quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O NASCIMENTO DA MEDICINA EM SERGIPE


O Nascimento da Medicina em Sergipe.
(por Antonio Samarone)
Em 02 de maio de 1926, surgiu no antigo areal do Thebaidinha, em Aracaju, o Hospital de Cirurgia.
A inauguração foi realizada com a presença do Governador do Estado Graccho Cardoso e do Bispo Diocesano, Dom José Thomaz. Durante a solenidade, o Dr. Augusto Leite expressou o significado daquela obra para a saúde pública em Sergipe:
“Meus senhores: o Hospital de Cirurgia abre, na vida de nossa terra, novo ciclo médico social. Ele exprime, a um tempo, o grau de civilização e da nossa cultura, da nossa filantropia e piedade cristã. Construiu-o e aparelhou-o, o Estado de Sergipe, mas para o seu sustento e triunfo, vão se cotizar, de hoje em diante, as virtudes do povo sergipano.”
Em 14 de junho de 1926, O hospital começou a funcionar com 70 leitos, ambulatórios, farmácia e salas de curativos. Enfermarias, de no máximo com 18 leitos, apartamentos com 1 e 2 leitos, laboratório clínico, serviço de radiologia (chefiado por Dr. Ranulfo Prata), instrumental cirúrgico abundante e de primeira qualidade, e, o mais importante, um centro cirúrgico com todas as condições exigidas pelo conhecimento médico naquele momento.
O hospital era um edifício de três pavilhões, com uma fachada de 106 metros. Duas salas de cirurgia, sala de esterilização, câmara escura, sala de raios X, laboratório e sala de curativos. Enfermarias, quartos para pensionistas, numa área construída de 1.800 m².
O corpo clínico foi inicialmente formado pelos Doutores Augusto Leite, Eronildes de Carvalho, Juliano Simões e Lauro Dantas Hora.
No primeiro dia de trabalho, ocorreram três cirurgias:
a) uma laparotomia para extirpação de fibroma uterino e do apêndice cecal, realizada por Dr. Augusto Leite e auxiliada por Dr. Eronides de Carvalho;
b) uma talha hipogástrica para extração de cálculo urinário, realizada por Eronides de Carvalho e auxiliada por Dr. Augusto Leite;
c) a extração de catarata, realizado por Dr. Juliano Simões. A anestesia fora realizada pelo Dr. Lauro Hora.
O movimento do hospital foi crescente. Entre 1926 e 1938 são realizadas no hospital 7.119 cirurgias, numa média de 593 cirurgias por ano.
O hospital será administrado por uma Fundação (o decreto 932, de 30/04/1926, aprova os estatutos da “Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia”) que, por sua vez, será dirigida por um conselho deliberativo com 12 membros, eleitos em Assembleia Geral, com um mandato de 4 anos, e por uma diretoria administrativa.
Na prática, o hospital era administrado pelas “Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição”, religiosas alemãs de grande operosidade. As irmãs Úrsula, Bernadina, Berarda, Theodata e Clara, serão os esteios da nova Casa de Saúde. Sem esquecer a contribuição do contador, João Melo, e do tesoureiro, Couto Faria, que trabalhavam praticamente de graça.
O Hospital de Cirurgia foi o templo da ciência médica em Sergipe, onde nasceu a chamada medicina científica. Além dos serviços prestados à população, o hospital funcionou também como um “locus” de estudos e pesquisas, congregando os médicos e permitindo treinamento e atualização permanente.
A institucionalização da escola médica só ocorrerá em Sergipe na década de 1960, todavia, de maneira informal, o Hospital de Cirurgia cumpriu o papel de hospital escola desde a sua fundação.
A importância do Hospital de Cirurgia para a medicina de Sergipe foi assim resumida pelo Presidente Graccho Cardoso:
“O hospital que tanta labuta nos custou, o suntuoso hospital que aí está, santuário de saúde e de vida, pequenina Meca da cirurgia no Norte do País”.
Em setembro de 1930, foi inaugurada a Maternidade Francino Melo, a primeira de Sergipe, dentro das dependências do Hospital de Cirurgia.
O corpo clínico do Hospital de Cirurgia ampliou-se com os doutores Octaviano Melo, Ávila Nabuco, Carlos Melo e João Firpo.
Em 1937 será inaugurado o Hospital Infantil, onde a pediatria deu os seus primeiros passos no Estado, sob as luzes dos doutores Lauro Dantas Hora (primeiro pediatra em Sergipe) e Jose Machado de Souza (formado na Bahia em 1934).
Em 1939, em convênio com a Prefeitura Municipal de Aracaju, inauguraram-se as instalações do Pronto Socorro.
Antonio Samarone (médico sanitarista)


 

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