda do São Francisco guerreavam os Tupinambás da margem oposta sergipana, do litoral baiano e da própria Bahia de Todos os Santos. Os seus contrários deviam empregar nas lutas as canoas de tronco escavado das grandes árvores.

Havia harmonia e cooperação entre as 26 aldeias Tupinambás situadas no território de Sergipe. Talvez tenha sido esta a principal do retardo da conquista desta região  e o fator de coesão do território, levando a constituição da chamada Capitania de Sergipe Del Rey, depois província e estado independentes.

Antônio Samarone.

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