quarta-feira, 13 de setembro de 2017

MAJOR JOÃO TELES DE MENEZES - Historias do povo sergipano...


Major João Teles de Menezes, histórias do povo sergipano.

Em 1952, o Governo Vargas iniciou uma caçada nacional aos militares considerados subversivos, a pedido da CIA, onde foram realizadas mais de mil prisões pelo no Brasil. A caçada chegou a Sergipe entre os dias 16 e 17 agosto de 1952. A polícia política do exército prendeu alguns militares considerados subversivos em Aracaju, entre eles os Majores João Teles de Menezes e Humberto de Andrade; e os sargentos Manuel Messias dos Santos, João Alves Santana, Antônio Rodrigues da Silva, presidente da Casa do Sargentos. Os presos foram levados para a sede da Capitania dos Portos, onde foram submetidos a torturas cruéis.  Poucos dias depois, nove presos (entre eles o Major João Teles) foram colocados num avião, com o destino ignorado. Na mesma operação, a polícia política estabeleceu o cerco aos civis, entre eles o destacado jornalista Fragmon Carlos Borges, sergipano de Frei Paulo.

O Major João Teles de Menezes passou um tempo sem que a família soubesse o seu paradeiro, não se sabia nem se ele estava vivo. A esposa, dona Horonita (foto), não teve descanso enquanto não localizou o marido, preso a 15 meses no Regimento de Cavalaria e Guarda da Base Naval de Natal, RN, por envolvimento num inquérito policial militar instaurado em Aracaju. O Coronel Amaury Kruel, comandante do RCG, manteve o Major João Teles incomunicável, sem direito ao uso do telefone, nem ao banho de sol, durante todo o período da prisão. Dona Honorita procurou o famoso advogado Evandro Cartaxo de Sá, defensor de presos políticos, e finalmente, em novembro de 1953, o Superior Tribunal Militar libertou o Major João Teles de Menezes, preso injustamente.

João Teles de Menezes nasceu em Laranjeiras, em 14 de junho de 1903, filho de José Hermenegildo Teles de Menezes e de Clotildes Menezes (professora Santinha). Estudou o primário com a mãe e concluiu na escola da professora Possidônia Bragança. Na adolescência foi tropeiro e mascate. Em 1922, já no exército, casou com Heronita Nascimento Teles, e tiveram oito filhos: Eurípedes, Etodéa, Hermínia, José, Juarez, João Alberto, Clotildes e Eraldo. Serviu o exército em Natal, RN. Admirador de Luiz Carlos Prestes, participou do Movimento Tenentista e da Intentona Comunista de 1935, permanecendo ligado a causa até a morte. Faleceu em 24 de fevereiro de 1981.

Antônio Samarone.