quarta-feira, 28 de outubro de 2026

NEGÓCIO DA CHINA

Negócio da China.
(por Antonio Samarone)

O governo Lula anunciou que agora, os chineses podem entrar no Brasil, sem visto, sem pedir licença, só com a carteira de identidade. O turismo fará a festa. Parece que é uma contrapartida, as portas da China também estão abertas para os brasileiros.

Não existem programam de governos no Brasil, estadual ou municipal, que não inclua o turismo entre as prioridades. Dizem: vamos gerar empregos. Essa conversa em Sergipe, nunca saiu do papel. Turistas por aqui, só os vizinhos da Bahia que não gostam de furdunço. Aproveitam, as festas de lá, para descansar em Sergipe.

Não sei porque, sempre gostei da China. Na verdade, não sabia quase nada sobre a China, mas gostava. Não fazia ideia onde ficava no mapa. Quando se queria dizer que um lugar desconhecido era longe, se simplificava: “fica prá lá da Cochinchina”. A Cochinchina, que não é a China, era vizinha da Caixa Prego.

Na infância, existia uma lavanderia chinesa em Itabaiana. Que lavava a seco e sem sabão. A roupa já saia passada e cheirosa. A gravata saia com o nó dado. Eu nunca entendi, parecia mágica. Mamãe lavava uma trouxa de roupa, numa tábua, na beira do açude velho. Usava sabão de soda, feito em casa. Sempre botava a roupa para quarar.

A lavanderia chinesa durou pouco por lá, menos de 3 meses. Acho que o chinês foi embora, sem clientela. Sei que a notícia dessa lavanderia efêmera, correu solta.

Outra marca chinesa em minha infância, foi o cavaco. De vez em quando passava um menino no Beco Novo, tocando um triangulo e gritando: - Cavaco chinês! Cavaco chinês! Não chegava para o bico de todo o mundo, o cavaco era caro. Só os filhos de Justino, Delina, Orece e seu Evilásio da SUCAM, podiam comprar.

Eu ficava encucado: que traz esses cavacos da China? Para mim, Itabaiana acabava no Rio das Pedras.

Ainda tinha as roupas de seda da China, um luxo, que só as filhas de Adalula, Maria Jose e Inês, desfrutavam. E a porcelana Chinesa? Essa, só nos contos de fada, da literatura de cordel. Se contava em Itabaiana, que Dona Zalmor, possuía uma escarradeira de porcelana chinesa. Eu nunca vi.

Agora, quase tudo é “made in China”. Carros elétricos, motos, drones, TV, computador, colher de pedreiro, escapulários, cocar e penachos indígena, tudo! Como devoto do Padim Ciço, fui comprar uma imagem para o meu oratório, só encontrei imagens dele, produzidas na China.

Quando se fazia um negócio onde só um ganhava, se dizia que foi um negócio da China. O governo Lula acertou, o próprio chinês virou o melhor negócio da China.

Agora, quem vem dançar forró no Cariri, sob a batuta do maestro Tatua, são os chineses. Além do pagode russo, teremos o pagode chinês. Espero que o pessoal do turismo, dessa vez, lave a égua.

Antonio Samarone. Academia Itabaianense de Letras.
 

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