Os Homens são Onívoros.
(por Antonio Samarone)
Há 500 mil anos, o homem dominou do fogo e iniciou a gastronomia. A Mesopotâmia inventou a cozinha. Itabaiana aperfeiçoou.
No próximo final de semana (02/08), Itabaiana será a capital da fé e da comilança. A tradicional peregrinação de Santa Dulce dos Pobres (a maior do Nordeste) e o Festival de Gastronomia. O festival é uma iniciativa da Prefeitura, sob o comando de Lucas Moura, Secretário da Industria, Comercio e Turismo.
Gastronomia é cultura. O que se come e a forma como se come são específicos de cada sociedade. Muitas vezes, definem as raízes de cada povo. As preferencias alimentares são transmitidas de geração em geração. Gosta-se do que se comeu na infância.
Antes de ser caminhoneiro e comerciante, o Itabaianense foi curraleiro (criou gado), plantou algodão e produziu a melhor farinha do Brasil. Onde quer que seja produzida, a marca é farinha de Itabaiana.
Comer e beber são as principais formas de se festejar. Comilança é uma festa coletiva, que os deuses gregos chamavam de banquete.
Itabaiana vai realizar uma nova “Festa de Babette”, um filme dinamarquês de 1987, onde o centro do enredo é uma grande comilança. O filme ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Em Itabaiana come-se muito e bem. A obesidade média é visível. O principal prato é a carne, no café da manhã, almoço e janta. Há uma crença, que só a carne dar sustança. São as raízes dos curraleiros. Talvez Itabaiana seja a cidade onde a promessa de Lula foi cumprida. Vá no Espetinho do Patola, e como picanha à vontade, com preços populares.
Outra marca cultural da gastronomia em Itabaiana: os comensais comem fora, coletivamente, celebrando a vida. Comer junto fortalece as amizades.
A cidade possui mais de 150 restaurantes, todos cheios. As quatro grandes churrascarias na BR (Carrasco, Riacho Doce, João de Neco e Domício), oferecem 4 mil assentos, todos ocupados nos finais de semana.
Em Itabaiana não se passa fome. É fome zero! Não se nega um prato de comida. O mandamento bíblico é cumprido. “Porque tive fome, e me deste de comer; tive sede, e me deste de beber; era estrangeiro, e me acolheste.” Mateus 25:35 “Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos.” Lucas 14:13
Em minha infância, próximo ao meio-dia, os insanos lotavam a porta de Tonho de Rosária, um rico empresário da cidade. Todos comiam. Durval do Açucar distribuía “bolsa família”. Não cito os vivos, para não tirar a força da caridade.
O Chiara parece a noite paulista. Dezenas de restaurante finos, bom atendimento e boa comida. Me lembrei do Tempero do Sertão. A partir das sextas, é comum se ficar esperando vagas.
Até os Self Services são sofisticados. O restaurante “A filha de Maria Minha”, tem uma decoração com fotos antigas da cidade.
As barracas e quiosques mais simples, compensam no tempero e no preço. Existem opções para todo mundo.
O supermercado Nunes Peixoto, na Praça de Santa Cruz, possui um restaurante popular. A fila começas as 6 da manhã, na porta, antes de abrir, e só encerra as 21 horas, quando fecha. Muita gente deixou de fazer feira. É mais barato comer fora.
A iniciativa da Prefeitura em organizar um festival gastronômico atende a uma demanda. Tenho amigos em Aracaju, que aos domingos, o principal programa é ir comer em Itabaiana. Voltam de pança cheia e satisfeitos.
É o Turismo da Gulodice. A classe média do Agreste lota os restaurantes. O Festival Itabaianense de Gastronomia é uma novidade bem-vinda.
Antonio Samarone (Secretário de Cultura de Itabaiana)

Nenhum comentário:
Postar um comentário