O Hospital da UNIMED, em Sergipe.
(por Antonio Samarone)
Na velhice, além das mazelas naturais do corpo, a maioria ainda sofre com uma assistência médica insuficiente ou inadequado. Muitas vezes, essa falta, supera os sofrimentos da própria doença. Muitos ainda morrem desassistidos.
No Brasil, o acesso dos pobres a assistência médica foi penoso e demorado. Era obra da caridade das Santas Casas de Misericórdia.
Criou-se a medicina previdenciária, na década de 1930. A maioria, que não possuía emprego formal, carteira assinada, era considerada N/C (não Contribuinte), na linguagem usual dos serviços de saúde, eram indigentes.
O acesso universal aos serviços de saúde só se tornou direito, com a Constituição de 1988.
Com o envelhecimento da população, a necessidade de acesso aos serviços de saúde se tornou prioridade. Esse acesso, muitas vezes, torna-se mais um sofrimento, sobretudo para os idosos, onde as necessidades são intensas. São famosas as filas do SUS, a demora para se realizar os procedimentos, mesmos os mais urgentes.
Nos últimos anos, a medicina desenvolveu tecnologias eficazes, sobretudo nos atendimentos de urgência. Os infartos, AVC, neoplasias, antes, eram sentenças de morte. Hoje, eu acabo de sofrer 5 crises de angina (pré infarto) e, por enquanto, estou aqui contando histórias.
A Saúde é um bem super desejado, quase uma unanimidade. Desconheço os que preferem as doenças. Mesmo os hipocondríacos, sofrem para curar as doenças imaginadas.
A saúde como direito foi uma novidade inglesa, do final da Segunda Guerra. Depois da vitória eleitoral do Partido Trabalhista, em 1945, foi criado o National Health Service (NHS), o famoso Serviço de Saúde Inglês, com atendimento universal gratuito.
A Declaração Universal dos Direitos humanos, de 1948, afirmou em seu artigo 25: “o direito a um padrão de vida adequado à saúde e ao bem-estar, incluindo assistência médica e serviços sociais.”
A realidade restringiu esse direito abrangente a saúde, ao direito de acesso aos serviços de saúde (assistência médica). Na Constituição de 1988, o Brasil incorporou tardiamente esse direito à carta magna e estabeleceu como responsabilidade do Estado. A questão é quanto custa e quem paga essa conta.
Foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS), com a responsabilidade de prover uma atenção médica universal e gratuita. Se fez muito, mas ainda longe das necessidades.
O sub financiamento SUS e a sua gestão atrelada a politicagem, nunca foram equacionadas. Sergipe fornece uma evidência indiscutível: nos últimos 40 anos, o secretário estadual de saúde, seja ele bom político ou não, tornou-se o deputado federal mais votado.
O mercado percebeu que o desejo à saúde domina o pensamento social, e os serviços públicos são insuficientes. Montou-se uma sofisticada rede privada, financiada pelo capital financeiro, para oferecer esses serviços privadamente.
A saúde tornou-se uma mercadoria muito desejada. “Saúde não tem preço”, diz o inconsciente coletivo. Os serviços de saúde no Brasil seguiram duas vertentes: direito (SUS) e a rede privada.
A rede de hospitais e clinicas privadas consideram os que não possuem planos privados ou seguros de Saúde, como SUS/dependentes. Vistos por eles, como os antigos N/C - não contribuintes.
O mercado oferece procedimentos variados, dependendo da capacidade de compra do consumidor. Exames, serviços hospitalares e tecnologias variadas, de acordo com a renda de cada um.
Os planos e seguros cobrem seletivamente. Se considera bom, os serviços que ofertam procedimentos mais sofisticados. A qualidade não leva em conta os critérios epidemiológicos. Ter acesso aos profissionais famosos e aos hospitais de ponta de São Paulo, é o top dessa linha.
A classe média abomina ser SUS/dependente. Mesmo sindicalistas e gente de esquerda. A defesa do SUS fica nos discursos. Se a renda não permitir o Seguro Bradesco Saúde Premium (R$ 12.500,00), o cristão se vira com planos mais modestos.
Na condição de defensor do SUS e de esquerdista inveterado, optei pelo Plano da UNIMED. Uma cooperativa de médicos. Em Sergipe, depois que a UNIMED rompeu os contratos com os hospitais privados de ponta, foi um desespero dos beneficiários.
A guerra comercial atacou a qualidade dos serviços do hospital da UNIMED. Na impossibilidade de acesso aos planos da burguesia, muitos migraram para a GEAP.
Eu meu primeiro piripaque grave, bati as portas da urgência da UNIMED. Cheio de receios, pelo que ouvia, encontrei profissionais preparados e atenciosos. Toda a equipe. Um atendimento nota 10.
Precisei realizar um procedimento de alta tecnologia. Por coincidência, fiquei no apto 313.
Tudo muito organizado. A enfermagem qualificada e acolhedoras. Técnicas em enfermagem competentes e atenciosas. Nutricionistas vigilantes, personalizando as dietas. Cozinha profissional. Equipes acolhedoras.
O Hospital da UNIMED possui equipes médicas capacitadas e profissionais experientes, instalações adequadas e equipamentos modernos. Uma bela surpresa.
Agradeço a todos os trabalhadores do Hospital da UNIMED, pelo acolhimento e, em especial, ao dr. Aelson Fonseca Costa, renomado cardiologista, onde ciência, arte e empatia pelos pacientes, se fundem num grande médico.
Em resumo: a UNIMED montou um hospital humanizado!
Antonio Samarone – médico sanitarista.

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