domingo, 24 de setembro de 2017

A RADIOTERAPIA EM SERGIPE


RADIOTERAPIA EM SERGIPE.
A aventura começou no final de 1895, quando Roentgen descobriu os raios-X. Os raios-X matam as células que se reproduzem rapidamente. No final de 1900, os médicos já vislumbravam a possibilidade de curar o câncer com o raios-X. Em 1902, o casal Pierre e Marie Curie vasculhando o mundo natural descobrem o rádio, fonte químicas do Raios-X, permitindo a emissão de radiações mil vezes mais poderosa contra os tumores. De imediato a oncologia entrou na era atômica: o rádio era introduzido diretamente nos tumores (braquiterapia) ou usava-se aplicações com equipamentos capazes de produzir doses poderosas de raios X, em locais protegidos, (teleterapia), mil vezes superiores aos equipamentos de raios-X destinados ao uso diagnósticos. A radioterapia estava inventada. Ainda não se conhecia os efeitos deletérios das radiações (Marie Curie morreu de leucemia, em 1934).
A radioterapia chegou ao Brasil em 1914, com o professor Eduardo Rabello, fundando no Rio de Janeiro, o Instituto de Radium e Eletrologia da Faculdade de Medicina. Em 1918, iniciou o funcionamento do primeiro aparelho de roentgeterapia profunda, no consultório do Dr. Arnaldo Campelo. Na verdade, era um aparelho de raios-X potente. Em 1938, foi fundado o Instituto Nacional do Câncer (INCA), e o Dr. Manoel de Abreu (o mesmo da abreugrafia), era o responsável pela roentgeterapia. No início do seu uso, quando ainda não se conhecia os efeitos patogênicos das radiações ionizantes, a medicina usou o tratamento radioativo em: ulceras cancerosas, epitelioma, tumores, fibroses, nevralgia facial, dores pertinazes, reumatismo crônico, suores profundos das mãos, doenças rebeldes da pele e das mucosas, eczemas, acne, verrugas, queloides, psoríases, lúpus, tuberculose de pele...
Em Sergipe, somente em 1943 chegou o primeiro equipamento de radioterapia, um aparelho de ortovoltagem para radioterapias superficiais, instalado no Hospital de Cirurgia, sob a responsabilidade técnica do Dr. Oswaldo Leite (foto). Em 1975, ocorreu a virada. O Hospital de Cirurgia recebeu do Ministério da Saúde um equipamento de radioterapia, com base na tecnologia da “bomba de cobalto”. A questão passou a ser, quem vai operar o novo equipamento? Três recém-formados, Geraldo Bezerra, foi fazer hematologia em Salvador; William Soares e Regis Meira saíram para residência médica nas áreas oncologia/radioterapia, em São Paulo. São os pioneiros, depois de Oswaldo Leite. A partir de 1977, a radioterapia em Sergipe se tornou uma realidade, atendendo cerca de mil pacientes por ano.
Sergipe entrou na era da radioterapia moderna, com equipamento movido por “acelerador linear”, a partir do ano 2000. O Dr. Regis Meira foi aos Estados Unidos e comprou um acelerador linear, de segunda-mão (usado), por 70 mil dólares, (um novo custava na época 400 mil dólares), e instalou no Hospital de Cirurgia. O antigo equipamento com a bomba de cobalto, foi doado ao departamento de física da UFS. O acelerador linear acima é o mesmo que continua funcionando no Hospital de Cirurgia, claro a maior parte do tempo quebrado. No mesmo período, foi instalado outro acelerador linear no HUSE.
No momento a radioterapia vive uma expectativa de crescimento. Uma clínica privada foi inaugurada; e os Serviços de Radioterapia do HUSE e do Hospital de Cirurgia estão recebendo um acelerador linear cada, ainda esse ano, doados pelo Ministério da Saúde. Temos em Sergipe seis radioterapeutas em atividade: William Soares, Maria Valdhenice Oliveira, Maria Luciene Santos, André Gentil, Marcos Antônio Santana e Regis Almeida Meira; e quinze físicos. Sem contar que existe um Hospital do Câncer previsto nos discursos dos políticos, terraplanagem feita, obra começada, só que ninguém de boa-fé acredita.

Antônio Samarone.