quarta-feira, 29 de julho de 2026

A ERMIDA DE SANTA DULCE, AO PÉ DA SERRA.

 A Ermida de Santa Dulce, ao Pé da Serra. (por Antonio Samarone)

As trilhas religiosas se espalharam em Sergipe. A devoção por Santa Dulce, em Itabaiana, escolheu um local sagrado para construir a Capela. Simples, bela, afastada da urbe, ao lado de um santuário natural, o Parque do Falcões.

O Parque é um espaço de conservação das aves de rapina, único na América Latina, inspiração de José Percílio Mendoça Costa, um homem dedicado a vida e a natureza. Um Eremita! Santa Dulce entendeu que a capela deveria ser uma Ermida. E assim foi feito. O local já era sagrado.

Venha conferir no domingo. A trilha é de 13 km, do local do primeiro milagre, ao pé da grande Serra, onde está a Ermida. A primeira graça, todos conseguem, o cansaço desaparece. No caminho, ocorre uma grande confraternização. Um espetáculo de fraternidade.

Para não assustar as pessoas de pouca fé, existe uma trilha menor, com 3 km, saindo do Rio das Pedras. Como uma atração, passa na capela de São Francisco e na chácara de Grampão, um eremita laico.

Estudos recentes, provam que as orações nessa Ermida de Santa Dulce, ao pé dessa Serra, elevam a imunidade, aliviam depressões e ansiedades, consolam os aflitos e amenizam os sofrimentos.

Quem é ateu e viu milagres como Eu...

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, chegou em Sergipe, em 08 de fevereiro de 1933, aos 18 anos. Aqui ela recebeu o hábito, em 13 de agosto, e entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Em homenagem a sua mãe, recebeu o nome de irmã Dulce.

Não é demais inferir que Maria Rita é baiana e a Irmã Dulce sergipana. Irmã Dulce permaneceu em Sergipe, por um ano e cinco meses.

O seu primeiro milagre foi em Itabaiana, na Maternidade São José. Em janeiro de 2001, Claudia Cristiane dos Santos, deu a luz ao seu segundo filho. Claudia sofreu uma intensa hemorragia pós parto. Desenganada pelos médicos, apelou para a Irmã Dulce. O milagre aconteceu.

Em 2010, o Papa Bento XVI assinou o decreto reconhecendo o milagre. Em 2011, a Irmã Dulce foi beatificada. Em 2019, o Papa Francisco canonizou a Irmã Dulce. Nesse ano, ocorreu a primeira peregrinação em Itabaiana, saindo da maternidade, onde aconteceu o milagre, até o pé da serra, onde foi construída uma ermida. Na chegada foi celebrada uma missa campal. São 13 Km.

Em 2020 e 2021, a peregrinação foi interrompida, por conta da pandemia de Covid. A partir de 2023, ela vem ocorrendo regularmente, no primeiro domingo de agosto. Itabaiana se transformou na Cidade dos Milagres de Santa Dulce dos Pobres.

A tradição católica de Itabaiana (vide IBGE), o arquétipo dos milagres de Santo Antonio (o padroeiro) e a religiosidade atávica dos itabaianenses, tornou a adoração a nova Santa uma explosão de fé. Em pouco tempo, foram criadas instituições religiosas voltadas para a caridade e orações.

As mais relevantes: a Casa de Santa Dulce dos Pobres, voltada para assistencial social; a Paroquia Santa Clara e Santa Dulce dos Pobres; a Ermida de Santa Dulce, ao pé da Serra, ao lado do Parque dos Falcões; Casa de Acolhimento Santa Dulce. Atualmente, com 97 acolhidos.

Para a maioria dos itabaianenses, cada graça alcançada é um milagre. É regra atribuir aos milagres a solução de casos tidos com insolúveis. Mesmo em pequenas ocorrências. Por exemplo: uma criança atravessa descuidada uma rua, no momento, passa um veículo em velocidade. Não acontece nada com a criança. Qual o comentário geral dos circunstantes: não morreu por milagre.

O milagre é a causa de proteção de todos as ocorrências relevantes: uma desgraça, um risco de acidente, a cura de uma doença, um desejo alcançado. É considerado milagre, tudo o que poderia ter acontecido e não ocorre, por razões desconhecidas. Não há dúvidas, houve a intercessão de uma força superior.

Esses devotos de Santa Dulce, em Itabaiana, sonham com a construção de uma Santuário. Deus sabe o tempo certo.

Santa Dulce tem outra ligação com Itabaiana. Segundo o pesquisador Robério Santos, a Irmã Dulce possuía uma sanfona e, em uma visita ao presidio Engenho da Conceição, na Bahia, ela encontrou o cangaceiro Volta Seca (Itabaianense) e cantaram juntos “mulher rendeira”. Nasceu uma amizade.

No próximo Domingo, 02 de agosto, teremos uma nova peregrinação de Santa Dulce em Itabaiana. Os que sobraram da famosa Expedição Serigy, sairão dos sofás, divãs, esteiras e almofadas, e marcharão com cajado, cantil, botas e coragem, sob o comando do eterno ambientalista Antonio Leite. Isso mesmo, o famoso dono e fundador do bloco caranguejo elétrico, nascido e criado tomando água da Mata do Junco.

Itabaiana respira Santa Dulce. Tudo pronto para a peregrinação.

Santa Dulce dos Pobres faleceu em Salvador, à 13 de março de 1992, aos 78 anos.

Antonio Samarone – Eremita urbano.

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