terça-feira, 6 de outubro de 2026

A LITERATURA SERGIPANA

A literatura Sergipana.
(por Antonio Samarone)

Acho o título, literatura de entretenimento, pejorativo e injusto. Toda literatura entretém. O maior nome da literatura brasileira atual, escreve sobre autoajuda. Não estou me valendo do relativismo cultural, onde o gostar do consumidor é critério absoluto. Para todas as artes.

Entretanto, não é fácil classificar, quem ou não, merece o título de escritor, nem quando um texto pode ser considerado literário. Entre a pura literatura e o texto jornalístico a distância é curta, a fronteira é borrada. Sem contar os textos técnicos, os ensaios, causos, panfletos e manifestos.

Cair no senso comum e considerar escritor todo mundo que escreve, torna-se um exagero. Limitar a honraria somente aos que escrevem bem, cria um problema, quem julga? Na falta de um conceito objetivo, sigo a opinião de Paulo Coelho: "escritor é quem vive de escrever, quem tem esse talento como meio de vida."

A tese do bruxo é simples: se o indivíduo vive de escrever é porque tem leitores que compram a sua obra. As editoras se interessam na venda e na distribuição. A literatura tem as suas instituições: editoras, livrarias, bibliotecas, círculos de leituras, sebos, feiras de livros e bienais.

A crítica internacional vê a literatura brasileira com desatenção. Nunca houve um Nobel, apesar dos louvores ocasionais a Machado de Assis e Guimaraes Rosa. Se a atenção se volta para Sergipe, a desgraça é maior. Por aqui, nem o Cordel consegue destaque nacional.

As dificuldades literárias em Sergipe não são por falta de incentivos. Existe uma Academia de Letras em cada esquina. Nem por falta de bons escritores. As livrarias estão apinhadas de livros de autores sergipanos.

Várias corporações, Rotary, Maçonaria, Oratórios, Clubes de Tiro, Profissionais liberais, etc. possuem sociedades literárias. É inegável o prestigio da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, hoje presidida por Lúcio Prado Dias, médico sergipano. Um mecenas abnegado.

A Academia Sergipana de Medicina e a Sociedade de Médicos Escritores não medem esforços em incentivar a produção literária entre os médicos. Publicam anualmente ontologias de médicos. Realizam eventos.

Hoje, 06/10, as 19 horas, estão organizando um lauto banquete para os sócios, onde o talentoso José Marcondes de Jesus (membro da “Sleep Research Society”), vai realizar uma conferência sobre Medicina & Literatura. O convescote é aberto aos leigos convidados e aos amigos dos sócios.

Se incluirmos os que escrevem para as plataformas digitais, a militância literária em Sergipe é expressiva. Não faltam bons cronistas. Sinto uma certa escassez da poesia, mesmo com tantos poetas. Parece haver uma timidez poética. Nem todo mundo tem coragem em publicar poesias. O medo do ridículo esconde talentos. O principal da obra de Fernando Pessoa, só foi publicada após a sua morte.

O que falta mesmo em Sergipe são críticos literários. Quem é besta, ficar arrumando inimigos. As poucas resenhas do muito publicado são louvações. Se elogia sempre, esperando-se a justa contrapartida.

Antônio Samarone. Membro de várias academias e aceitando novos convites.
 

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