Carlos Alberto, um filho da Cultura.
(por Antonio Samarone)
Carlos Alberto Pinheiro (Bem), nasceu em 12/12/1955, em Itabaiana. É um filho da história, descendente de personalidades da música e da política local.
O pai de Carlos Alberto, Francisco Alves, era filho de Cazuza Queiroz, intendente de Itabaiana entre 1926/28, deixando como maior obra a construção do mercado municipal, no Largo Santo Antônio.
Seu Cazuza, foi assassinado a pauladas, em 20 de fevereiro de 1955. Eram filhas de Cazuza, Dona Rosinha, casada com Antônio Sacristão e a mãe de Zé Queiroz, e Dona Odete, casada com Erisvaldo Correia, irmão do Prefeito Jason Correia (1947/51).
A mãe de Carlos Alberto, Josefa Helena, era filha de Boanerges Pinheiro (1882 – 1967) e Maria da Conceição Carvalho (Dona Ceça). Boanerges de Almeida Pinheiro, musico, compositor e fogueteiro, era filho de Samuel Almeida.
O maestro Samuel Pereira de Almeida (1853 – 1892), foi quem transformou a Orquestra Sacra do Padre Francisco da Silva Lobo (1745), na “Philarmônicca Euphrosina”(1879), incorporando os instrumentos de percussão. Samuel foi um dos 25 fundadores do Gabinete Literário de Itabaiana (1875).
Na mitologia grega, Eufrosina era uma das três graças, ao lado Agláia e Tália.
O bisavô de Carlos Alberto, Samuel Almeida) é uma referência cultural em Itabaiana.
Seu Boanerges, o avô, ao lado de Esperidião Noronha e Othoniel Dórea, fundaram a UDN em Itabaiana (1950). Depois Euclides Paes Mendonça entrou e tomou conta.
Seu Boanerges é um patrimônio de Itabaiana. Era obrigatório a passagem de um grande cortejo, defronte a sua casa, para assistir a queima de fogos, no dia Santo Antônio.
A casa é a mesma, herdada por Carlos Alberto (Bem). A avenida leva o nome do seu morador mais importante. Boanerges Pinheiro foi o elo entre a política da República Velha (Itajahy x Sebrão), com a Política da redemocratização (Euclides x Manoel Teles).
Maria da Conceição Carvalho (Dona Ceça), a avó de Carlos Alberto, era filha do músico Francisco Alves de Carvalho Junior (irmão do Coronel Sebrão). O que transformou a Eufrosina na Filarmônica Nossa Senhora da Conceição (1897).
Seu Boanerges e Dona Ceça, tiveram 15 filhos: José, Lindaura, Josefa, José Sizino de Almeida (Prefeito de Itabaiana - 1963/67), Pedro, João, Mariquinha (mãe de Maria Vieira), Helena (mãe de Bem), Cristina (mãe do Tenente Noronha), Antônio, Samuel, Manoel (morreu carbonizado, no incêndio da fábrica de fogos do pai), Maria (mãe de Tereza Cristina), Leontina, Iaiá e Eusébio.
Como se percebe, Carlos Alberto Pinheiro (Bem), teve uma genealogia privilegiada, raízes da cultura itabaianense. Por isso, fiz essa volta, para chegar a nossa personalidade.
Carlos Alberto Pinheiro (Bem), passou a primeira infância em Itabaiana, até os 16 anos. Fez as primeiras letras, com a professora Marivalda, no final da Rua do Futuro. Estudou o primário nos Educandários Santa Terezinha e João XXIII, colégios de fama no Beco Novo. Iniciou o ginasial no Murilo Braga.
Mesmo sendo um menino filho da elite cultural de Itabaiana, Bem, quando menino, carregava lavagem de ganho e botava água num jegue, para complementar a renda familiar. A mãe, Dona Helena, era inspetora no Murilo Braga. O pai era sapateiro.
Traquino e trabalhador, Bem, contava na família, que estava tentando ser expulso do Murilo Braga. A mãe, precavida, informou a Maria Pereira, eterna diretora do Murilo. “meu filho está querendo ser expulso”.
Dona Maria Pereira, que não era só diretora, era a mãe dos alunos, tranquilizou Dona Helena: “não se preocupe, Bem pode derrubar o Murilo Braga, que mesmo assim eu não o expulso.”
A família se mudou para Aracaju. Bem concluiu o científico no Atheneu Sergipense. Trabalhou na Gráfica Nacional, do tio Samuel Almeida.
Bem, foi aluno da primeira turma de comunicação social – jornalismo, da UFS (1993). O primeiro jornalista formado, de Itabaiana. Carlos Alberto, com diploma universitário em mãos, retornou a Itabaiana.
Carlos Alberto, editou vários jornais em Itabaiana, todos quase esquecidos. O jornal Movimento, onde Baldochi publicou o seu primeiro texto; o Jornal de Itabaiana, de José Queiroz (1988/89); e o Jornal A Voz de Itabaiana (1982/96), de Chico de Miguel. Todos editados pelo jornalista Carlos Alberto.
Quem possui algum número dessas raridades jornalísticas? Dessa época, só restaram arquivos completos do Jornal o Serrano (1968/86), editado pela turma da Rua do Sol. Os arquivos são públicos e estão na Secretaria Municipal de Cultura.
Ressalvados os jornais itabaianenses, editados pelo historiador Almeida Bispo, Tribuna do Povo (1982) e o Serra-Shopping (1999), registra-se o Cebolão (1978), editado por Luciano Correia; o Progresso (1941), Vanguarda (1964).
A história do jornalismo em Itabaiana ainda é uma ilustre desconhecida.
Carlos Alberto Pinheiro ainda foi dirigente do futebol menor em Itabaiana. Foi presidente do Sergipe, local. Se não bastasse, foi o segundo time, fardado, que eu joguei. O primeiro foi o Santos do Beco Novo, de Roberto de Órece.
O Sergipe de Bem, revelou para o futebol de várzea: Romilto (Dito), Baldochi, Samarone, Negro Gato, Melchíades, Ratinho, Beto de Firmino do fosforo, os filhos de Dequinha (Welligton e Wilson), os filhos de Bebé dos passarinhos (Betinho, Jurinha e Beijo) e Coquinho de Ribeirópolis. Todos, craques das peladas de rua.
Destaco em Carlos Alberto, além da atuação no jornalismo local, o seu caráter: um homem de princípios inflexíveis. Herdou do avô, seu Boanerges.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.

"Dona Maria Pereira, que não era só diretora, era a mãe dos alunos, tranquilizou Dona Helena: “não se preocupe, Bem pode derrubar o Murilo Braga, que mesmo assim eu não o expulso.”"
ResponderExcluirKkkkkkkkkkkk
Por isso, Maria Pereira foi uma das mais brilhantes matronas da história itabaianense, mesmo sem nunca ter casado, e naturalmente se tornado mãe.
A mulher nasceu pra educar gente.