Uma louvação a inteligência.
(por Antonio Samarone)
Ontem, a Academia Itabaianense de Letras concedeu uma Comenda ao Dr. Átalo Crispim de Souza. A Comenda é concedida anualmente, a um itabaianense destacado positivamente na sociedade.
O destaque do Dr. Átalo é a sua reconhecida inteligência.
Os céticos indagaram: o que seria essa inteligência? Essa pergunta foge a objetividade. Geralmente, a inteligência se manifesta em áreas específicas: “Fulano é muito inteligente em matemática, música, comercio, política, etc.
A homenagem à inteligência do Dr. Átalo foi genérica. Como justificar, sem cair no senso comum: eu sei que ele é inteligente, mas não sei explicar. Os conceitos de inteligência são subjetivos.
Quando se tenta avaliar objetivamente, caímos no besteirol de medir o “QI”. O sujeito responde a um questionário, faz associações e preenche um quebra cabeça. No final, recebe uma nota. É o seu quociente de inteligência (QI). A nota máxima é cem.
O senso comum atribui a inteligência aos bem-sucedidos. Uma pessoa que sai do zero, se mete em uma atividade e, por talento próprio, fica rico, o título de inteligência é logo outorgado pela sociedade. Fulano é muito inteligente.
Ser bem-sucedido na escola, já foi critério de inteligência. Hoje, nem tanto. O bom aluno, bom profissional após formado, mas se não se tornar famoso e não souber ganhar dinheiro, a sua inteligência é vista com desconfiança. Pergunta-se logo, de que serviu ser inteligente?
Portanto, a Comenda do Dr. Átalo, por sua inteligência, gerou polêmica. Um imortal cobrou realizações palpáveis. Fez o quê?
Na fala de agradecimento a Comenda, o doutor Átalo discordou da fama que possui. Disse, que a sua virtude era a curiosidade. Sempre quis entender o mundo. Rejeitou e pôs em dúvida, a sua propalada inteligência.
Fez bem, a humildade é inseparável da inteligência. A vaidade é filha da burrice.
A biologia define a inteligência como um recurso de sobrevivência a variações do meio ambiente e da sociedade. A inteligência é uma estratégia para a competição evolutiva. Os bem sucedidos evoluem e deixam descendência.
Durante a solenidade, ouvi cochichos: “a Academia está fora do tempo, elogiar a inteligência humana, um recurso analógico, sujeito a enganos; quando se sabe, que a inteligência artificial (IA), já esmagou a irmã natural.”
Aqui o debate pegou fogo.
A falta de clareza é maior na IA: que peste é inteligência artificial? O cientista brasileiro mais conhecido no mundo, Miguel Nicolelis, nega a sua existência. Ele diz que a IA, nem é inteligência, nem é artificial. Eu não entendo direito.
Quanto mais leio e escuto, a confusão aumenta. Que a IA existe, eu suponho, mas o que é, eu não sei. Sei que a IA sabe quase tudo de muita coisa. A IA elabora teses, traduz hieróglifos, escreve livros, faz poesia e conta piadas. Na medicina, coitados dos médicos, ficam distantes em conhecimentos.
Eu sei que a “IA”, compõem músicas de qualidade, em segundos. Há um Chico, um Gil e um Caetano em cada iPhone.
O Restaurante de Dona Marizete do Capunga, importou um fogão inteligente, da China. Basta ele programar qualquer prato, disponibilizar os ingredientes, que o prato sai sem erros e o ponto na hora certa. As receitas estão no programa.
Soube que o fogão inteligente de Dona Marizete, faz até quebra-queixo, dar o ponto no doce de barata, faz amarradinho, rabada e costela de boi defumada. Assa tripa de porco e faz buchada de bode.
Soube que a pichilin noz-moscada, vendida na banca de Vadinho de Nilo Base, na feira de Itabaiana, é produzido pela IA. Já se falsifica até a castanha do Carrilho.
Uma covardia com as cozinheiras de forno e fogão. Em breve, cada banca de frito e sarapatel no mercado de Itabaiana, vai ter um fogão inteligente.
Eu não sei como funciona, mas a IA existe. Parece assombração. Os pedantes sintetizam: são os algoritmos! Sim, mas o que são esses algoritmos? Quase uma tautologia.
Sair da solenidade do jeito que entrei: admirando a frágil inteligência humana e, convencido, que o Dr. Átalo herdou e cultivou, uma generosa fatia dessa antiga inteligência.
Antonio Samarone – membro da Academia Itabaianense de Letras e outros penduricalhos.

Belo texto, como sempre. Parabéns, Samarone.
ResponderExcluirNão nos conhecemos, mas já ouvi falar muito de você. Sou casado com Rafaela, filha de Amabel e Morais, e moro na Paraíba.
Fiz uma humilde poesia em homenagem a Átalo, fazendo referência à Comenda Potestas Montis (após descobrir que significa "poder da montanha" em latim). Segue a poesia:
Potestas Montis
A serra de Itabaiana
Muitos bons fluidos emana
Com os filhos que ela fornece
A humanidade é quem ganha
Muitos alcançam respeito
Conquistando grandes feitos
Tal é o poder da montanha
A homenagem de hoje
Vai pra Átalo Crispim
Um exemplo, pois é raro
Ter conhecimento assim
Foi na homeopatia
Que encontrou sua alegria
Na qual segue até o fim
Tenho mais um comentário a fazer, já que sou da área da computação, mas também sou amante das artes e da língua portuguesa.
ExcluirConcordo que a IA não é inteligência, é apenas uma ferramenta que ajuda a agregar informações. Esse é o algoritmo da IA generativa: buscar informações em várias fontes de dados e agregar para dar uma resposta que siga as regras que a pessoa pediu. Não existe criatividade aí, apenas copia e cola. Muitas vezes, ajuda a conseguir respostas rapidamente, mas não substitui o que exige criatividade.
Usando IA, a arte se revela cheia de problemas que a máquina não percebe faltar sentido (mas, aos poucos, buscam incluir mais regras pra diminuir esses problemas). E a poesia perde o encanto e falha ao buscar sintetizar o que quer expor e encontrar rimas relevantes, deixando de soar, de fato, poéticas.