(por Antonio Samarone)
Mão cheia é fartura, mão de figa é somiticaria, mão de ferro é rigor, mão boba é saliência, mão grande é força e mão aberta é desperdício.
Sergipe do Conde.
(por Antonio Samarone)
Mem de Sá governou o Brasil por 15 anos.
Mem de Sá partiu de Lisboa em 30 de abril de 1557, só chegando ao Brasil nos últimos dias de 1557, numa penosa viagem de oito meses. Mem de Sá tomou posse em 03 de janeiro de 1558.
Mem de Sá chegou ao Brasil viúvo, a sua esposa Dona Guiomar de Faria, faleceu em Lisboa no ano de 1542. Tiveram cinco filhos: João Rodrigues de Sá, morto em Celta, pelos Mouros; Fernão de Sá, morto no Espírito Santo, pelos Tamoios; Breatis de Sá, que faleceu em Lisboa. Padre Francisco de Sá, que morreu poucos meses após o pai, sem deixar descendentes; restando como única herdeira Felipa de Sá (Condessa de Linhares).
Mem de Sá foi o dono do engenho Sergipe do Conde, o maior da Bahia. O engenho Sergipe é anterior a Província de Sergipe.
O engenho Sergipe do Conde foi instalado em 1563 nas terras de uma grande sesmaria, que ia de “Marapé até a ponta de Saubara”. O engenho ficava entre os atuais municípios de São Francisco do Conde, Santo Amaro da Purificação e Saubara.
Em testamento Mem de Sá afirmou: “tenho na Capitania da Bahia do Salvador três léguas e meia de costa e quatro para o sertão com duas ilhas, e Sergipe onde fiz um engenho de açúcar, com quinhentas e tanta vacas parideiras e roças de mandioca.”
No século XVII, o engenho Sergipe ficou conhecido como a Rainha do Recôncavo.
Sua localização estratégica, imponência arquitetônica e força produtiva o colocavam na liderança da produção no Recôncavo. Além de ter a maior casa de moenda da região, dispunha de grande contingente de escravos, cerca de 300, quando a média de um engenho de grande porte era de 100 escravizados por propriedade.
Mem de Sá, senhor dos engenhos (Sergipe do Conde e Santana), exportador de açúcar e pau brasil, importador dos produtos do Reino e de outras localidades, criador de gado, proprietário de terras além das necessárias aos currais e engenhos, e participante no resgate dos escravos da terra (índios).
O engenho de Santana ficava na Capitania de Ilhéus, duas léguas e meia de terra, tocado pelos escravos da terra (índios) e uns poucos de Guiné.
O engenho Sergipe pertenceu a Mem de Sá, ao Genro, D. Fernando de Noronha, (Conde de Linhares) e, finalmente aos jesuítas. O engenho chamava-se Sergipe do Conde, exatamente por ter pertencido ao Conde de Linhares, genro e herdeiro do governador.
Em testamento, Mem de Sá deixou para o médico Afonso Mendes, hum mil e seiscentos reis. O mestre Afonso Mendes foi o médico particular de Mem de Sá e da sua família desde a sua chegada ao Brasil, até o falecimento.
Em 1557, com a chegada de Mem de Sá, chegou a Bahia o Mestre Afonso, Cirurgião-Mor das partes do Brasil, com um ordenado de 18 mil reis anuais; aumentados depois em 6 mil reis, pela administração da Botica Real.
O mestre Afonso Mendes morreu pobre em Salvador, sem deixar cabedais. Mestre Afonso era cristão novo, dizia-se que todas as sextas-feiras, ele e a família, açoitavam o crucifixo.
Os primeiros médicos que chegaram ao Brasil eram judeus.
Antonio Samarone (médico sanitarista)
O Delirium da Quarentena.
(por Antonio Samarone)
A demora ficou rápida. O tempo do confinamento é uma sequência de instantes fragmentados, indistinguíveis, sem rumo e sem destino. O tempo atomizado perde a profundidade.
A quarentena ultrapassou o tempo bíblico dos 40 dias (número da espera, da preparação, da provação e do castigo). O tempo perdeu a narrativa!
A realidade digital é enfadonha, repetitiva, objetiva e sem novidades. A realidade analógica é imaginada, imprecisa, inesperada, subjetiva e cheia de erros. Não tenho interesse nessa troca. Continuo analógico. Entre o erro humano e o acerto da máquina, fico com o primeiro.
As redes sociais criaram uma vida paralela que, aos poucos, substitui a vida presencial. Uma modesta reunião de condomínio consumia uma energia insuportável. Virtualmente, os tempos são encurtados. As pautas são cumpridas com objetividade, sem arrodeio e sem divagações.
Uma violonista itabaianense foi convidada a fazer parte de uma orquestra sinfônica mundial. Cada músico em sua casa, em países diferentes, com o maestro em Berlim. A tecnologia juntou e harmonizou tudo. O concerto foi assistido pela internet, no Pé do Veado, na bodega de Galeguinho.
Os filhos de Caetano acabam de emocionar uma multidão, sem saírem de casa. As antigas turnês pelo Brasil, perderam o sentido.
Ontem eu visitei a Chapada Diamantina, num sobrevoo de 30 minutos, assistindo ao “Brasil Visto de Cima”. Fiquei encantado com a cidade de Lençóis. Esse ano a romaria do meu ”Padin Padre Ciço” será virtual. Já comprei o chapéu de palha e a imagem do Santo pela Amazon. Tudo made in China.
Impressionante como os chineses fabricam chapéu de palha, iguais aos vendidos no Mercado Thales Ferraz. Passei a acreditar que aqueles ovos das Kombis (cem ovos por dez reais), são mesmo fabricados lá. Galinha saiu de moda.
Não tenho visto encontros virtuais (lives) para conversar “miolo de pote”, jogar conversa fora, ter momentos de divagações. Tudo parece muito produtivo. É chato!
Estou sentindo falta de alguns amigos! Das reuniões da confraria da cebola, todas as quintas-feiras, na Praça Luciano Barreto. Ouvir as mesmas lorotas, as mesmas piadas, as mesmas estórias. As antigas novidades são necessárias, reforçam os laços sociais, aprofundam as raízes e sustentam a cultura.
A solidão atrai as demências. Voltamos à caverna de Platão. As imagens do mundo chegam pela internet, sempre distorcidas.
Estou com saudade das feiras livres, do cuscuz com carne de bode, em Zé Buraqueiro, do mingau de puba, das castanhas do Carrilho, do coco mole, de saber as notícias das Flechas, trazida pelo caraibeiro que vende farinha, feita em forno de barro.
Saudade dos papos de feira, “museu de grandes novidades”, com dizia Raul.
Saudade dos feirantes das Palmeiras, para saber as estórias do Zanguê e do Pé da Serra de Itabaiana. Saber as notícias do Bom Jardim e da Cova da Onça. Saber se a Igreja do Barro Preto, que o Padre Edvaldo estava construindo, já acabou.
Me recuso a assistir as missas do Bom Jardim, pela Internet. Na Igreja tem um anjo serafim, aquele de seis asas: duas para cobrir os olhos e não ver Deus; duas para cobrir o sexo e duas para voar. A câmara virtual não capta o anjo.
Por outro lado, a pandemia tornou a vida fora de casa muito chata. Sob o comando das autoridades, a vida se tornou insuportável. O que abre ou não abre, o que pode ou não pode, depende deles.
O cafezinho do Shopping perdeu o sentido! O governador só permite uma pessoa por vez, em pé, e numa distância de três metros e setenta centímetros entre as pessoas.
Tenho a sensação de que estou sendo governado por Faraós, no antigo Egito. Ontem, no calçadão da João Pessoa, tinha um bando de burocratas bisbilhotando a vida dos outros. Sob o comando do Procon. Isso mesmo, do Procon!
Até o bate papo foi criminalizado, sujeito a multas. O governo lacrou as livrarias. Em Sergipe, o livro foi considerado um transmissor da Peste. Tudo para nos proteger.
Para acabar com esses decretos governamentais, tomo até a vacina russa! A pressa é amiga da perfeição.
Antonio Samarone (médico sanitarista)
A Peste Mascarada.
(por Antonio Samarone)
As máscaras protegem, evitando o contágio da covid-19?
Na ausência de medidas sanitárias de bloqueio dos contágios (isolamento dos infectado, testagem dos contactantes, bloqueio dos casos, rastreamento e busca ativa), o Poder Público torna o uso de máscaras obrigatório, sob pena de sanções.
São conhecidas três tipos de máscaras.
1. As máscaras cirúrgicas.
As máscaras cirúrgicas, que cobre a boca e o nariz, são usadas por médicos e assistentes para não infectar os pacientes na mesa de operação. Essas máscaras precisam ser trocadas regularmente e descartada de forma higiênica e segura. Na sala de cirurgia, a máscara deve ser trocada pelo menos a cada duas horas.
Essas máscaras não podem ser manuseadas e exigem cuidados ao retirá-las após o uso, evitando-se a contaminação das mãos.
Está claro, que esse tipo de máscaras, usadas e descartadas adequadamente, reduz a emissão de gotículas e aerossóis por quem está expelindo. Se o vírus já está circulando, elas pouco impedem que os seus usuários se contaminem.
Em resumo, a máscara cirúrgica serve mais para proteger as pessoas ao redor de quem a está usando do que propriamente quem está de máscara. O uso das máscaras cirúrgicas traz um benefício indireto, serve de aleta, para que não se leve as mãos sujas ao rosto e evite-se aglomerações.
Essas máscaras cirúrgicas não protegem o usuário de uma possível infecção através de gotículas e secreções que saem da boca de uma pessoa infectada, quando ela espirra ou tosse. Geralmente, o vírus entra no corpo pela boca, o nariz ou pelos olhos.
2. As máscaras de pano.
Essas padecem das mesmas limitações das máscaras cirúrgicas, agravadas pela necessidade de higienizações frequentes. As máscaras de tecido também devem ser trocadas com frequência e lavadas com água quente, ou com detergentes adequados, para que os vírus não sobrevivam.
Essas máscaras de pano, mesmo reutilizáveis, devem ser trocadas com frequência, para funcionarem com equipamento de proteção. As pessoas desinformadas não tomam os cuidados necessários com essas máscaras após o uso.
Na prática, essas máscaras de pano se transformaram em adereços do vestuário, com marcas famosas, personalizações, símbolos, estilos e sutilezas. São burcas ocidentais.
3. As máscaras de proteção (EPIs)
São máscaras que filtram o ar – tanto na versão descartável, feita a partir de fibra de celulose com um elemento filtrante e uma válvula expiratória, quanto de material sintético, à qual é acoplado um filtro.
As máscaras EPI são usadas em hospitais quando profissionais de saúde entram em contato com pacientes de doenças altamente infecciosas. São usadas juntamente com outros EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como protetor ocular, luvas, aventais e macacões descartáveis.
As máscaras EPI são usados pelos profissionais de saúde que estão na linha de frente no atendimento da covid-19. No Brasil, essas máscaras seguem a regulamentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e precisam de CA (certificado de aprovação). São os tipos N95, N99, R95 ou PFF2.
Não é aconselhável, nem viável, o uso dessa máscaras (EPI) pelo público em geral. Elas são reservadas para os trabalhadores expostos a riscos extremos.
Portanto, as máscaras em geral ajudam na redução do contágio da covid-19, quando usadas de forma adequada e somadas a outras medidas de higiene e vigilância. As máscaras usadas de forma incorreta podem tornar-se em um veículos de transmissão do vírus.
Portanto, leis obrigando o uso de máscaras, sem o devido esclarecimento e treinamento, são apenas jogadas de marketing.
Antonio Samarone (médico sanitarista)