terça-feira, 21 de julho de 2026

A FALTA D'ÁGUA EM SERGIPE


 
A Falta d’Água em Sergipe.
(por Antonio Samarone)
 
A realidade sobre o abastecimento de água em Sergipe é preocupante. 
 
O pesquisador Renato Conde Garcia, ex-presidente da DESO, é taxativo: “Uma grave crise no abastecimento público de água em Sergipe se anuncia. Os mananciais hídricos conhecidos e explorados pela DESO, todos, com exceção do Rio São Francisco, estão com a capacidade esgotada.”
 
Em Sergipe, as 4 adutoras (Semiárido, alto Sertão, Sertaneja e São Francisco), já exploram o Rio São Francisco. Não são suficientes. A crise hídrica de Sergipe não se resolve a curto prazo, requer investimentos estruturantes.
 
A adutora do São Francisco, responsável por 70% da água consumida na região metropolitana Aracaju (cerca de 1 milhão de habitantes), foi construída no Governo Augusto Franco (1978 – 1982).
De lá para cá, só obras insuficientes. Ressalte-se, que essa adutora já carece de manutenção, são quase meio século em operação.
 
Como se sabe, o governo repassou para a Iguá a distribuição da água, a parte lucrativa. Ficou com a captação, que exige investimentos. A lambança da Iguá é por falta de expertise.
 
A solução conhecida a 50 anos é a construção do Canal de Xingó. Sergipe precisa dessa grande obra.
A transposição do São Francisco deixou de fora Sergipe e Alagoas. Como compensação, o Governo Federal prometeu construir dois canais: o Canal do Sertão nas Alagoas e o de Xingó, em Sergipe. O de lá está quase pronto. Em Sergipe, ninguém toca mais no assunto.
 
Inicialmente, o Canal de Xingó captaria água no reservatório de Paulo Afonso IV, passaria em dois estados. A Bahia desistiu, vai construir um Canal próprio. Hoje, a alternativa para Sergipe é realizar a captação na barragem de Xingó. 
 
Os engenheiros da DESO/Codevasf, já realizaram estudos alternativos, para a captação em Canindé do São Francisco, bombeando-se para um platô nas proximidades (Serra do Boi) e, por gravidade, se distribuirá por todo semiárido. 
 
O Canal de Xingó chega a Nossa Senhora da Glória, onde se construiria uma estação de tratamento. As carência hídricas do estado seriam equacionadas. Falta visão politica dos governantes. De Glória, a água chegará, por gravidade, as demais sedes municipais e aos seus povoados. 
 
Atualmente, para se abastecer Sergipe, são necessários 10 m³/s de água. As duas tomadas de água já existentes na barragem de Xingó, captariam 20 m³/s, o dobro do consumo atual. O Canal de Xingó é uma obra para o futuro de Sergipe. O investimento previsto para o Canal de Xingó é de 2,2 bilhões. 
 
A vazão do Canal do Sertão Alagoana é de 33 m³/s. 
 
O Governo de Sergipe resolveu empurrar a crise hídrica com a barriga. Anunciou, com recursos do PAC, a “Adutora do Leite”, com uma vazão de 600 litros/por segundo, para atender a bacia leiteira do estado. Um projeto social do Frei Enoque. Inicialmente, não se prevê água para o consumo humano. A vazão da adutora do leite representa apenas 3% da capacidade de captação do Canal de Xingó.
 
A anunciada Adutora do Leite, se sair do papel, atende a bacia leiteira. A crise hídrica em Sergipe ameaça o nosso futuro. Requer obras estruturantes. 
 
A falta de visão a longo prazo e falta de planejamento hídrico são absolutas. O erro do atual governo não limitou-se a privatização da distribuição da água. A Iguá é a ponta do iceberg. A cegueira é profunda. A captação foi esquecida. Os pesquisadores preveem que até 2050, o consumo de água em Sergipe necessitará de um adicional de 8.3 m³/s. 
 
Essa questão não se resolve com obras eleitorais. Precisamos de um estadista.
 
Sinto Valmir com disposição para enfrentar o problema. A água é uma prioridade do seu futuro Governo. Já anunciou publicamente, que reverterá o erro da concessão da Iguá. 
 
Quanto ao Canal de Xingó, o governo Lula, deve a Sergipe uma grande obra.
 
Antonio Samarone – médico sanitarista.

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