A Cultura em Sergipe del' Rey.
(por Antonio Samarone)
A cultura sergipana é expressiva, rica, diversa e criativa. Por que não ganha protagonismo nacional? Com exceções: Mestrinho, Natanzinho... Quem mais? Eu sei, a gestão estadual é inoperante, comandada por uma elite acomodada e interesseira. Os mesmos, mandam em quase tudo. Entra e sai governo e eles permanecem.
O Governo Valadares (1987 – 1991),criou a Secretaria da Cultura e nomeou o sergipano Joel Silveira, um jornalista e intelectual nacionalmente reconhecido. Existia a Fundesc, criada em 1984, por João Alves.
Outros nomes de peso passaram pela Cultura: Aglaé Fontes, José Carlos Teixeira, Luiz Antonio Barreto, João Gama, Luiz Alberto. Hoje, vivemos um período de vacas magras.
Conta-se que, na passagem de Joel Silveira por Sergipe, diante da escassez, seu melhor amigo foi o arcebispo conservador Luciano Duarte. Como viabilizar esse convívio entre duas pessoas cultas, com pensamentos divergentes? Fizeram um pacto: nas conversas, não se falava nem de sexo, nem de política.
A competente jornalista Clara Angélica Porto, foi a secretária adjunta de Joel Silveira. Valadares apostou alto na Cultura.
Não se pode esconder a importância de João Alves para a cultura em Sergipe.
João criou o Centro de Criatividade (projeto de Jaime Lerner), o Teatro Tobias Barreto e a Orquestra Sinfônica. Déda criou o Museu da Gente Sergipana e o Palácio Museu. O Conservatório de Música é de 1945 e o Teatro Atheneu, de 1954.
No mais, resta pouco. Não me lembro de nada relevante do atual governo. Implantou a terça do arrocha? Só festas e mais festas, com artistas renomados. É muito pouco. Eu sei que a burocracia chapa branca vai enfatizar algumas ações relevantes. Mas foi quase nada.
O mais conhecido dessa elite intelectual, que comanda a cultura há meio século, me justificou sucintamente o motivo das grandes festas: “o gosto popular”! Não adianta trazer o Ballet Bolshoi, se o povo quer “arrocha”.
Fiquei pensando, será?
O governador João Alves implantou na Orla de Atalaia, um memorial ao ar livre, uma roda de convivência, com estátuas em bronze, dos 10 maiores intelectuais sergipanos.
João criou outro memorial na Orla: os formadores da humanidade, com dez nomes da história nacional. Um adendo: entre esses nomes nacionais, Marcelo Déda incluiu, com justiça, Zumbi dos Palmares. Desse memorial sobraram nove, a estátua do Barão do Rio Branco encontra-se desaparecida.
Como se não bastasse, João Alves ainda construiu um grande monumento (15 metros), em aço escovado, a Inácio Barbosa. A obra é do artista plástico Léo Santana.
Está tudo lá, mal conservados, esquecidos, mas permanecem altaneiros. A obra é de bronze, feita para durar. Com todo esse investimento cultural, qual é o monumento mais visitado na Orla de Atalaia?
Um caranguejo gigante, feito de resinas sintéticas. São filas e mais filas de turistas. Todos querem uma foto ao lado do caranguejo-uçá. Nos pacotes turísticos, não falta a grande atração: visita, com direito a fotos, ao “Ucides cordatus”.
Ia esquecendo, a transformação da antiga alfândega em Centro Cultural de Aracaju, belo projeto da arquiteta Ana Libório, também foi iniciativa de João Alves. Hoje, comporta o Palácio Museu Luiz Antonio Barreto.
Uma boa notícia: soube que a prefeita Emília Correia decidiu transformar o Palácio Inácio Barbosa, abandonado há décadas, no Memorial da Cidade. Nesse longo descaso, o Palácio chegou a ser oferecido a um empresário do ensino.
A cultura em Sergipe está na UTI, necessitando de sangue de caranguejo e um transplante.
Antonio Samarone – Academia Sergipana de Medicina.
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