sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

O POETA E DRAMATURGO HUNALD


 O poeta e dramaturgo Hunald...
(por Antonio Samarone)

Um colega médico, parteiro aposentado, me fez uma pergunta de sopetão: hoje, a sua alma vibra mais em Itabaiana ou em Aracaju?

Fiquei dúvidas. São coisas diferentes. Itabaiana me pariu e amamentou, vivi a minha mocidade; Aracaju, me acolheu e formatou, me deu cidadania.

Existe uma diferença de gênero. Itabaiana é feminina, vem da Serra, dize-se a Itabaiana; Aracaju é masculina, vem do Riacho, na Colina do Santo Antonio, dize-se o Aracaju. É o que está nas certidões de nascimentos.

Eu cheguei no Aracaju em 1974, para estudar. Fui me enturmando. Representei o povo, no Parlamento municipal. O que me honrou.

Para relembrar a década de 1970, em Aracaju, eu desencavetei a “Morte no Estúario”, do poeta Hunald. Um livro profundo sobre o cotidiano dos anos de chumbo, no Aracaju.

Os dedos duros, os lambe botas, a célula comunista do Cacique=Chá, as pescarias de Mazze Lucas e as poesias de hunald.

Tudo meio “luscus/fuscus”, onde todos os gatos eram pardos.

Hunald é um poeta de versos avermelhados. Esse livro tem um estilo antigo, anterior a linguegem do WhatsApp. Os parágrafos são longos, a narrativa não tem verdades antecipadas, o diálogo flui sem querer chegar a lugar nenhum. Aparentemente.

Hunald ensaiou com o Mestre Euclídes uma peça de Guerra: “A minha rainha é republicana/ oi sergipana que te deu rima fui eu/ quem vai mais eu assubir a serra/ O Treme-Terra sou eu.”. Zé Culote, um samango do Mosqueiro, alertou ao poeta sobre os riscos de prisão.

O poeta caiu na obscura clandestinidade. Por uns dias...

O livro do poeta Hunald, Morte no Estuário, é claro sobre os medos, sonhos, dúvidas do dia a dia, de uma cidade cheirando a Província. Hunald era exemplo, para a juventude subversiva, recém chegada da Aldeia, deslumbrada com a Capital.

O texto do Poeta é saboroso:

“A tarde não sabia que caminhava. O piano não sabia que tocava. O vento não sabia quer soprava. E o rio, o rio não sabia que nadava. Dêem esta ausente consciencia às coisas e estarão mortas. Somente o homem sabe ser portador do seu silencio. E aí é que germina a sua pergunta: por que caminho?”

Nunca soube como me aproximar. Não conheço a sua obra, em profundidade. Mas lembrava-me da Morte no Estuário. Uma mapa psicologico da década de 1970. Com as partidas de Hunald, Araripe e Santos Souza a poesia em Sergipe encolheu. Como poeta assumido, de carteirinha, sobrou Jozailto. E outros que eu não conheço.

Sobre a década de 1970, em Aracaju: todos podiam ser comunistas.

Lembro-me que denunciaram até um desembargador papa hóstias, responsabilizado-o de comandar os programas de educação de base, da Rádio Cultura. Eram as ideias de Paulo Freire.

Findei a leitura na mesma dúvida que iniciei. Onde a minha alma vibra mais? O importante é que continua vibrando!

Saudades do poeta Hunald.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

ESTAMOS COM OS PÉS SOBRE AS MINAS. (Pensar Itabaiana (8)


 Estamos com os pés sobre as Minas...
(por Antonio Samarone)

O mapa das Minas de Prata da Serra de Itabaiana, de Melchior Dias Caramuru, foi encontrado numa catacumba da Igreja Velha. Um pescador local, por conta própria, começou a cavar nas redondezas, buscando minhocas, e econtrou um baú recheado de novidades.

No Baú tinha os documentos já publicados por Vladimir Carvalho e uma cópia surrada do mapa das minas de prata da Serra de Itabaiana, de Melchior Caramuru.

Em cartas manunscritas, do governador de Pernambuco Dom Luiz de Souza, está assinalado:

"Partirão da Bahia os dous governadores com Melchior Dias, que os levou direito á serra de Itabayana". Itabaiana! Era pois aí a serra encantada? Sim, era, aí, em Itabaiana, a famosa serra da prata! "

"Chegando a Itabayana disse Melchior Dias aos governadores que Suas Senhorias estavam com os pés sobre as minas. “Estavam com os pés sobre as minas!”

"Faltava agora, e tão-somente, que o Caramuru indicasse a lombada onde deveriam roncar os alviões. Um gesto do sertanista, um simples gesto - e eis afinal desvendadas as jazidas de prata.”

Só que o Caramuro morreu sem entregar o mapa das minas, queria receber primeiro as honrarias.

De nada adiantou esconder o mapa, agora ele foi achado pelo pescador tucudo.

O Mapa está em péssimas condições. Escrito em latim vulgar e com os traços geográficos apagados. Resolvemos entregá-lo a um célebre historiador da Mangabeira, o que de melhor temos por aqui.

A Serra de Itabaiana mudou pouco geográficamente, nos últimos 500 anos. Entretanto, um Decreto do Presidente Lula, de 15 de junho de 2005, transformou a Serra no Parque Nacional Serra de Itabaiana.

O Parque Nacional Serra de Itabaiana tem o objetivo básico de preservar os ecossistemas naturais existentes, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e de turismo ecológico.

Entenderam, pelo decreto, o Parque Nacional Serra de Itabaiana visa promomover o Turismo ecológico.

Ainda não fizeram as desapropriações, e eu nem sei se precisa. Uma vasta reserva de mata atlántica já foi restaurada espontanemente.

O decreto, em seu artigo 5º, determina: Fica estabelecido prazo de cinco anos, a partir da data de publicação, para elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional Serra de Itabaiana.

Eu não sei dizer se esse plano de manejo já existe. Se não, vamos fazê-lo. O importante é que o decreto pensou no turismo ambiental. Não creio que o Governo Federal seja obstáculo, pelo contrário, será um parceiro importante.

A decifração do mapa da mina de Belchior Caramuru tem sido surpreendente. O mapa aponta profeticamente um futuro turístico para a Serra. Essa é a verdadeira Mina.

Nas entrelinhas do mapa, o historiador patricio descobriu o Parque dos Falcões e um Pulmão, que pode ser um futuro Jardim Botânico. Uma curiosidade: o mapa refere-se a um mosntro de ferro, supostamente um moderno teleférico.

O que mais assusta é a atualidade do mapa de Belchior Caramuru. Existem sinais claros de religiosidade espalhados pelo mapa. Por coincidência, os Missionários e Protetores de Santa Dulce, vão construir no pé da Serra, um imenso complexo religioso, em devoção a Santa dos Pobres.

Já existe uma Ermida da Santa, no pé da Serra.

Existem no mapa indícios da presença de um carneiro de ouro derretido, que virou lenda. Como o povo tem a memória curta, segundo políticos, esta lenda está quase esquecida. Entre o fato e a lenda, publique-se a lenda.

Eu vou aguardar que o insigne historiador da Mangabeira conclua, para eu não botar o carro na frente dos bois.

Creio que o mapa da minas de Belchior Dias Morreia (neto de Caramuru), pode apontar coisas boas para o futuro de Itabaiana.

Eis a Serra encantada, pronta para o turismo religioso ambiental.

Antonio Samarone – Secretário da Cultura de Itabaiana.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

QUEM FOI MURILO BRAGA?

Quem foi Murilo Braga?
(por Antonio Samarone)

O meu amigo Wagner Bravo, pertence a uma pequena legião dos que pensam com originalidade. Apesar do nome, é um manso, daqueles previstos nos evangelhos, que dominarão a Terra.

Wagner, professa uma ironia inteligente.

Wagner disse-me por telefone: “Eu gosto tanto de alguns textos seu, que fico em dúvida se é você mesmo quem escreve.” Eita! Foi uma crítica ou um elogio? Eu adorei.

Wagner, por curiosidade, me fez uma pergunta: quem foi esse Murilo Braga? Talvez seja o nome pessoal de um Colégio, mais conhecido em Sergipe. O Colégio formou várias gerações. Quem foi o famaso Murilo Braga. (foto)

Itabaiana tem a mania, não sei porquê, de nomear os seus logradouros com nomes nacionais pomposos. Nomes que nunca ouviram falar em Itabaiana, nem fizeram nada pela cidade.

As ruas mais antigas de Itabaiana, que já foram: rua das Flores, do Sol, do Cisco, da Vitória, do Canto Escuro, do Cacete Armado, o Beco dos Lírios, entre outros nomes poéticos, passaram a receber os nomes do Barão do Rio Branco, Marechal Deodoro, Floriano Peixoto, Quintino Bocaiauva.

Seja lá quem tenha sido, pega bem dizer: Eu moro na Avenida Quintino Bocaiuva. Valoriza até os imóveis.

Nomeamos uma praça central em Itabaiana, de João Pessoa, um personagem histórico secundário, até na Paraíba. E se não bastasse, chamamos o nosso campo de futebol de Garrastazu Médice. Felizmente trocamos, hoje é Etelvino Mendonça.

Etelvino Mendonça foi quem levou a primeira bola para Itabaiana, goleiro do primeiro time da cidade e, como Intendente, mandou murar o campo de futebol, no Tabuleiro dos Caboclos.

E por que o Colegio de Itabaiana se chamou Murilo Braga?

Murilo Braga de Carvalho nasceu em Luzilândia, no Piauí, em 08 de dezembro de 1912. Foi Diretor-Geral do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), órgão do Ministério da Cultura, de 13 de fevereiro de 1946 a 28 de abril de 1952. Um burocrata de carreira, a quem coube, espalhar escolas rurais pelo País.

A Escola Normal Rural Murilo Braga, em Itabaiana, fundada em 29 de novembro de 1949, foi uma dessas escolas Rurais. A chegada do curso ginasial, iniciou o desenvolvimento de Itabaiana.

Murilo Braga faleceu tragicamente em 1952, em acidente áereo. O avião “President” da Pan Am, caiu na Selva e corpo do educador passou 20 dias para ser resgatado, gerando uma comoção nacional.

Murilo Braga foi mais famoso pela morte que pela vida.

Entretando, não lembrei de nenhum nome de educador sergipano, injustiçado, por não ter sido escolhido para nomear a Escola Rural e Normal de Itabaiana.

A decisão de levar o Ginásio para Itabaiana, foi do Governador José Rollemberg Leite, em seu primeiro Governo (1947 – 1951).

Itabaiana deve esse reconhecimento.

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

PENSAR ITABAIANA (7)


 Pensar Itabaiana (7).
Por Antonio Samarone

O caminho para o desenvolvimento em Itabaiana, no inicio do Século XXI, passou por mudanças políticas em Itabaiana. Como veremos mais abaixo.

Em setembro de 2001, o jovem empreendedor Jamyson Machado, inaugurou o Portal Itnet. Criado inicialmente como um portal de notícias e provedor de internet, foi um grande passo tecnólogico para a Itabaiana, transformado-se depois em um moderno sistema de comunicação.

Itabaiana criou uma Bienal do Livro e fundou a sua Academia de Letras. São consequências da chegada do Ginásio Murilo Braga, em 1950. A Bienal está em sua sétima edição e acontecerá no próximo nesse final de semana.

Em abril de 2013, a Incorporadora Ethos, do arquiteto Edson Passos, inaugurou o Residencial Chiara Lubich, uma revolução na política urbana e habitacional em Itabaiana.

Somente em 2013, a politica em Itabaiana iniciou uma mudança estrutural. Valmir dos Santos Costa, Valmir de Francisquinho, chegou à Prefeitura de Itabaiana.

Foi o fim da velha política, centrada no mando e no clientelismo. Pela primeira vez, o poder político voltou-se para o desenvolvimento, em parceria com os interesses da sociedade civil e da economia local.

Em 2014, foi sancionada a lei 13.044, que dá a cidade de Itabaiana o título de Capital Nacional do Caminhão. A Feira anual do caminoneiro, se tornou um evento empresarial importante.

Em junho de 2017, começou a Funcionar o Shopping Peixoto, empreendeminto de Messias, por sua conta e risco. Não foram as grandes redes nacionais, como em Aracaju.

Em 2018, o Assaí, rede nacional de atacadistas, começou a funcionar em Itabaiana. Não pensem que está sozinho, quatro empresas atacadistas locais fazem a concorrência, em pé de igualdade.

A gestão voltou-se para as questões urbanas, o embelezamento da cidade, o apoio ao nascente mercado imobiloiário. A cidade expandiu-se em direção a modernidade.

A nova Itabaiana, nasceu dessa junção do poder politico com o empreendedorismo imobiliário criativo.

Um fato histórico: a participação do poder público estadual no desenvolvimento de Itabaiana tem sido reduzida, com exceção, para as duas primeiras gestões de João Alves Filho.

Mesmo quando a intenção é boa, as iniciativas não funcionam. Por exemplo: não precisava de grandes estudos para descobrir que Itabaiana precisa de um CEASA. Poi é, o Estado contruiu um, más até hoje não funciana. O CEASA de Itabaiana virou um palco de festas.

Na atualidade, desconheço qualquer iniciativa estadual em Itabaiana. desculpe-me, ia esquecendo: soube que estão trocando o gramado do Eltevino Mendonça, com o risco de não ficar pronto em 2024. Parece, que o Itabaiana pode disputar a Copa do Nordeste no Batistão, para contrariedade da sua apaixonada torcida.

Os resultados do crescimento de Itabaiana estão expressos no Censo de 2023.

Em setembro de 2023, Itabaiana possuia uma frota de 71.928 veículos. Para faciltar a comparação, Lagarto possuia no mesmo período, 57.131 veiculos registrados e Estância 30.339 veiculos.

Em Itabaiana, 70% da população é motorizada; na Capital, Aracaju, esse mesmo indice é apenas 56%. Claro, isso é uma média, pois tem gente que possui mais de veiculo.

Claro, esse é um indicador importante de prosperidade.

Em setembro de 2023, em Itabaiana, a frota era de 3.594 caminhões.

Uma curiosidade: os recenceadores do IBGE encontraram 11 pessoas com mais de cem anos, em Itabaiana, dois homens e nove mulheres. Quem são?

Um crescimento populacional surpreendente. Itabaiana tornou-se a maior cidade do Interior e um polo metropolitano de desenvolvimento.

Voltando a política.

A vitória de Valmir de Francisquinho nas eleições de 2022 (anulada no Tapetão), foi a vitória desse projeto de desenvolvimento em Itabaiana, testado e aprovado.

O discurso eleitoral de Valmir foi centrado em suas duas gestões na Prefeitura de Itabaiana. “Eu fiz em Itabaiana e vou fazer no Estado”, dizia Valmir. A população do Estado reconhecia a força de Itabaiana e acreditou em Valmir. Não eram promessas vazias.

Não foi um discurso abstrato, ideológico. Foi uma esperança prática. A prova, é que Valmir foi votado na mesma proporção nos divergentes eleitorados de Lula e de Bolsonaro.

Os desavisados se perderam nas análises. O fenomeno eleitoral de Valmir de Francisquinho, era visto como inexplicável.

Os conhecedores da política sergipana, diziam embasbacados: Como, um projeto político gestado no interior, será vitorioso?

Sozinho, contra toda a política dominante, contra o status quo, sem o apoio da grande imprensa, dos demais poderes e nem do poder econômico.

Daremos um jeito! E o jeito foi dado.

O resultado do Censo de 2023, como vimos acima, atestou que o modelo de desenvolvimento de Itabaiana tinha dado certo.

Entretanto, esse modelo tem limites. A economia local não prospera isolada. O crescimento do comércio de Itabaiana precisa de novos aportes de investimento, de dinheiro novo e do crescimento do mercador consumidor.

Itabaiana precisa planejar novos caminhos de desenvolvimento sustentável, para continuar crescendo.

Quais são esses caminhos? São essas respostas que precisamos encontrar. O atual grupo político em Itabaiana, liderado por Valmir de Francisquinho, entende a importancia dessa questão. O Prefeito Adailton Souza, está antenado com o futuro de Itabaiana.

Itabaiana vibra e prospera. A cidade é punjante. Só que não podemos nos embriagar com as aparências. Ìtabaiana precisa construi novos caminhos, novas alternativas de desenvolvimento.

Para onde vamos? Que Itabaiana queremos construir?

Antonio Samarone – Secretário Municipal de Cultura.

PENSAR ITABAIANA (6)


 Pensar Itabaiaana (6).
Por Antonio Samarone.

No final do século XX (1980 – 2000), Itabaiana manteve o ritmo de transformação de uma sociedade mercantil pujante. A população urbana passou de 5.746 habitantes em 1950, para 55.472 no ano 2.000, ou seja, um crescimento de 10 vezes.

Em 1989, ocorreu uma mudança política. Luciano Bispo de Lima chegou a Prefeitura, pondo fim a uma hegemonia de 22 anos, da antiga UDN, sob o comando de Francisco Teles de Mendonça (Chico de Miguel).

Trocou-se seis por meia dúzia. A política continuou cuidando da política, de costa para a Sociedade. A economia continuou a crescer por conta própria, com reduzida contribuição dos líderes políticos. Nesse período, em Itabaiana, economia e a política seguiam lógicas e objetivos distintos.

Itabaiana passava por dificuldades na área de segurança. A fama de cidade violenta continuava.

O sucesso comercial de Itabaiana era visto com desconfiança pelo resto do Estado. Atribuia-se as ilegalidades com o fisco e até ao envolvimento com outras irregularidades. O certo é que Itabaiana continuava crescendo, mesmo sem o apoio dos líderes políticos da época.

Nem a chegada do PT, em 1981, mudou alguma coisa na política local. A célula do PT em Itabaiana, recebeu o batismo de Lula, que fez um discurso no cinema Popular (o fundado por Zeca Mesquita.

Ninguém imaginava na época, que aquele metalúrgico barbudo se transformaria no atual estadista.

Mesmo morando em Minas Gerais, nas férias, eu frequentei a casa do ilustre e culto professor José Costa, quartel general da nossa romântica subversão. Vibrei, com a adeão de Scala, um trabalhador da limpeza pública. Finalmente, deixavamos de ser, em Itabaiana, apenas um Partido de estudantes.

O conceituado historiador itabaianense José de Almeida Bispo, foi o primeiro Presidente do Diretório Municipal do PT, em Itabaiana.

Em agosto de 1987, Itabaiana ganhou a Radio Capital do Agreste.

Em Março de 1987, entraram em operação os projetos de irrigação Jacarecica I e o da Ribeira, intensificando a produção de hortliças e melhorando a qualidade de vida da Zona Rural, em Itabaiana.

Novos empresários se destacavam em Itabaiana: Josias e Messias Peixoto, Conceição da Lindolar, Zé Carlos de Zé de Dona, Beleléu, Edson Passos, Luis Bispo, Edivaldo, Cunha, Fábio Moura, Ricardo Passos, Nailze Bispo, Irami Almeida, Fefi e Milton. Devo ter esquecido de muita gente.

Em fevereiro de 1992, o empresário José Carlos Machado, fundou a Rádio FM Itabaiana, um impulso poderoso ao desenvolvimento de Itabaiana.

Nesse período, as minha lembranças pessoais são escassas. Fui estudar fora. Vaguei por este País em busca do conhecimento.

Voltei, depois de 49 anos, para ajudar a Cultura de Itabaiana.

Em 1997, Itabaiana vira referência de boa comida: a Churrascaria de Pirata começa funcionar.

Voltaremos, com o incio do Século XXI, no próximo texto da série Pensar Itabaiana.

Antonio Samarone – Secretário da Cultura de Itabaiana.

domingo, 10 de dezembro de 2023

NATAL, QUE NATAL?


 Natal, que Natal?
(por Antonio Samarone)

Fui à abertura do Natal em Itabaiana. A Praça da Igreja estava lotada, em torno da árvore de Natal e da iluminação de Led. Muitas luzinhas. Ficou bonito.

O povo gosta de folia. Muitos velhos e algumas crianças. Não vi os jovens. Por onde andam? Será se eles sabem que é Natal. Existem festas na vida virtual da Internet? Não sei.

Na Praça, estava o povo em carne e osso, para ouvir os dobrados da centenária Filarmônica.

Uma surpresa: encontrei Zé de Dalina.

Em Itabaiana tínhamos uma meia dúzia de doidos de estimação, Zé era um deles. Gente, Zé de Dalina está vivo, talvez seja o último. As doenças mentais já são outras, não existem mais os doidinhos.

Só Zé Dalina sobreviveu. Estropiado, cadeirante, faltando um perna, esquecido! Zé de Dalina, não lembra mais nem da idade. Deve beirar aos cem anos.

A beleza é que Zé de Dalina abriu um sorriso, quando a velha banda de música começou a tocar. Em Itabaiana o povo tem orgulho da sua Filarmônica. Vibra e aplaude os acordes do maestro Valtênio.

A boa música é popular em Itabaiana. Eu vi o povo aplaudindo-a.

Fiz uma viagem aos Natais do passado, da Praça de Santa Cruz. Não me lembro de quando as feirinhas de Natal, passaram para a atual Praça de Eventos. Acho que nem existem mais.

O Natal era um tempo de roupas novas!

Os meninos guardavam dinheiro durante o ano, em cofres de barro, para esperdiçar nos brinquedos da festa de Natal. As barcas do pai de José Costa, a onda de Zelito, o balanço de Seu Olavo, o pai de Carrasco; e o trivolí de Miguel Fagundes.

Eu achava uma glória pungar no trivolí, quando ele já estava nas últimas voltas. Quase parando. Os meninos iam nos cavalinhos e as meninas nas cadeiras. Não pegava bem as meninas escanchadas nos cavalos.

Hoje, o Natal é um visual luminoso que o povo assiste. Não se brinca mais. Onde estão as bancas de jogo de baralho, os bingos de goiabada e a banca do preá? Onde estão as maças do amor, o algodão doce, o quebra queixo de seu Oscar, a pipoca de seu Carlos, o rolete enfiado na taquara, a raspadinha, a gasosa e os sorvetes nas caixas de isopô?

Luzinhas coloridas de Led, não enchem barriga!

Acabaram até o serviço de autofalante, que tocava boleros e mandávamos mensagens para as paqueras. “Fulano de Tal, oferece a alguém, apaixonadamente, essa gravação.” E tome os boleros de Silvinho e Núbia Lafayete.

Eu ouvi falar em Papai Noel, aos 14 anos. Ele um desconhecido no Beco Novo. No Natal, era obrigatória a missa do galo, depois a feirinha. A minha ansiedade era que a missa acabasse logo.

Mamãe nunca soube que existia ceia de Natal, em casa.

Na feirinha, depois da meia noite, quando sobrava um dinheirinho, íamos comer arroz com galinha de capoeira, vendido em pequenas bancas, depois do Bar de Dedé Cachaça.

A galinha era cozida ali mesmo, em tachos de cobre, comprados aos ciganos.

Servia-se um prato feito, cheiroso, suculento, enxarcado com a graxa das penosas e coberto com a farinha da Matapoã ou das Flechas.

Comia-se em pé. Eu não sabia usar garfo e faca, comia com uma colher funda.

Neste ano, já encomendei esse arroz com galinha, com o mesmo tempero, o mesmo cheiro e o mesmo sabor das antigas festas de Natal, da Praça de Santa Cruz. Dona Joelma, uma chefe de cozinha das Queimadas, me garantiu que sabe fazer.

A minha ceia era esse arroz com galinha, das bancas do meio da feiras de Natal. Ainda salivo, só com as lembranças.

Feliz Natal, novos e antigos, os de Led e os de gambiarra.

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.

sábado, 9 de dezembro de 2023

PENSAR ITABAIANA (5)

 

 

 

Pensar Itabaiana (5) - (por Antonio Samarone)

A década de 1970, foi o tempo da ascensão do futebol em Itabaiana. Em 07 de março de 1971, foi inaugurado o Estadio Presidente Médice.

Inciamos a caminhada para o Penta campeonato sergipano. Em 24 de novembro de 1971, o tricolor serrano empatou com Ferroviário-CE em 1 a 1 e tornou-se Campeão do Nordeste, o único título nacional do futebol sergipano.

O futebol de Itabaiana mostrava a Sergipe, a força do crescimento da sua economia. Entretanto, sem a ousadia de Zé Queiroz, nada teria acontecido. O futebol sergipano era um jogo de cartas marcadas. As arbritagem eram parciais. As dificuladades para o futebol do interior eram imensas.

Zé Queiroz enfrentou, montou grandes times, trouxe juiz padrão FIFA para as decisões, contratou Valed Perry, assessor jurídico da CBF, pintou e bordou.

A força de Itabaiana se mostrava com o futebol. Na política, nada, estadualmente, sempre subalternos. Era clara a dicotomia: fortes na economia, fracos na política. Foi assim até 2012, com a chegada de Valmir de Francisquinho à prefeitura de Itabaiana.

A Copa do Mundo de 1970, eu assisti na porta da casa de Zé Madorna, do lado de fora, onde já existia televisão colorida.

Em 1963, foi fundada a Associação Comercial  de Itabaiana e, em 1969, chegou o Rotary. A civilidade urbana estava chegando, junto ao capital mercantil.

Naquela época, quem era bem sucedido no comércio, comprava uma fazenda no Sertão, para criar gado na solta, sem maiores tecnologias. Para ser rico, precisa ser fazendeiro. O pequeno comércio não dava esse status.

E os grandes do comércio tinham saído de Itabaiana: Mamede e Pedro Paes Mendonça, Gentil e Noel Barbosa, Oviedo Teixeira e Albino Silva da Fonseca. Empresários fortes que permaneceram em Itabaiana nessa época, lembro-me de Arrojado, Joazinho Tavares, Durval do Açúcar, Zezé Benvenuto, Miguelzinho Peixoto e Totó.  

Na década de 1970, iniciou-se a mudança do perfil agrícola de Itabaiana. Culturas tradicionais como o algodão, milho, feijão e mandioca começam a desaparecer. Itabaiana assumiu a sua vocação pela produção de hortaliças. Somos a capital brasileira do coentro. Os baianos sabem disso.

Um fato esquecido na década de 1970, mas que definiu a vida de muito estudante pobre. O curso cíentífico (atual 2º grau), acabava de chegar a Itabaiana (1969), um esforço de José Augusto Machado, o filho de Zé da Manteiga. Antes, quem terminava o ginásio e não tinha condiçoes financeiras de ir estudar em Aracaju, interrompia os estudos.

Eu me salvei. Entrei no científico do Murilo Braga em 1971. Os professores eram os estudantes universitários de Itabaiana: Arnaldo Fominha, Manteiguinha, Zé Costa, Edgar, Guga e tantos outros que agora eu não estou lembrando. Eu trabalhava pelo dia, no armazém de cereais de João Francisco da Cunha (Niu), e pela noite, lutava pela cidadania, enfiando a cara nos estudos.

Em 1974, passei no vestibular (segundo colocado em odontologia), e no ano seguinte, passei de novo, dessa vez em medicina. Foi um assombro para muitos. Ouvi na bodega de Belisário: o filho de Elpídio da Rua do Fato, passou em medicina. Boa parte, não acreditou. Um tia, morreu sem aceitar. Ela dizia onde chegava: “Quem já viu, um filho de pataqueiro vai ser médico.” (sem cota)

Na década de 1970, o comercio de Itabaiana continuva crescendo e os caminhões aumentando. A política local no mesmo rame/rame. O mesmo clientelismo e as mesmas paixões políticas. Nada de novo, a disputa continuava entre abelhas X mangangás (pebas X cabaús).

A cidade se desenvolvia pelo competencia da sociedade cívil: caminhoneiros, comerciantes e (agora) os estudantes universitários. Eramos os filhos do ginásio público. Lotamos a UFS, em todos os cursos e em todas as turmas.

O Reitor da UFS (1976 – 1980) Aloíso Campos, me disse certa vez, ao pé do ouvido: “os itabaianenses são diferenciados.” Eu acreditei.

Em 1978, foi inaugurada a Radio Princesa da Serra, dando um alavancada no desenvolvimento de Itabaiana. Mais uma iniciativa de Zé Queiroz. Esse fato precisa ser estudado.

Antonio Samarone – Secretário da Cultura de Itabaiana.