terça-feira, 17 de abril de 2018

A MELHOR IDADE



A melhor idade.

O envelhecimento da população leva inexoravelmente ao aumento das demências irreversíveis. Entre elas, o Alzheimer corresponde a mais de 50%. A perda da memória e da atividade cognitiva apavora a quem sabe do que se trata. Entre as enfermidades, talvez sejam as demências que causem mais temor. Uma pessoa com Alzheimer terminal, ainda pode viver 12 anos.

Contrariando os crentes na auto-ajuda, nas teses simplórias que só envelhece quem quer, basta sentir-se jovem, que os problemas desaparecem; as demências não respeitam essas bobagens. Com a idade elas chegam, ignorando a ilusão e o pensamento positivo dos “velhos de espírito jovens”. Ou seja, as receitas da auto-ajuda não funcionam.

A medicina não se deu por vencida. Se os exercícios da mente (auto-ajuda) não afastam as demências, porque não exercitarmos o cérebro? Isso mesmo, fazer ginástica cerebral (brainfitness), uma forma de aumentar as reservas do cérebro. Se o cérebro está involuindo, atrofiando, regredindo; vamos estimular a neurogênese e a criação de novos circuitos cerebrais, adiando as demências.

Essa é a novidade: com a idade, começarmos a fazer coisas novas. Escovar os dentes com a mão contrária, andar pela casa de trás para frente, conferir as horas pelo espelho, aprender tocar um instrumento, fazer trilhas, ioga, pintar e bordar, desde que estejamos estimulando circuitos inativos do cérebro. Claro, isso não impede a chegada das demências, mas pode adiá-las por um bom tempo. Tem uma certa lógica, o risco é a gente desaprender a andar para frente.
Antônio Samarone.