O Guarda-Livros.
(Por Antonio Samarone)
Não sou nada/ Nunca serei nada/ Não posso querer ser nada./ À parte isso/ tenho em mim/ todos os sonhos do mundo!” – Fernando Pessoa.
O sucesso do comércio em Itabaiana, em parte, deve-se aos seus escriturários. Sem exageros, o contador é um profissional quase mágico. Compete-lhe, dentro da lei, arrumar o desarrumado, por ordem na contabilidade e ajustar a equação débito/crédito. Sempre em busca de “brechas” para a redução dos impostos.
“Mesmo o mal feito, precisa ser bem feito.” Dizia o filósofo Dedé Cachaça.
As ciências contábeis chegaram a Itabaiana, em 1959. O Coletor Federal Josafá Pereira de Farias, alagoano, criado no Betume, em Sergipe, foi transferido para Itabaiana. De imediato, sentindo a carência, montou o primeiro escritório de contabilidade.
Antes, os guarda-livros eram improvisados. Toda grande empresa, possuía um funcionário de confiança, para ajustar as contas, anotar as compras e vendas. Creio que o ex Prefeito de Itabaiana, Serapião Antonio de Goes, quando funcionário do armazém de Euclides Paes Mendonça, exercia as atribuições de um escriturário.
O Dr. Vladimir Carvalho, nossa enciclopédia, lembra-se de outros dois contadores, anteriores ao Coletor Josafá: Seu Walter e Pedro Pires. Esse último, residia em Aracaju e ia à Itabaiana nos dias de feira, prestar os serviços contábeis.
Depois, o Cônego Soares criou uma Escola Técnica de comércio, em Itabaiana, para formar contadores. Em pouco tempo, seis escritórios estavam funcionando: Tonho de Gustavo; José Máximo, irmão do Veio Belo; Miburge/Airton Neguinho, Maria do Carmo, esposa de Gilberto de Gonçalo e Antonio Batista.
Antonio Batista, estava nessa primeira turma de contadores, em Itabaiana. Comenta-se que hoje, existam mais de cem escritórios de contabilidade em atividade.
Antonio Batista dos Santos (foto), nasceu no Pé da Serra do Belinho, na Fazenda Jacoca, de propriedade paterna, em 16 de abril de 1949. Filho de Manoel Brás e Dona Felismina. O pai era um grande proprietário rural.
Tonho Batista, da fértil cepa da Maitapoan, veio morar na cidade, aos sete anos, ajudar ao irmão Luiz, numa bodega. Estudou o primário com Maria de Branquinha e na Escola do Padre. Foi aluno de Maria Pereira.
Antonio Batista, foi aluno do lendário Colégio Murilo Braga. Depois, dedicou-se aos afazeres da contabilidade. Abriu o seu escritório em 15 de setembro de 1970, as sete horas da manhã. De lá para cá, sempre vigilante, cuidando bem de uma clientela cheia de empecilhos.
Tonho Batista, casou-se com Dona Maria Josefa dos Santos, em 29 de maio de 1979. Tiveram três filhos: Manuel, Mário e Marilia.
A profissão de Guarda-livros (nome antigo), remonta Mesopotâmia, onde as colheitas e os rebanhos eram registrados em tábuas de argila.
A publicação de “Summa de Arithmetica”, em 1494, por Luca Pacioli, deu ares científicos a contabilidade.
O competente Antonio Batista, moureja em seu escritório de contabilidade há 57 anos, sempre no caminho certo, prestando um serviço de grande valia para o próspero comércio Itabaianense.
Há quem pense, ser o trabalho contábil uma rotina monótona e enfadonha. Só relembrando: o maior poeta da língua portuguesa, Fernando Pessoa, foi auxiliar de guarda-livros, em Lisboa.
O clássico, “Livro do Desassossego”, é um diário de Bernardo Soares, Semi-Heterônimo de Fernando Pessoa, em seu trabalho de auxiliar de guarda-livros. Na verdade, uma autobiografia do poeta.
Antonio Batista não virou poeta, mas é um observador afiado da vida itabaianense, reforçando a fama da inteligência da gente da Maitapoan.
Antonio Samarone (Secretário de Cultura de Itabaiana)

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