A Pimenta e o Sal.
(por Antonio Samarone)
“Ó mar, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal!” – Fernando Pessoa.
Em busca de especiarias, ouro e prata, os portugueses passaram além do Bojador e cruzaram o tenebroso mar. Em busca de louro, coentro, noz-moscada, açafrão, alho-poró, cominho, alho e cebola, urucum, cravo, canela e gengibre. Parece pouco...
O poeta perguntou: valeu a pena? Vocês conhecem a resposta. De positivo: eles, procurando o caminho das Índias, descobriram o Brasil.
A chegada dos portugueses, foi cantada por Antonio Nóbrega: “Mas de repente/ Me acordei com a surpresa/ Uma esquadra portuguesa/ Veio na praia atracar. Me levantei/ de borduna já na mão/ Aí senti no coração/ O Brasil vai começar.”
Especiarias eram produtos exóticos, com fins medicinais. Não apenas temperos. Segundo o “Le Thresor de Santé” (1607): “A pimenta-do-reino mantém a saúde, conforma o estômago, dissipa os gases, faz urinar, cura os calafrios, picadas de cobras e provoca aborto de fetos mortos. O cravo da Índia serve para os olhos, fígado, coração, diarreia e dor de dente.”
Encontrei todas as especiarias (pimenta-do-reino, cravo, canela e noz-moscada) na feira de Itabaiana. (veja a foto). Se os portugueses soubessem, não precisariam ter dobrado o Cabo das Tormentas. A Índia era em Itabaiana!
“Todo trabalho do homem é para a sua boca” – Eclesiastes, VI, 7.
Quem come, amansa!
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.

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