O futuro repete o passado.
(por Antonio Samarone)
No Brasil, a extrema direita chegou ao poder pelo voto. O projeto abre mão da soberania, da democracia e dos direitos sociais. Será feito o que for preciso. Sem limites. Essa realidade assustou a quem sonha ou sonhou com o Brasil, como grande Nação.
A derrota de Lula, no segundo turno, será a última pá de cal.
Os da minha geração que perceberam o abismo, ficaram assustados e querem reagir, mas não sabem como. Fazer o que? Vamos para as ruas! Gritou um “antigo progressista” (esse vocábulo ainda existe?). Um mais cético, retrucou: fazer o que nas ruas? Outro, mais jovem, acha que a saída é começar uma guerra, pelas redes sociais.
Quando tudo parecia perdido, sem jeito, uma força solar se acordou, encheu as ruas e afirma sem medo: não queremos retrocessos. Vamos virar!
Quem são?
“Quero falar de uma coisa/ Advinha onde ela anda/ Deve estar dentro do peito/ Ou caminha pelo ar... A folha da juventude/ É o nome certo desse amor.” – Milton Nascimento.
Gente, os jovens acordaram. Eles são o sal da terra. Como ensina a canção: “Se você achar que estamos derrotados, saibam que os dados, ainda estão rolando. O tempo não para.”
Na última manifestação dos estudantes da UFS, fui abordado por um jovem negro, que me chamou pelo nome e se identificou. – “Eu sou neto de Florival, velho comuna do PCB”, Lembra-se? Como não lembrar, eu conheci Florival na juventude. Ele me emprestou o livro: “El arte”, de J. Posadas.
Posadas, era um trotskista argentino, líder da quarta internacional. Pseudônimo de Homero Rómulo Cristalli Frasnelli, lido nos meios universitários daquele tempo. A principal tese de Posadas era que as civilizações extraterrestes eram todas socialistas.
O negro Florival foi um pedreiro do 18 do Forte, amigo de Manuel Vicente, que lia Trótski. Avistei Florival, pela última vez, ele já velhinho, no velório de Marcelo Déda, no Palácio Olímpio Campos.
Perguntei ao jovem da passeata, neto de Florival, como ele se chamava: - “O meu nome é Leon David. Sabe em homenagem a quem?” Não sabia, não fazia a menor ideia. “Uma homenagem a Lev Davidovich Bronstein (Leon Trótsky).”
O jovem Leon abriu o peito e recitou um antigo verso, dos meus tempos de movimento estudantil: “Vim aqui só para dizer/ Ninguém há de me calar/ Se alguém tem que morrer/ que seja para melhorar.” Eita, a juventude ainda ouve Geraldo Vandré!
Contudo, “Ainda é fecundo o ventre que gerou a besta.” – Brecht.
Antonio Samarone.

Sim, ainda rolam os dados. Como disse o comandante Juan Almeida Bosque, "aqui no se rinde nadie!".
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