Hospitais, Asilos e Nosocômios.
(por Antonio Samarone)
No setor da assistência hospitalar na Província de Sergipe, até 1850, tivemos apenas dois hospitais. O Hospital Senhor do Bonfim, em Laranjeiras e o São Matheus em São Cristóvão.
Sem nenhum patrimônio e sob um compromisso aprovado pelo Presidente da Província, foi criada em 1836 uma Instituição de Caridade, visando instalar um hospital em Laranjeiras.
Os médicos, José Cândido de Faria (primeiro diretor) e Francisco Alberto Bragança (o Pai de Francisco Bragança) participaram da sua fundação. Após longos esforços, finalmente, em 29 de junho de 1840, no Governo do Coronel Wenceslau de Oliveira Belo, o “Hospital Senhor do Bonfim” seria inaugurado. O hospital era administrado pela Irmandade do Senhor Bom Jesus do Bonfim.
A questão central para o funcionamento desse hospital, era a mesma do antigo Hospital São Mateus (o Hospital de Caridade de São Cristóvão): a falta de financiamento. Os legados e subvenções eram quase inexistentes e o que se arrecadava de esmola era muito pouco.
A lei n.º 28, de 11 de março de 1839, no Governo do Presidente Joaquim José Pacheco, concedeu o privilégio de exploração de loterias, ao Hospital Senhor do Bonfim. Mas, àquela altura, o instrumento das loterias andava bastante desgastado. Era muito difícil arrecadar-se alguma coisa por esse meio. Restava ao hospital à contribuição marítima do porto de Aracaju, em torno de 800$000 réis, que, na prática, era a única efetiva.
Em 1847, O Presidente da Província, José Ferreira Souto, solicitou recursos à Assembleia Provincial para comprar uma nova casa para funcionamento dessa instituição, alegando completa falta de condições da existente:
“A que ora serve não pode por todos os motivos continuar. É pequena, baixa, quente, e a mais insalubre possível. Os doentes estão confundidos, e tudo ali é tão miserável, que só na última necessidade se poderá procurar aquele asilo.”
De fato, as condições de funcionamento do Hospital Senhor do Bonfim, em Laranjeiras, não eram das melhores. O hospital funcionava em uma casa alugada, que possuía apenas 18 palmos de altura e 30 de largura em sua frente, era dividida em três salas e duas enfermarias, onde estavam instaladas de 16 camas, com um mínimo espaço de separação.
A mortalidade atingia cerca de 50% dos internados. Em 1848, foram abrigados neste hospital 27 doentes, dos quais 13 faleceram, 09 receberam alta e 05 permaneceram internados até o ano seguinte.
O Presidente Salvador Correia de Sá e Benevides, em seu relatório de julho de 1856, assim descreveu a citada instituição:
“Existe esse pio estabelecimento em um edifício sumamente acanhado e sem nenhuma das condições exigidas para casas dessa ordem.” “A caridade particular pouco sustenta os pobres enfermos, e são tão diminutos, tão precários esses recursos, que apenas um limitadíssimo número de camas pode manter essa santa instituição.”
Esse hospital deixou de funcionar em 11 de junho de 1859. Os senhores, Ângelo Custódio Polliciano, José Joaquim Fernandes Sampaio e Eugênio José de Lima assinam o documento que assinala o fechamento do Hospital, com as seguintes justificativas:
“Pobre, sem patrimônio, reduzido à subvenção marítima da barra, a qual produz 1:200$000, quando as despesas orçam 3:600$000, não podia mesmo o hospital funcionar.”
A situação da assistência hospitalar, na primeira metade do século XIX, na Província de Sergipe, estava limitada a duas instituições de caridade e uma enfermaria militar. “Há somente dois asilos de enfermos, o São Mateus, em São Cristóvão e o do Senhor do Bonfim, na Vila de Laranjeiras”.
Eram casas voltadas ao amparo dos necessitados, para que não morressem à míngua. Local, para quem não tinha onde cair morto. Ainda não tinham incorporado as mudanças, já em andamento no mundo desenvolvido, que transformariam os hospitais em instituições voltadas para a cura das doenças.
Antonio Samarone – Membro da Academia Sergipana de Medicina.







