segunda-feira, 22 de outubro de 2018

FERNANDO SANTOS DE OLIVEIRA - GENTE SERGIPANA


Gente Sergipana.
Fernando Santos de Oliveira, professor aposentado da UFS, natural de Aracaju. Nascido em 18/11/1942. Filho de Roger Torres.
Fernando, sempre discreto, foi um grande atleta do esporte sergipano. Campeão no futebol e voile. Center four do Cotinguiba e do Sergipe, na década de 1960.
Um artilheiro inteligente, clássico. Marcou um gol histórico na poderosa Seleção Brasileira de 1970, nas feras do Saldanha, em 09 de julho de 1969, na inauguração do Batistão. Eu vi!
Fernando é um gentleman, inteligente, bom professor, pouco afeito as badalações. Foi um dos grandes do futebol sergipano.
Minha sincera homenagem - palmas!
Antonio Samarone.

sábado, 20 de outubro de 2018

VAMOS LOUVAR A QUEM MERECE



Vamos louvar a quem merece... (por Antônio Samarone)
A turma do Arquidiocesano que completou 40 anos da conclusão do segundo grau, fez uma festa. Professores e a direção do Colégio foram convidados. Eu ensinava biologia. A atração foi a presença do diretor, o Cônego Carvalho.
Numa breve retrospectiva, o Cônego José de Carvalho Souza dirigiu o Arquidiocesano por cinquenta anos. Em 2012, foi afastado de forma abrupta pela Diocese. O Colégio nunca mais foi o mesmo.
O conservador Cônego Carvalho dirigia o Colégio democraticamente. Reinava um clima de liberdade, do livre pensar e do respeito as divergências no Colégio.  
Durante a revolução de 1964, alguns alunos foram expulsos do Colégio Atheneu, acusados de subversão. O Cônego Carvalho abriu as portas do Arquidiocesano para recebe-los: Wellington Mangueira, Abelardo Souza e o poeta Mario Jorge (irmão da deputada Ana Lúcia). Não foi pouco!
Quando ingressei no Colégio, com professor de Biologia, fiquei preocupado. Como ensinar a Teoria da Evolução, claramente materialista, num colégio de padres? Estávamos na década de 1970, e a biologia moderna, cientifica, ainda era uma novidade nos livros didáticos.
Procurei o Cônego Carvalho, para saber a orientação do Colégio. Eu precisava do emprego. Expus o problema: padre, a biologia tem uma visão sobre a origem da vida e a sobre evolução que contrariam a doutrina cristã, o que fazer? O Cônego Carvalho foi sucinto: o senhor ensine biologia, que eu ensino o catecismo.
O corpo docente era infestado de esquerdistas, líderes estudantis, isso em plena ditadura. O padre sabia, mas o que cobrava é que fossemos bons professores. O Cônego Carvalho valorizava os professores. Era acessível, dialogava com os alunos. E foi um pioneiro no fortalecimento do esporte estudantil.
O Colégio Arquidiocesano foi um grande colégio, em grande parte, devido a dedicação e competência do Cônego José de Carvalho Souza. Foi o eu que ouvi dos ex-alunos, após 40 anos. Eu subscrevo!
Antônio Samarone.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

CRIADORES DE BACORINHOS



Criadores de bacorinhos...
Enquanto o mundo discute o impacto no trabalho da automação e da inteligência artificial; o fim dos empregos; a extinção de várias profissões, constatei que uma ocupação centenária, presente em minha infância, permanece forte, e agora mais organizada. Os criadores de bacorinhos são eternos.
Centenas de microempresas informais, de criadores de leitões, permanecem ativas, abastecendo o mercado em Sergipe. O governo só atrapalha. Sem esses criadores autônomos, empreendedores, a nossa deliciosa costelinha de porco, light, não seria possível. Não estou falando dos porcos da Sadia.
Explico melhor. Muita gente em Itabaiana vive criando leitões. A alimentação é a base de farelo, soja, milho, suplementos vitamínicos e proteicos. Para baratear os custos, completam com a lavagem. Saem com uma carroça de burro (foto), de porta em porta, recolhendo os restos de comidas (a tal lavagem). Ajudam na limpeza pública, e oferecem ao criatório alimentos naturais, sem antibióticos, herbicidas ou hormônios.
Os bacorinhos do agreste são abatidos logo, 90 dias, não viram barrão, pai de chiqueiro. O toucinho é fino e os ossos moles. A carne é saudável e tenra. Os leitãozinhos são vacinados; e criados em ambientes higienizados, com água limpa e corrente.
Num dos locais visitados, o criador, para reduzir o estresse dos bacorinhos, deixa um som ligado, com boa música de fundo. Sei que vocês estão querendo saber: onde comprar esses bacorinhos de 30 kg, criados com lavagem e música? Além de Itabaiana, nas feiras livres de Aracaju. É só procurar!
Antônio Samarone.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

MESTRE VALTINHO FUNILEIRO


Gente Sergipana 

Valter Farias (Mestre Valtinho). Filho de Seu Manezinho Funileiro e Dona Rosinha do Ralo; família de funileiros, com oito irmãos. 

Há cinquenta anos produzindo ralos, bicas, candeeiros, coifas, etc. Artesão do flandre, zinco e alumínio. 
Itabaiana possuía dezenas de funileiros bons: Seu Neca, Pedro Funileiro, Cosme, Fobica, Parrachinho, Zé do Brito, entre outros. 

Mestre Valtinho resiste há a meio século, no mesmo local, na mesma oficina, enfrentando a industria do plástico e outras porcarias. 

Fui lá comprar dois ralos de zinco, dos antigos, furados à mão em cima de um cepo de mulungu. Ele fez na hora e me deu de presente. 


Sou amigo de infância do Mestre Valtinho, da mesma idade. Ele zagueiro ríspido, eu atacante medroso. Fazia os meus golzinhos.


Ele sempre bem informado. Conversamos sobre a encruzilhada em que o Brasil se encontra. 


Palmas para o Mestre Valtinho, que continua ganhando o pão decentemente, com o suor do próprio rosto.


Antonio Samarone.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

ROMARIA, SEM ROMEIROS...



Romaria sem romeiros...
As quatro horas da madrugada parti numa Van, com a minha turma de peregrinos, com destino a romaria de Nossa Senhora Aparecida. Cinco e pouco estava em Ribeirópolis. E aí, danei-me a caminhar. O que era aquilo? Um mar de gente! Não sei calcular, dez quilômetros de gente.
Pensei, quem é esse povo? Eles responderam cantando: “esse é o povo que vai morar no céu...” Será se vão esvaziar o inferno? De onde veio esse povo todo? Não sei...
Acostumado com as romarias do Padin Ciço, romarias de penitentes, sertanejos, gente sofrida; a romaria de Aparecida é de outra natureza. Muita gente jovem, sorridente, pousando para selfies; muita gente passeando. Um certo espírito fitness. Claro, tem um ou outro centrado na fé antiga, rosário na mão, pés descalços, fazendo ou agradecendo alguma promessa. As romarias também mudam.
Não entendo como as igrejas católicas andam vazias, com tantos devotos...
Ao longo do percurso vários trios elétricos, daqueles que o som vibra na caixa dos peitos da gente. Soube que quem contrata são as paróquias. A música e o ritmo são baianos, as letras religiosas. As cantoras pedem que as pessoas levantem as mãos, os pés, pulem, deem saltinhos, tudo o que se pede no carnaval. Me disseram que é para atrair os jovens. Já eu, suporto como penitência.
Outra coisa, não vi um padre, um frade, um coroinha. Onde está a instituição igreja, a romana? A capela do povoado Queimadas cabe no máximo cem pessoas. Claro, os padres celebravam as missas.
Com todas as novidades, essa é a fé que temos. As novas tecnologias, o celular, a internet, o drone, o GPS, as sementes transgênicas, nada, nada muda a alma humana. A velha natureza humana. Continuamos religiosos, com medos atávicos e acreditando em milagres.
Antonio Samarone.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

FATO RARO, RARÍSSIMO!



Fato raro, raríssimos!
Entre os finalistas ao Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, na categoria “biografia”, ao lado de gente famosa (Jô Soares, Artur Xexéo, Lilia Moritz Schwarcz, Anita Leocadia Prestes, Claudio Bojunga), apareceu um tabaréu de Itabaiana, o historiador Anderson da Silva Almeida.
Um sergipano com destaque nacional. Gente, é hora de festa. A obra "...como se fosse um deles: Almirante Aragão – Memórias, silêncios e ressentimentos em tempos de ditadura e democracia" (Editora da Universidade Federal Fluminense - Eduff), de Anderson da Silva Almeida, antes que Sergipe tomasse conhecimento, é reconhecida nacionalmente.
A obra finalista, mergulha na trajetória do militar paraibano, Almirante Aragão, que ficou contra o Golpe de 1964. Aragão foi perseguido implacavelmente pelos agentes da repressão, falecendo no ostracismo em 1998. A esquerda esqueceu o Almirante.
Em 2010, Anderson da Silva teve a sua dissertação de mestrado premiada pelo Arquivo Nacional, e publicada em 2012 sob o título “Todo o leme a bombordo: marinheiros e ditadura civil-militar no Brasil”.
Anderson da Silva Almeida é membro da Academia Itabaianense de Letras. Estudou em Itabaiana, no Grupo Escolar Eduardo Silveira e no Colégio Estadual Murilo Braga. É graduado em História pela Universidade Católica do Salvador, especialista, mestre e doutor em História pela Universidade Federal Fluminense.
Anderson da Silva é autor de diversos capítulos em obras de circulação nacional e também atua como músico e diretor da Sociedade Filarmônica 28 de Agosto – SOFIVA – da cidade de Itabaiana.
Ainda não sei o resultado do prêmio, mas a vitória de Anderson da Silva com a sua obra já aconteceu. Ser finalista já é uma grande vitória. Sem influência de editoras, de padrinhos, da mídia, desconhecido até em Sergipe, ter o seu trabalho reconhecido nacionalmente é um grande feito. Palmas, muitas palmas.
Uma conclamação: intelectuais e acadêmicos sergipanos, vamos a leitura!
Antonio Samarone.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A DERROTA DE JACKSON BARRETO



A derrota de Jackson Barreto.

Jackson Barreto foi o rei do voto em Aracaju. A maior liderança do campo popular em Sergipe, nos últimos 40 anos. Em 1985, foi o prefeito mais votado do Brasil. A sua intimidade com o povo era assombrosa: cumprimentava os eleitores pelo nome e sabia detalhes das famílias de cada um. Quando visitava uma residências, dizia-se que levantava até as tampas das panelas. Jackson era daqueles líderes, que se apoiasse alguém, elegia até um poste. E elegeu!

Com duas vagas ao Senado, como ele foi derrotado? Jackson Barreto repetiu o final carreira política de Leandro Maciel, outro grande da política Sergipana, derrotado por Gilvan Rocha, em 1974.

Não foi o efeito da “onda Bolsonaro”, em Sergipe Haddad ganhou disparado no primeiro turno. E o que foi? Numa primeira reflexão, identifico alguns pontos que atrapalharam a caminhada política de JB ao Senado. Vamos a eles:

1.       A briga desnecessária com os professores. Jackson foi orientado a bater de frente com os professores, derrota-los, destruí-los, numa visão equivocada de que o SINTESE era o grande inimigo. Jackson comprou uma briga e herdou um ódio que não eram dele, seguindo conselhos equivocados. A guerra contra o SINTESE expandiu-se para a categoria.

2.       Belivaldo fez a sua campanha como se fosse um candidato de oposição, nada prestava no governo anterior. Ele veio para resolver. Logo no primeiro dia, Belivaldo detonou a inauguração fantasma da Unidade de Nefrologia. Partiu furioso em cima de Zé Almeida (Primo de JB), e se comportou como se nada da gestão Jackson merecesse defesa. Alardeou que, com ele, o pagamento do funcionalismo seria regularizado. Claro, a rejeição à Jackson aumentou.

3.       Por razoes políticas, Jackson assumiu calado o desorganizado segundo Governo de Marcelo Déda; que por razões conhecidas, não andou bem. No final de Déda, o governo foi entregue a um triunvirato petista, que só aprofundou a crise. Não sendo um bom gestor, Jackson Barreto não soube formar uma equipe ligada a ele. Não tinha nem planejamento, nem paciência para governar, e terminou com a fama do pior governo da história de Sergipe.

4.       O Prefeito Edvaldo Nogueira, aliado histórico de Jackson Barreto, trouxe André Moura para Aracaju. Antes da campanha, levou-o de bairro em bairro, de rua em rua, de casa em casa, anunciando obras e uma nova aliança. Na maioria das vezes, André também assinava a ordem de serviço, em conjunto com o Prefeito.

5.       O apoio a Jackson, virou um meio apoio. Edvaldo indicou a André onde estavam os líderes de bairros em Aracaju, os que tinham prestígio. O que não é pouco. Para que não houvesse dúvidas, André Moura foi recebido na Prefeitura uma semana antes da eleição, e a notícia vazou de propósito. Foi o suficiente, André derrotou Jackson em Aracaju.

6.       A intensa, aberta e bem-sucedida campanha do PT para o voto isolado em Rogério Carvalho deu certo. Só ele foi o candidato de Lula. Não falo do pessoal do SINTESE, esse tinha lá as suas razões; falo do conjunto do PT, que salvo exceções, não votou em Jackson Barreto, mesmo com o direito a dois votos para o senado.

7.       Lula e Haddad elogiavam Jackson, o PT estadual desmentia. Jackson precisava desse voto petista, aliás, merecia esse voto, pois o Partido tinha a metade do Governo. A força de Lula em Sergipe, elegeu Rogério Senador.

8.       Somando-se a desconstrução da imagem de Jackson Barreto realizada pelos “aliados” a uma gestão desastrada, a base da derrocada estava pronta. O próprio Jackson, num momento impensado, gravou declarações dizendo que ao final do mandato de governador deixaria a política, e pedia para que ninguém mais votasse nele.

Claro, existem outras causas, e muita gente vai contestar as razões acima apontadas. Mas é como eu vejo, numa primeira abordagem. Com as derrotas de Jackson Barreto e Valadares, encera-se um período de dominação política em Sergipe, iniciada com as eleições diretas para governador, em 1982.  
Antonio Samarone.