Cem anos da marcha sobre Roma.
(por Antonio Samarone)
Só os profetas enxergam o óbvio.
A extrema direita não aceitou o resultado das urnas e está disposta a impor a sua vontade política por outros caminhos. Para eles, as instituições perderam a credibilidade. O STF é visto como tendencioso.
Por mais que a grande imprensa omita, trata-se de uma manifestação de massas pelo fim da democracia. A esquerda liberal finge que nada está acontecendo.
Assistimos a uma demonstração de forças da extrema direita. Os camisas amarelas estão em marchar contra a democracia.
Eles acreditam que somente um ordem autoritária pode salvar o Brasil. Foram bater as portas dos quartéis. Pedir, sem pudor, uma ditadura.
Um dilema fascista é eleições ou violência. A derrota eleitoral deixou a violência como única alternativa. Eles não estão pedindo novas eleições, simplesmente querem que os militares assumam.
Sem ilusões, o fascismo está em marcha no Brasil.
Não significa que terão sucesso imediato, mas continuarão na luta pelo fim da democracia, agora sem subterfúgios, querem uma ditadura.
A análise liberal entende a ameaça fascista como uma falha moral dos indivíduos, ou falha disso ou daquilo. Na verdade, a causa do fascismo é econômica, constitui-se numa alternativa do capitalismo.
O fascismo não é somente uma anomalia moral, ele é parte do jogo de mercado.
Não existe incompatibilidade entre inteligência, cultura e polidez com o fascismo. O fascismo não anda sempre de coturno.
Nos últimos cem anos, a ascensão fascista nunca foi contida institucionalmente. Sem resistência, o fascismo se impõe. Mesmo que Bolsonaro não possua talento para liderar o golpe, outro aventureiro surgirá. O ovo da serpente está sendo chocado.
Um líder menos tosco, sem palavrões, empreendedor, pode assumir a liderança da extrema direita com mais força. Por exemplo, o governador eleito de São Paulo.
O bolsanarismo pode ser mais forte sem Bolsonaro.
A classe política é um tumor a ser extirpado. Nos grupos de WhatsApp de direita, o discurso anti política retornou, como sendo um deformidade. A saída política para o Brasil saiu de pauta, eles esperam um salvador da pátria.
Quem tentar construir uma narrativa política será tachado de politiqueiro. Fora a política, é o brado pós derrota eleitoral.
A crença liberal na possibilidade de convivência pacifica com o fascismo é irreal. O Estado fascista não tolera os adversários, ele os combate e os destrói.
Não se combate o fascismo com “picanha para todos”. O futuro governo Lula navegará por mares tormentosos. A classe operária não está indo ao paraíso.
A esquerda liberal, respeitadora da ordem, receosa em perder regalias, não está preparada para resistir ao avanço do fascismo.
Nos resta, “Os Gaviões da Fiel”!
Antonio Samarone. (médico sanitarista)
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
CEM ANOS DA MARCHA SOBRE ROMA
domingo, 6 de novembro de 2022
A ENFERMAGFEM EM SERGIPE
A Enfermagem em Sergipe.
(por Antonio Samarone)
A medicina científica chegou a Sergipe pelas mãos de Augusto Leite, após a criação do Hospital de Cirurgia. Enfrentou dificuldades para encontrar um pessoal de enfermagem capacitado.
Desde o inicio do funcionamento do Hospital de Cirurgia (02/05/1926), uma das grandes preocupações do Doutor Augusto Leite foi na qualificação dos profissionais da Enfermagem. O que fazer? Naquele momento não existia ainda em Sergipe “Enfermeiras” (registered nurse), só o pessoal prático. Dr. Augusto optou pelo razoável naquelas circunstâncias, entregou o serviço às “Irmãs de Caridade”.
No século XIX, as Santas Casas de Misericórdia contratavam religiosas, as irmãs de caridade, para a direção dos serviços hospitalares e também para os serviços de enfermagem. Eram auxiliadas por enfermeiros leigos.
Não havia enfermeiros instruídos e habilitados em Sergipe, no início do século XX.
Florence Nightingale ("the Angel of the Crimea"), lançou as bases dos modernos serviços de enfermagem. Já em 1860, Florence fundará a Nithghtingale School for Nurses.
No Brasil, por ocasião da Guerra do Paraguai (1864-70), Ana Justina Ferreira Néri uma mulher nordestina, viúva, incorporou-se no exército brasileiro como enfermeira, para acompanhar os filhos.
Ana Néri é a patrona das enfermeiras brasileiras.
Os serviços de enfermagem do Hospital de Cirurgia foram entregues as “Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição”. Úrsula, Bernadina, Beralda, Theodata, Jolenta, Inocência, Amália e Clara foram de grande competência e operosidade. Essas religiosas alemãs, com o estimulo do Dr. Augusto Leite, criaram a primeira escola de auxiliares de enfermagem de Sergipe.
Catarina de Fischer (Irmã Jolenta), nasceu a 19 de abril de 1899 em Westfalen, na Alemanha. Filha de Elizabeth Fischer e Caspar Fischer. Em 1926 chegou ao Brasil, para morar em regime de internato no Hospital de Cirurgia. Aqui já se encontrava a Irmã Clara. Com a idade, passou a residir no Hospital São José, junto com as Irmãs Concepcionistas, irmandade a que pertenceu. Faleceu ao 90 anos, em 09 de julho de 1989, em Aracaju.
No Hospital Santa Isabel as Irmãs de Caridade também realizavam as funções de enfermeiras. Serafina Guinard (Irmã Santa Juliana), filha de Joan Batista Guinard e Melaine Lamberton Guinard, nasceu em Saint Roman, na França. Tornou-se freira em 25 de janeiro de 1873. Em 1904 veio para o Brasil, chegando em Sergipe 09 de janeiro de 1905, indo realizar seu trabalho religioso e de enfermagem no Hospital Santa Isabel, permanecendo até a sua morte em 02 de agosto de 1937.
A situação dos serviços de enfermagem em Sergipe, por volta da década de 1920, foi bem relatado pelo prático José Ribeiro do Bonfim, (“enfermeiro treinado por Augusto Leite), num livro de reminiscências:
“O enfermeiro de então era, além disso, também condutor de ambulância, cavador de sepulturas e sepultador dos cadáveres do hospital. Não havia trabalho que o enfermeiro não estivesse presente. Tinha que estar à frente das baldeações das enfermeiras (Irmãs de Caridade), ao lado da Irmã Joana que, trepada nuns tamancos, de hábito arregaçado e empunhando uma vassoura, esfregava um assoalho que não havia força humana que o fizesse alvejar”.
Entre as primeiras enfermeiras diplomadas atuando em Sergipe, destaco: Opelina Rollemberg, Acaciamaria da Conceição Oliveira, Valquíria Ferreira de Oliveira, Georgina Ferreira de Oliveira, Carmem de Aguiar Novaes, Maria Edna Silva, Maria Almira de Menezes e Gueisha Albuquerque Silva.
Antonio Samarone (médico sanitarista)
sábado, 5 de novembro de 2022
AJOELHOU TEM QUE REZAR
Ajoelhou tem que rezar.
(por Antonio Samarone)
Sou Antonio por promessa de mamãe. Se o primeiro filho fosse homem e nascesse saudável, ela colocaria o nome de Santo Antonio e faria a primeira comunhão no dia que ele completasse sete anos.
Dito e feito: 15 de dezembro de 1961, caiu numa sexta-feira. As sete da manhã estava eu perfilado, de roupa branca, para receber o corpo de Cristo.
O drama foi a confissão. O que dizer? Quais eram mesmo os meus pecados? E se eu falasse bobagem, dissesse coisas que não fossem considerados pecados e o padre me desse uma xinga.
Mamãe me treinou antes: conte isso, isso, isso e aquilo. A bronca é que com o nervoso, eu esqueci. Não disse nada. Não abri a boca. No final, o padre me benzeu e disse: ide em paz, os seus pecados estão perdoados.
Nunca contei isso, tinha medo de ser considerado bobinho para a idade. Sete anos, não são sete dias, e não saber contar os pecados.
Eu não sabia!
Eu me pelava de medo do confessionário. Daquele biombo sagrado, sombrio, fechado com uma cortina de renda, daquele quadrado quadriculado ao lado do ouvido do padre. Não via direito o padre, era na penumbra e ele com uma batina preta. Se ele cochilasse ninguém sabia.
Esse trauma perdurou por mais seis ou sete confissões, até a entrada em vigor das resoluções liberalizantes do Vaticano II. Eu era travado para as confissões.
Ontem visitei a catedral de Estância e me lembrei da primeira comunhão, ao passar por esse confessionário da foto.
O confessionário era o centro da igreja tridentina. O padre controlava o rebanho pela confissão. O Concilio Vaticano II inventou a confissão coletiva, ou melhor, a auto confissão.
Os confessionários estão vazios, não assustam mais. Não são mais necessários, hoje contamos tudo alegremente, pelas redes sociais.
Antonio Samarone (médico sanitarista)
NEM FREUD EXPLICA
Nem Freud explica.
(por Antonio Samarone)
Um grupo de pessoas que não aceitou a vitória de Lula, resolveu reagir. Aqui em Aracaju, acamparam em frente ao quartel do 28 BC, à espera de um comando dos militares. Eles clamam por um golpe. Aqui, o irreal sempre tem precedência ao real.
As massas são influenciáveis e crédulas, intolerantes, agem dentro da lógica afetiva e com uma capacidade intelectual limitada. Mesmo pessoas razoáveis, regridem, quando envolvidas pela alma das multidões.
Nas massas, desaparecem as singularidades. Os indivíduos sentem-se invencíveis, o que lhes permitem entregar-se aos instintos. Sentem-se no anonimato, desaparece o sentimento de responsabilidade.
O indivíduo pertencente a uma massa psicológica, se comporta e pensa diferente, acompanha o coletivo, se torna irreconhecível. Torna-se capaz de grandes vilanias e grandes sacrifícios.
Basta lembrarmos o suicídio em massa dos membros da seita de Jim Jones. Mais de 900 seguidores da seita Templo do Povo tomaram veneno, a mando do reverendo Jim Jones.
“O fato de pertencer a uma massa organizada, o ser humano desce vários degraus na escala da civilização. Em seu isolamento era talvez um indivíduo culto; na massa, é um bárbaro, um ser instintivo. Possui a espontaneidade, a violência, a ferocidade, o entusiasmo e o heroísmo dos seres primitivos” – Le Bon
Na frente do 28 BC ocorreram fatos inusitados. Um sergipano poderoso, podre de rico, experiente, frio, sempre pragmático, estava lá, ingenuamente clamando pelo golpe. Perdeu o senso crítico no meio da massa.
Eu sabia, mas nunca tinha visto o fenômeno de perto.
Nada se pode demovê-los desses delírios. Alguns marcham em ordem unida, prestam continência, se ajoelham e rezam, cantam o hino nacional, falam coisas sem nexo e em línguas estranhas. Estão lá na certeza de que a qualquer momento rufarão os tambores anunciando o fim da democracia.
Somos um país estranho...
Na visão freudiana, trata-se de um delírio coletivo, com consequências imprevisíveis. Muitos, quando saírem do transe, não se lembrarão do que fizeram. O apagamento mental é frequente nesses casos. Ninguém será punido! É o Brasil.
“Na multidão, todo sentimento, todo ato são contagiosos, e isso em grau tão elevado que o indivíduo muito facilmente sacrifica seu interesse pessoal ao interesse coletivo.” - Freud
Um colega da época da faculdade, fechou o consultório, aparou o barba, fez aquele bigodinho de Hitler e está há 72 horas defronte ao 28 BC. Não arreda pé! Faz a saudação romana até na padaria. Tem mais armas armazenadas em um sítio no Mosqueiro, que Roberto Jefferson tinha no apartamento, com destaque para uma submetralhadora israelense, comprada em Itabaiana.
Em seu apartamento, o meu colega de universidade possui uma foto emoldurada dos Romanov, fuzilados pelos Bolcheviques. Ele sente náuseas quando ouve a palavra comunismo e acredita que Lula, Joe Biden e Emmanuel Macron são vermelhos. De Alckmin, ele desconfia.
Sou amigo do mal-assombrado acima. A família me pediu para não o citar nominalmente. Não o farei. Antes, desse fanatismo bolsonarista, desse surto, eu nunca tinha identificado nele nenhuma anomalia relevante. Os criminosos nazistas, segundo Hannah Arendt, eram sujeitos comuns.
Eu sei, isso vai passar. No Brasil, até o fascismo tem ares carnavalescos. O líder deles não se leva a sério.
Antonio Samarone. (médico sanitarista)
O DESCOBRIMENTO DE SERGIPE
O descobrimento de Sergipe.
(Por Antonio Samarone)
Zarpou do Tejo, em maio de 1501, uma frota de caravelas para o reconhecimento da Terra de Vera Cruz, descobertas por Cabral. A expedição oficial de 1501, que descobriu Sergipe, foi comandada por Afonso Gonçalves. Os navios pertenciam ao Rei.
Américo Vespúcio embarcou nessa expedição como o cosmógrafo e cronista.
A expedição de 1501, pouco conhecida entre os historiadores sergipanos, explodiu no Velho Mundo, por conta da divulgação das cartas impressas pelo Florentino Américo Vespúcio – Mundus Novus e a Lettera. Na primeira (1503), dirigida a Lorenzo di Pier Francesco dei Medicis, ele descreveu a expedição de 1501.
A primeira carta de Américo Vespúcio, Mundus Novus, foi editada em Paris, no ano de 1503. A Terra imensa e a sua gente, descritas por Vespúcio, não eram outras senão o Brasil e as suas tribos nativas.
Américo Vespúcio deu nome a América, por suas cartas. Por que a homenagem não foi a Caminha, que escreveu antes? A carta de Caminha não teve repercussão à época, por só ter sido conhecida em 1817, por Ayres do Cazal. A carta ficou 300 anos perdida nos arquivos de Lisboa.
Ao longo da Costa brasileira, a expedição de 1501 efetuou inúmeras escalas, reconhecendo portos, cabos, baias, ilhas, montes e rios.
O que nos conta Américo Vespúcio sobre o descobrimento de Sergipe:
Navegaram dois meses e três dias sem ver terra, e a 7 de agosto de 1501, lançaram ancoras na costa brasileira. 64 dias da saída de Bezeguiche. Chegaram na Praia dos Marcos, no Rio Grande do Norte.
A Expedição de 1501 chegou ao Rio São Francisco (o Parapitinga dos índios) em 04 de outubro de 1501, por isso o nome. Estava descoberto Sergipe, por Américo Vespúcio. Acho que a data deveria ser festejada.
Como uma nova geração vai governar Sergipe a partir de janeiro de 2023, sugiro um monumento ao nosso descobridor Américo Vespúcio, onde acharem mais adequado.
Em Sergipe, a expedição de reconhecimento demorou 17 dias. A descoberta de Sergipe é anterior a da Baia de todos os Santos. A frota de Cabral, passou apenas 8 dias em Porto Seguro, zarpando para as Índias, em 1º de maio de 1500. Descobriram apenas a Ilha de Vera Cruz, da carta de Caminha. Não se conhecia o restante do Brasil.
A descrição que o São Francisco em sua foz avança mar adentro, está nas cartas de Vespúcio. Depois virou um verso famoso de Luiz Gonzaga: “Riacho do Navio corre para o Pajeú, o Rio Pajeú vai se bater no São Francisco, e o São Francisco vai bater no meio do mar.”
Só chegaram à Baia de Todos os Santos em 01 de novembro. Por isso o nome.
Entre o São Francisco e Pirambu, a expedição enfrentou a força das águas, e no sacolejo, os barris começaram a vazar, por isso a marujada denominou de enseada do Vaza Barris (Vaz’a baril).
A denominação estendeu-se ao Rio Irapiranga ou Rio da Canafistula, ou Rio Cássia, que desagua após o Rio Cotinguiba (atual Rio Sergipe), tornando-se o atual Rio Vaza Barris. Isso mesmo, o rio que nasce nas serras do Uauá, onde em suas margens, Antonio Conselheiro construiu Canudos.
Vespúcio relatou a descoberta do rio do Pereira, que deve ser o Codindiba (Cotinguiba), que se junta ao Rio Cerigi e desagua no oceano. Conta que avistaram a oito ou dez léguas uma montanha notável, denominada Serra de Santa Maria da Gracia, a famosa Serra de Itabaiana.
Os navios de Vespúcio saíram de Sergipe carregados de vagens medicinais da canafístulas, das proximidades da Ilha Mem de Sá, em Itaporanga, onde a planta ainda é abundante.
Em 21 de outubro de 1501, a expedição chegou na divisa com a Bahia e avistaram o Rio Real, que recebeu esse nome em homenagem a Dom Manuel. O Rei era o aniversariante no dia.
Na Baia de Todos os Santos a expedição chegou a 1º de novembro (por isso o nome) e permaneceu por 27 dias, onde puderam observar o modo de vida dos Tupinambás, que assenhoreavam aquela costa até o Rio São Francisco.
A expedição de 1501 efetuou escala em 42 lugares da costa brasileira, encerrando a viagem em fevereiro de 1502, na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.
Alguns historiadores estendem essa viagem até a Patagônia, atribuindo a Vespúcio o descobrimento do Uruguai, da Argentina e até das ilhas Malvinas.
Falta a Sergipe a autoestima para valorizar os fatos históricos que lhes engrandecem. Quem quiser saber mais detalhes dessa expedição e do descobrimento de Sergipe, o historiador alagoano Moacyr Soares Pereira, aprofunda os estudos em seu livro: “A navegação de 1501 ao Brasil e Américo Vespúcio.”
Antonio Samarone (médico sanitarista)
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
O DESCOBRIMENTO DE SERGIPE
O descobrimento de Sergipe.
(Por Antonio Samarone)
Zarpou do Tejo, em maio de 1501, uma frota de caravelas para o reconhecimento da Terra de Vera Cruz, descobertas por Cabral. A expedição oficial de 1501, que descobriu Sergipe, foi comandada por Afonso Gonçalves. Os navios pertenciam ao Rei.
Américo Vespúcio embarcou nessa expedição como o cosmógrafo e cronista.
A expedição de 1501, pouco conhecida entre os historiadores sergipanos, explodiu no Velho Mundo, por conta da divulgação das cartas impressas pelo Florentino Américo Vespúcio – Mundus Novus e a Lettera. Na primeira (1503), dirigida a Lorenzo di Pier Francesco dei Medicis, ele descreveu a expedição de 1501.
A primeira carta de Américo Vespúcio, Mundus Novus, foi editada em Paris, no ano de 1503. A Terra imensa e a sua gente, descritas por Vespúcio, não eram outras senão o Brasil e as suas tribos nativas.
Américo Vespúcio deu nome a América, por suas cartas. Por que a homenagem não foi a Caminha, que escreveu antes? A carta de Caminha não teve repercussão à época, por só ter sido conhecida em 1817, por Ayres do Cazal. A carta ficou 300 anos perdida nos arquivos de Lisboa.
Ao longo da Costa brasileira, a expedição de 1501 efetuou inúmeras escalas, reconhecendo portos, cabos, baias, ilhas, montes e rios.
O que nos conta Américo Vespúcio sobre o descobrimento de Sergipe:
Navegaram dois meses e três dias sem ver terra, e a 7 de agosto de 1501, lançaram ancoras na costa brasileira. 64 dias da saída de Bezeguiche. Chegaram na Praia dos Marcos, no Rio Grande do Norte.
A Expedição de 1501 chegou ao Rio São Francisco (o Parapitinga dos índios) em 04 de outubro de 1501, por isso o nome. Estava descoberto Sergipe, por Américo Vespúcio. Acho que a data deveria ser festejada.
Como uma nova geração vai governar Sergipe a partir de janeiro de 2023, sugiro um monumento ao nosso descobridor Américo Vespúcio, onde acharem mais adequado.
Em Sergipe, a expedição de reconhecimento demorou 17 dias. A descoberta de Sergipe é anterior a da Baia de todos os Santos. A frota de Cabral, passou apenas 8 dias em Porto Seguro, zarpando para as Índias, em 1º de maio de 1500. Descobriram apenas a Ilha de Vera Cruz, da carta de Caminha. Não se conhecia o restante do Brasil.
A descrição que o São Francisco em sua foz avança mar adentro, está nas cartas de Vespúcio. Depois virou um verso famoso de Luiz Gonzaga: “Riacho do Navio corre para o Pajeú, o Rio Pajeú vai se bater no São Francisco, e o São Francisco vai bater no meio do mar.”
Só chegaram à Baia de Todos os Santos em 01 de novembro. Por isso o nome.
Entre o São Francisco e Pirambu, a expedição enfrentou a força das águas, e no sacolejo, os barris começaram a vazar, por isso a marujada denominou de enseada do Vaza Barris (Vaz’a baril).
A denominação estendeu-se ao Rio Irapiranga ou Rio da Canafistula, ou Rio Cássia, que desagua após o Rio Cotinguiba (atual Rio Sergipe), tornando-se o atual Rio Vaza Barris. Isso mesmo, o rio que nasce nas serras do Uauá, onde em suas margens, Antonio Conselheiro construiu Canudos.
Vespúcio relatou a descoberta do rio do Pereira, que deve ser o Codindiba (Cotinguiba), que se junta ao Rio Cerigi e desagua no oceano. Conta que avistaram a oito ou dez léguas uma montanha notável, denominada Serra de Santa Maria da Gracia, a famosa Serra de Itabaiana.
Os navios de Vespúcio saíram de Sergipe carregados de vagens medicinais da canafístulas, das proximidades da Ilha Mem de Sá, em Itaporanga, onde a planta ainda é abundante.
Em 21 de outubro de 1501, a expedição chegou na divisa com a Bahia e avistaram o Rio Real, que recebeu esse nome em homenagem a Dom Manuel. O Rei era o aniversariante no dia.
Na Baia de Todos os Santos a expedição chegou a 1º de novembro (por isso o nome) e permaneceu por 27 dias, onde puderam observar o modo de vida dos Tupinambás, que assenhoreavam aquela costa até o Rio São Francisco.
A expedição de 1501 efetuou escala em 42 lugares da costa brasileira, encerrando a viagem em fevereiro de 1502, na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.
Alguns historiadores estendem essa viagem até a Patagônia, atribuindo a Vespúcio o descobrimento do Uruguai, da Argentina e até das ilhas Malvinas.
Falta a Sergipe a autoestima para valorizar os fatos históricos que lhes engrandecem. Quem quiser saber mais detalhes dessa expedição e do descobrimento de Sergipe, o historiador alagoano Moacyr Soares Pereira, aprofunda os estudos em seu livro: “A navegação de 1501 ao Brasil e Américo Vespúcio.”
Antonio Samarone (médico sanitarista)
CARTAS DO EXILIO
Cartas do exílio.
(Por Antonio Samarone)
Eu sou dos tempos das cartas.
Reabri o baú e encontrei um chumaço de cartas antigas, que enviava para mamãe, quando estava estudando no Sul maravilha.
Transcrevo uma delas:
“Alô Mamãe...
Pode ficar tranquila que eu sei o que estou fazendo. A minha participação política na luta junto com os oprimidos é a coisa mais importante de minha vida. A senhora que acredita tanto em Jesus Cristo, não esqueça a vida dele.
Nesse fim de semana que passou fui a São Paulo, passear e assistir a Festa dos Trabalhadores, no primeiro de maio. Foi muito bonito.
Eu entendo a preocupação da senhora e de papai. Geralmente as mães pensam que os filhos são crianças o tempo todo. Eu fico contente em saber que a senhora se preocupa comigo, mas acho que não tem necessidade, a senhora já tem muita coisa para se preocupar.
Como eu tinha acertado, estou mandando 20 (vinte mil cruzeiros), dez mil para a casa e dez mil para Antonio Carlos. Acho que a senhora vai receber o dinheiro antes da carta, porque José Augusto trabalha no Banco e avisa logo que o dinheiro chegar.
Quando receber o dinheiro mande dizer.
Eu queria saber como está a escola de Marquinhos, ele está ficando muito de castigo?
Acho que a senhora podia falar com a professora, como no tempo que a senhora não deixava a professora Helena de Branquinha me bater. Aquilo ainda hoje eu agradeço a senhora. Não é para ter vergonha, é ir lá, com jeito e educação, e falar com a professora. Fala para ela que se o menino for castigado atrasa a inteligência.
Quanto a minha ida a São Paulo, fique tranquila. É quase certo a minha volta para Sergipe. Mas com a política, nunca deixarei de mexer.
Por aqui tudo bem, estou com muita saúde e muita disposição para estudar.
Despeço-me mandando um abração para todos aí em Casa.
Rio de Janeiro, 04 de maio de 1982.”
Antonio Samarone. (médico sanitarista)

