terça-feira, 14 de agosto de 2018

PARA ONDE VAI O DINHEIRO DA SAÚDE?



Para onde vai o dinheiro da Saúde?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma pesquisa de opinião pública (DATAFOLHA), sobre o que a sociedade pensa da Saúde. Uma surpresa: 26% das pessoas consideram que a primeira prioridade do SUS deveria ser o combate a corrupção na Saúde. A segunda prioridade apontada, com 18%, seria reduzir o tempo de espera para exames, cirurgias e procedimentos.

A sociedade enxerga que o que está travando a Saúde é a corrupção. As pessoas não se conformam, por exemplo, como o Estado de Sergipe gasta 1 bilhão por ano na Saúde, e não consegue oferecer um serviço descente. Isso mesmo, 1 bilhão.

Os especialistas em gestão pública estimam que 30% dos recursos da Saúde são desviados, não chegam aos pacientes. Desperdícios, mordomias, remédios vencidos, internações, exames e procedimentos desnecessários. Quanto custa um paciente 15 dias internado só esperando a realização de um procedimento?

Quanto é desviado com os sobre preços, os serviços pagos e não realizados, os contratos lesivos ao erário público? Pensou que eu ia esquecer, e os desvios acintosos com mimos e propinas. Os fundos de campanha e de enriquecimento ilícito. Quanto representa a fração dos gatunos? Os ralos da Saúde são escancarados.  

O povo em sua sabedoria não sabe os detalhes, mas desconfia do “MECANISMO”.

Sei que algum descrente pode sugerir: por que você não dar logo nomes aos bois. Uma sugestão absurda. Nem eu sei os nomes, e se soubesse, não ia ficar com o ônus da prova, sem possuir os poderes para as investigações.

Eu falo em tese. A Constituição e as leis já definiram de quem é a competência de fiscalizar, apurar e prender os larápios. Sei que não é tarefa simples. A própria lava a jato, com um forte aparato institucional de investigação, com poderes discricionários, só avançou com a delação premiada.

O certo é que o SUS não melhora com o ralo aberto. Quem vai fechar o ralo e como, vira a grande pergunta. É o que eu espero ouvir dos candidatos a governador: o que será feito para estancar a sangria?

Quem começar o futuro governo sem uma auditoria externa independente, vira cumplice e começa mal. Passar a limpo e apresentar medidas para fechar os ralos, são os primeiros passos. Sem um combate eficaz a corrupção na Saúde, o SUS não funciona.
Antonio Samarone.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

MÉDICOS HUMANISTAS EM SERGIPE



MÉDICOS HUMANISTAS EM SERGIPE.

Átalo Crispim de Souza - Itabaianense de boa cepa, filho de Zé Crispim e Dona Lourdes, nascido em 21/03/1949. Fez o primário e o ginásio em Itabaiana. O científico no Atheneu.

De família de classe média, o pai poeta, contista e alfaiate; e a mãe dona de casa; Átalo tem sete irmãos: Agda, Ada, Altéia e Amabel; Abrahão, Grampão e Atenágoras; e é pai de três filhos: Paulo Crispim, Carlos Crispim (médico) e Laura Crispim.

Formado em medicina pela Universidade Federal de Sergipe, em 1972. Fez residência em clínica médica por dois anos, no hospital das Forças Armadas, em Brasília. Depois, especializou-se em homeopatia em São Paulo, onde viveu vários anos.

Átalo é adepto da Homeopatia Unicista, capaz de estudar os sintomas do paciente e, com um único remédio, buscar estímulos para a força vital onde o corpo se autorregule e se cure de uma forma unificada e integral. A homeopatia é ontologicamente holística.

Um intelectual à moda antiga. Livre pensador. Médico de consistente formação clínica e homeopata por convicção. Digo com segurança, Átalo é uma referência na homeopatia brasileira. Um pesquisador culto e criterioso, que conhece as raízes da homeopatia. Um médico de vastas leituras.  

O Dr. Átalo leva uma vida espartana, simples, centrada nos valores espirituais. Não faz da medicina um comércio. Atualmente, exerce a clínica homeopática em Aracaju, no Centro Médico Odontológico, sala 1104, Praça Tobias Barreto.
Antonio Samarone.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

A ANESTESIOLOGIA EM SERGIPE



Cleômenes Reis de Almeida Barreto – médico, filosofo, trovador, que gosta de repetir: - “Na vida, nem sempre fiz o que gostava, mas sempre gostei do que fiz”.

Paraibano de Campina Grande, nasceu em 14/03/1945. Cleômenes formou-se em medicina pela UNB (1971), de Darcy Ribeiro. Especializou-se em anestesiologia nos Estados Unidos, 2 anos em Seattle e 2 anos na Universidade de Yale. Casou-se 1967, com Maria Rosalina (Rosa). Pai de 4 filhos.

Em 1984, mudou-se de mala e cuia para Sergipe. Aqui, construiu uma densa história profissional. Respeitado pelos colegas, inteligente, bem-humorado, sempre com uma visão criativa da vida. Cleômenes foi presidente do Sindicato dos Médicos (1996 – 1999). A sede do Sindicato foi construída em sua gestão. Foi Presidente da Cooperativa dos Anestesistas.

Cleômenes é um iconoclasta. Aos 73 anos, continua trabalhando normalmente. Prestando cuidados anestésicos qualificados.

Perguntamos ao Dr. Cleômenes que conselho ele daria para a nova geração de médicos, ele respondeu de forma inusitada: - “que tenham compaixão dos seus pacientes”. Me pegou de surpresa, a compaixão é um sentimento antigo, meio em desuso.

A análise da assistência médica como política social, somente, empobrece o lado humano. A assistência médica tornou-se impessoal, fria e distante. Pensando bem, Cleômenes tem razão, a compaixão anda desaparecida.
Antonio Samarone.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ARACAJU, UM INFERNO PARA OS PEDESTRES.



Aracaju, um inferno para os pedestres.

Para enfrentar a ameaça da obesidade, resolvi andar. Ir a pé, flanar. Pensei: ao invés de longas e tediosas caminhadas matinais, vou começar ir andando para os lugares mais perto. A adversidade me esperava: as estreitas calçadas do Aracaju estão ocupadas. O passeio público está cheio de obstáculos físicos, desnivelado, com piso irregular e liso. E o mais agressivo, tomado de veículos.

Lembrei-me de uma crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicada no Jornal do Brasil em 1982: “Vamos trabalhar pela afirmação (ou reafirmação) da existência do pedestre, a mais antiga qualificação humana do mundo. Da existência e dos direitos que lhe são próprios, tão simples, tão naturais, e que se condensam num só: o direito de andar, de ir e vir, previsto em todas as constituições... o mais humilde e o mais desprezado de todos os direitos do homem. Com licença: queremos passar.”  

Em Aracaju as calçadas têm donos. Cada proprietário de imóvel pensa e age como se as calçadas lhes pertencessem. Ouvi de um velho amigo: “você queria o que? A cidade é o paraíso da especulação imobiliária, os empresários da construção civil mandam e desmandam. A cidade tem donos”.

Retruquei, não é bem assim, deixe de exageros.
   
Virar pedestre em Aracaju não é fácil, mas não desisto. Nosso índice de caminhabilidade, que permite avaliar as ruas, sob ótica do pedestre, é um dos piores. Usando uma palavra da moda, vou ser resiliente! Nada vai me impedir de ir a pé. Peço o apoio da Associação Sergipana de Peregrinos, dos ambientalistas, dos cidadãos, das pessoas de boa fé e do povo em geral.  

E do poder público, esperar o que? Sinceramente, nada, ou quase nada...

As cidades já se disseram modernas, sustentáveis, seguras, saudáveis, etc. Na propaganda oficial, Aracaju promete virar inteligente, “muy inteligente” ...
Antonio Samarone.

sábado, 4 de agosto de 2018

SILENCIO NA CATEDRAL



Silencio na Catedral.

A bela Catedral de Nossa Senhora de Guadalupe encontra-se em reforma há uma eternidade. Poucos se lembram da última missa ali celebrada. A diocese da Estância foi criada em 30 de abril de 1960 e possui vinte paróquias. Na atualidade, o bispo é o italiano Dom Giovanni Crippa. No ritmo das obras, poucos alcançarão essa igreja funcionando.

A igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, parte do patrimônio histórico tombado pelo IPHAN, foi interditada pela Defesa Civil em 15 de setembro de 2014. Continua fechada, e pela velocidade das obras, não existe previsão de funcionamento. A razão alegada é a falta de recursos. Quem pode ajudar?

Tudo bem, Estância é uma de cidade de muitos pobres, mas os poucos ricos são muito ricos. Estância foi o centro cultural de Sergipe por muitos anos. Terra de artistas e intelectuais. Entendo as dificuldades, pois até a reforma da catedral de Aracaju precisou do dinheiro público (de fiéis e infiéis), para o andamento da obra.

Acho que os barões endinheirados da Estância, poderiam ajudar na recuperação da Catedral. O capital precisa cumprir a sua função social, prevista na Constituição. Afinal, a riqueza foi gerada pelo suor de muita gente. A Catedral é uma igreja centenária, construída no século XVIII. Em 1903, teve acrescida a torre do relógio. Foi lá o primeiro túmulo de Inácio Barbosa, o governante que transferiu a Capital para Aracaju.

Mal comparando, comenta-se que a suntuosa igreja que está sendo erguida, ao lado do viaduto do DIA, em Aracaju, será um templo da Universal. Os gastos são suficientes para reformar dez Catedrais de Nossa Senhora de Guadalupe. Outros tempos, outros templos. Pelo menos economicamente, a toda poderosa igreja romana está sendo suplantada em Sergipe.
Antonio Samarone.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

MESTRES DA MEDICINA SERGIPANA - DR. MELÍCIO MACHADO.



Mestres da medicina em Sergipe. (Dr. Melício Machado)

O Dr. Melício Resende Machado é filho de Melício de Souza Machado, o que nomeia a rodovia do Mosqueiro, e de Maria Resende (Dona Resendinha). O seu pai foi um grande empreendedor, chegou a possuir o maior coqueiral do Brasil. Melício Machado, o Pai, foi quem primeiro industrializou o leite de coco, com a marca “MEMACIA”.

Melício Resende Machado, nasceu em Aracaju, pelas mãos da parteira Amarilha, em 25 de novembro de 1939, à Rua Pacatuba. Estudou o primário com a professora Rosilda Rocha. Menino traquino, passou por vários colégios, para concluir o ginásio e o científico: foi interno em São João Del’ Rei, estudou no Atheneu, no Colégio Jackson de Figueiredo (de Benedito e Judite) e no Colégio Tobias Barreto, dirigido pelo professor Alcebíades Melo Vilas-Boas. No último ano do científico, foi estudar no famoso Colégio Paes Lemes, na Rua Augusta, em SP.

Da infância na bucólica Aracaju, Melício Machado relatou com saudade os banhos do Rio Sergipe, ali na Rua da Frente. Tem viva a memória do grande nadador Gildo Aguiar, fundador do serviço de Salva-vidas em Aracaju. Fiquei imaginando, por que ninguém se lembra que a despoluição do Rio Sergipe não é um bicho de sete cabeças?

Desde cedo, Melício Machado tomou a decisão que queria ser médico. Em 1961, entrou na primeira turma da Faculdade de Medicina de Sergipe. Foi muito amigo do Ex Prefeito Heráclito Rollemberg, e estudaram juntos para o vestibular de medicina. Heráclito foi reprovado na prova de física, por décimos. Na época, muitos acharam injusta a reprovação. A vida continuou, e Heráclito seguiu outro caminho.

Talvez por preconceito, a medicina estava começando em Sergipe, após o primeiro ano, Melício Machado consegue transferência para a Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, no Hospital Pedro Ernesto (atual UERJ). Não se adaptou na cidade maravilhosa, e conseguiu a transferência para a Faculdade Católica de Salvador, onde concluiu o curso de medicina, em 1969. Especializou-se em obstetrícia com o professor Jorge Resende, na enfermaria 33, no Rio de Janeiro. Isso mesmo, Jorge Resende o autor do famoso “Tratado de Obstetrícia” de Resende, que por muitos anos foi uma referência nacional.

Pouco antes da formatura, casou-se com o amor da sua vida, namorada desde os 15 anos, Dona Maria Helena. O seu pai faleceu 11 dias após a sua formatura, obrigando-o a retornar para Aracaju. Aqui ele encontra o centro de sua vida profissional: vai ser obstetra da Maternidade Francino Melo. Ao lado de Carlos Melo, Dalmo Machado, Albino Figueiredo e Aristóteles Augusto, formaram o melhor time da história da obstetrícia sergipana.

O Dr. Melício Machado exerceu com competência a obstetrícia, sempre voltado para o bom atendimento. Um grande humanista. Sempre discreto, viveu no anonimato, voltado para o trabalho. Não amealhou fortunas com a medicina.

O Dr. Melicio Machado é pai de 4 filhos e avô de 4 netos, vive modestamente a sua aposentadoria, com a alegria de quem tem a consciência tranquila. Inteligente, bem-humorado, fino no trato, ao ser perguntado que mensagem daria aos novos médicos, ele foi sucinto: “que ame os seus pacientes”.
Antonio Samarone.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

QUEM É O DONO DO HOSPITAL DE CIRURGIA?



Quem é o dono do Hospital de Cirurgia?

A 25 de junho de 1923, numa homenagem dos médicos ao Dr. Parreiras Horta, o Dr. Augusto Leite reclamou ao governador da inexistência em Sergipe de um hospital, onde se pudesse exercer com segurança a cirurgia.

O Governador Graccho Cardoso, impressionado com o que ouviu, prometeu construir um hospital: “Não sou homem de promessas, não prometo para faltar.” E não faltou. Em 02 de maio de 1926, foi inaugurado o maior hospital de Sergipe, com três pavilhões, 70 leitos, ambulatórios, farmácia, serviço de radiologia, duas salas de cirurgia e laboratório.

O Hospital de Cirurgia foi construído e equipado com dinheiro público. Enquanto estava sob o comando de Augusto Leite, Lauro Porto, João Garcez, José Teles de Mendonça, entre outros da velha geração, o Hospital de Cirurgia foi público, sem ser estatal, prestou grandes serviços ao povo pobre de Sergipe.

Num momento infeliz, um grupo político se apropriou do Cirurgia. A obra de caridade foi privatizada. Manteve a fachada filantrópica, para facilitar os contratos sem licitação com o SUS e ao não pagamento de certos tributos. Passou a atender interesses privados. Em 2017, ficou mais dias em greve do que em funcionamento. A crise é permanente.

Em janeiro de 2018, o Estado passou a gerir o milionário contrato do Cirurgia com o SUS. O município de Aracaju, de forma sincera, declarou-se incompetente para continuar gerindo o contrato. Claro, nada mudou. O Hospital de Cirurgia continuou em crise. Os recursos repassados caem num buraco negro, e a população continua mal atendida.

Voltando a primeira pergunta, de quem é esse hospital? De meia dúzia de pessoas, que usam o hospital em benefício próprio; ou o hospital é público, do povo de Sergipe. O que pensa Ministério Público? Perguntar o que pensa o Governo do Estado, seria perda de tempo. Não pensa nada, absolutamente nada.

O Hospital de Cirurgia, onde nasceu e se consolidou a medicina moderna de Sergipe, legado de dezenas de bons médicos, caiu em mãos inadequadas. Gente sem espírito público, que se sente donos do hospital e, a cada dia, afundam a Santa Casa de Misericórdia de Sergipe. Quem padece são os pacientes do SUS, que precisam dos serviços do hospital. É urgente a desprivatização do Cirurgia.

Antonio Samarone.