domingo, 4 de outubro de 2026

FOI O SÉTIMO DIA

Foi o Sétimo dia.
(Antônio Samarone)

A missa de sete, do dr. Átalo, foi encomendada para as sete da manhã, de 04 de outubro, na igreja do Salesiano, no antigo morro da Tebaida. Uma igreja colorida, alegre e bem iluminada. Não me lembrava mais, dos encantos da Capela de Dom Bosco, em Aracaju.

O 04 de outubro é o dia de São Francisco e o dia do descobrimento de Sergipe. (04/10/1501).

Celebrar missa pelo defunto, no sétimo dia após a sua morte, é uma tradição mundial dos católicos. Mesmo que coincida com as eleições. Na cosmogonia bíblica, Deus descansou no sétimo dia da criação. Os mortais, terão o descanso eterno.

A tradição abriu uma chance de ainda se pedir misericórdia para o defunto. Ponderar, lembrar as boas ações. Geralmente, se tem boa vontade com os mortos.

A missa de sete ainda permite um último encontro entre amigos e familiares, com quem passou para uma melhor. Prevenindo aos apressados, Átalo não acreditava que a consciência fosse um produto do cérebro, um fenômeno físico/químico, como teoriza uma certa neurociência. Nem por isso era um amante do obscurantismo. Só não acreditava que a consciência fosse um subproduto celular.

O cérebro é um receptor da consciência, defendia ele. Não se trata de negar a ciência, mas de se prescrutar novos paradigmas. A consciência é uma propriedade da matéria, não desaparece com a morte do corpo, aponta a física quântica. Não sei o destino post-mortem: Paraiso ou inferno, dependendo do juízo final.

Claro, estou simplificando, para caber nas redes sociais. A consciência sobrevive ao corpo. Ainda não se sabe se ela permanece individualizada (cada um, continua com a sua) ou se ela é dissolvida na energia cósmica, como proclamam algumas filosofias orientais.

Durante a missa, senti uma fresca forte e amena (zéfiro), que monopolizou a minha atenção. Uma fresca contemplativa, prazerosa e que anunciou sem arrodeio: “Estou aqui!” Quem, indaguei? - “A consciência que ocupou o corpo do seu amigo. Estou em transição.” Tentei puxar conversa, saber algumas coisas, algum segredo. Nada. Sem sucesso.

A fresca metafísica não é o vento em movimento, movido por um ventilador cósmico. A fresca pode se apresentar como um fenômeno que refresca a alma e eriça os pelos. Essa fresca é personalizada, cada um sente do seu jeito. Outros, nem a percebem.

A última vez que foi visitado pela fresca metafisica, foi a mais de 60 anos. A fresca para o corpo, qualquer ventilador resolve. Não é dessa que estou falando.
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Coitada da IA, pensa que fresca é exclusivamente o feminino de fresco, uma pessoa afetada, cheia de melindres. Não vai ser fácil explicar a IA, a fresca que senti na igreja do Salesiano. A IA pensa cartesianamente, dentro de um sistema binário.

Só a inteligência humana, analógica, criativa, aberta aos erros, as suposições, aos enganos e as fantasias, podem sentir a fresca metafísica (zéfiro). Só a inteligência humana pode sentir, um fenômeno inexistente. A IA quer provas, evidências.

Na mitologia grega, essa fresca metafisica (zéfiro), amena, convive sem medos, desassombrada, com outras divindades do vento, como ventanias, vendavais, redemoinhos, ciclones, tornados e tufões.
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Suspeito que já foi a influência de Átalo, no Olimpo, que liberou zéfiro, hoje pela manhã, na igreja do Salesiano. Uma resposta a missa de sétimo dia.

Antônio Samarone – Academia Itabaianense de Letras.
 

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