quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
FRAGMON CARLOS BORGES
Fragmon Carlos Borges, Filho de Francisco Carlos Borges e Maria Lali Carlos Borges, nasceu a 12 de abril de 1927, em Frei Paulo - Sergipe, redator da revista Época (1948/1949), dirigida pelo jovem Walter Sampaio. O primeiro número da revista sergipana saiu em agosto de 1948, com destaque para um artigo do Dr. Walter Cardoso, sobre a fome em Sergipe; uma resenha sobre Monteiro Lobato, ilustrada por Álvaro Santos; um artigo de Walter Sampaio sobre Pablo Neruda; um conto inédito de Carvalho Neto; e poemas de José Sampaio e Bonifácio Forte. Gente, alguém possui essa revista? Quantos números foram publicados? Fragmon escrevia para A Verdade, folha do PCB, dirigida por José Waldson Campos.
No final dos anos 50, Fragmon Carlos Borges foi o editor-chefe, no Rio de Janeiro, do jornal Novos Rumos, de circulação nacional, pertencente ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). O Jornal Novos Rumos foi publicado entre 1959 e 1964, com uma tiragem de 60 mil exemplares. Novos Rumos foi fechado pelos militares, em 01 de abril de 1964. Fragmon Carlos Borges, editor-chefe durante quase toda a existência do jornal, morreu em São Paulo, durante a ditadura, de enfarte fulminante, ao qual certamente não estiveram alheias as tensões da clandestinidade, de onde continuava a fazer a imprensa partidária possível.
O jornalista Gilfrancisco Santos, tem pesquisado sobre o tema, em recente publicação no Observatório da Imprensa, falando sobre a “imprensa estudantil e a formação de jornalistas em Sergipe”, cita Fragmon. A memória de Fragmon Carlos Borges não pode ser apagada.
A noticia da foto foi publicada no Correio da Manhã (RJ), em 03 de maio de 1940 , terça- feira.
Antônio Samarone.
domingo, 10 de dezembro de 2017
ARACAJU NA HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA
Aracaju na história da saúde pública.
Em 1936, O higienista Evandro Chagas,
filho do famoso Carlos Chagas, deu início às pesquisas sobre a leishmaniose
visceral no Brasil. Em março deste ano, ele anunciou, em uma nota prévia no
periódico Brasil-Médico, o encontro do primeiro caso vivo de leishmaniose
visceral no Brasil. “[...] tivemos a oportunidade de encontrar o primeiro caso
clínico autóctone de kala-azar do Brasil” (CHAGAS, 1936a: 221). Identificado
como L. F., o jovem de 16 anos da cidade de Aracaju (SE) encontrava-se
enfermo havia cerca de um ano e meio e já havia perdido sua mãe e irmã;
supostamente os três haviam contraído a doença na mesma ocasião. Evandro Chagas
declarou que os aspectos do desenvolvimento da doença ocasionada pelo parasita
em questão eram “parecidos com os da Leishmania donavani” e nomeando a doença
investigada pelos pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz de “leishmaniose
visceral do Brasil” (CHAGAS, 1936a: 221-222). Nessa primeira nota, já se referiu
à doença como uma possível entidade mórbida local, diferente daquelas
encontradas na África, no Mediterrâneo e na Índia.
O TESTAMENTO DE OSWALDO CRUZ
O Testamento de Oswaldo Cruz.
Cercado pela família e por amigos, entre
eles Carlos Chagas, Belisário Pena e Salles Guerra, o grande sanitarista morreu
em casa, de insuficiência renal, às 21h10 do dia 11 de fevereiro de 1917, aos 44
anos de idade. Num texto escrito a lápis, pouco antes de sua morte, Oswaldo Cruz
formulou as suas últimas vontades, onde se lê no documento aqui reproduzido:
“Desejo com sinceridade que não se cerque
a minha morte dos atavios convencionais com que a sociedade revestiu o ato da
nossa retirada do cenário da vida. Pelo respeito que voto ao pensar alheio não
quero capitular de ridículo esses atos: julgo-os para mim completamente dispensáveis
e espero que a família que tanto quero, se conformem com esses inofensivos
desejos que nasceram da maneira pela qual encaro a morte, fenômeno naturalismo
ao qual nada escapa.
Tão geral, tão normal, tão banal é que
julgo absolutamente dispensável de frisá-la com cerimonias especiais. Por isso
desejaria que se poupasse aos meus a cena de vestimenta do corpo que bem pode
ser envolvido num simples lençol. Nada de convites ou comunicações para enterro,
nem missa de sétimo dia. Nem luto tão pouco. Este traz-se no coração e não nas
roupas. Peço encarecidamente aos meus que não prologuem o natural sentimento
que trará a minha morte. Que se divirtam, que passeiem, que ajudem ao tempo na
benfazeja obra de fazer esquecer. Não há vantagem alguma de amargurar com
lagrimas prolongadas os tão curtos dias de nossa existência. Portanto, que não
se usem roupas negras que além de tudo são anti-higiênicas em nosso clima; que
procurem diversões, teatros, festas, viagens, afim de que desfaçam essa pequena
nuvem que veio empanar a normalidade do viver de todos os dias. É preciso que
nos conformemos com os ditames da natureza.
A meus filhos peço que se não afastem
do caminho da honra, do trabalho e do dever, e que empunhem como fanal e o
elevem bem alto o nome puro e honrado e imaculado que herdei como o melhor
patrimônio da família, e que a eles lego como o maior bem que possuo.
À minha esposa querida, tão sensível,
tão difícil de se conformar com as dores da nossa vida, peço que não encare a
minha morte como desgraça irreparável; peço que se console com rapidez e não deixe
anuviado pela dor esse espírito vivaz, inteligente, espirituoso, que constituía
a alegria do nosso lar e o lenitivo pronto para os sofrimentos que por vezes
deparávamos.
Aí ficam nossos filhos, outros
tantos rebentos em que vamos reviver, garantias seguras da nossa imortalidade
que se encarregarão de levar através do espaço e do tempo as porções de nosso
corpo e de nosso espírito de que os fizemos depositário, quando ao mundo
vieram.
Quanto aos bens de fortuna que
deixo, espero que sejam divididos por minha esposa entre os filhos. Espero e
rogo que nunca a questão de bens materiais venha trazer a menor discórdia entre
os meus: seria para mim a mais dolorosa das contingências. Peço aos meus filhos
que acatem sem discussão a divisão que deles fizer minha esposa. “
Oswaldo Cruz.
Créditos: Projeto gráfico - Mara Lemos Pinhão/SCV/Icict/Fiocruz Colaboração (pesquisa histórica) - Alexandre Medeiros/Biblioteca/ENSP/Fiocruz Fotos - Acervo da COC-Fiocruz / Fiocruz Multimagens -Vinicius Marinho / Publicação - As Grandes Figuras do Brasil em Quadrinhos, ed. Brasil-América, no 2 Cruz, Oswaldo Gonçalves. Testamento. In: Opera Omnia, Rio de Janeiro, 1972, p.740-741
A OFTALMOLOGIA EM SERGIPE
Oftalmologia em Sergipe
Até as primeiras décadas do século XIX a
oftalmologia era apanágio dos cirurgiões aprovados, que realizavam operações de
catarata, fístula lacrimal e enucleação do globo ocular. Os autores antigos responsabilizavam a
sífilis, as febres intermitentes e o reumatismo pelo desencadeamento de muitas
lesões oculares. Algumas afecções importantes da oftalmologia: conjuntivite,
terçol, sapiranga, oftalmia purulenta ou tracoma.
A cátedra de oftalmologia somente foi
instalada nas faculdades brasileiras em 1873. Entretanto, muito antes, médicos
conhecedores da especialidade já a praticavam na Corte. O mais afamado deles,
em meados do século XIX, foi Charles Joseph Frederic Carron du Villard (1800 –
1860), italiano, natural da Savóia, e naturalizado francês. Morreu no Rio de
Janeiro, para onde viera em 1857. Dirigiu o consultório de olhos da Santa Casa
de Misericórdia, onde teve como assistente o médico francês Louis-François
Bonjean (1808 – 1892). Foram membros da Academia Imperial de Medicina.
Carron du Villard foi um verdadeiro
chefe de escola na Santa Casa. Seu discípulo mais importante foi o médico
paraense Manuel da Gama Lobo. Sucedeu Carron na direção do serviço na Santa
Casa. Foi o primeiro a usar o oftalmoscópio, inventado pelo alemão Helmholtz em
1851, no Brasil. Gama Lobo publicou vários trabalhos sobre a oftalmologia.
Outros oftalmologistas renomados que
exerceram a profissão no Rio de Janeiro foi Hilário Soares de Gouveia, o
primeiro a ocupar a cátedra de doenças dos olhos e Fernando Pires Ferreira,
piauiense, formado em Paris, que vai ocupar o serviço da Santa Casa. Pires Ferreira teve como principais
discípulos o oftalmologista Rego Lopes e o sergipano José Antonio Abreu Fialho.
Outros importantes, o cearense José Cardoso de Moura Brasil e outro sergipano
José Lourenço de Magalhães.
A igreja católica considerou Santa Luzia
a padroeira dos portadores das afecções oculares. Abusava-se de colírios e
remédios caseiros: suco de cansanção (Jatropha urens). Sumo frescos de brotos
de imbaúba (Crecópia). Esterco de jacaré e água boricada. Em 1854 fundou-se no
Rio de Janeiro o Imperial Instituto dos Meninos Cegos.
Na história do ensino médico no Brasil a
cadeira de “oftalmologia” clínica foi uma primeira disciplina especializada a
ser instalada. Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro a cadeira foi criada
em 1873, e teve como seu primeiro professor o eminente cientista Hilário Soares
de Gouveia. O Doutor Hilário, por divergências políticas com o recém instalado
regime republicano, ensinou somente até o ano de 1895. Para ocupar essa vaga,
submete-se e é aprovado em concurso público no ano de 1898, o médico sergipano
José Antonio de Abreu Fialho, que se estabelece como lente catedrático de
oftalmologia a partir de 1906, indo desempenhar um papel marcante na
consolidação da especialidade no Brasil.
O Dr. Jose Antonio de Abreu Fialho
natural de Aracaju, filho de Tito de Abreu Fialho, Delegado Fiscal da União, e
D. Maria José de Abreu Fialho, nascido a 20 de janeiro de 1874. Bacharel em
Ciências e Letras pelo Imperial Colégio Pedro II, matricula-se na Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro, recebendo o grau de doutor em 16 de janeiro de
1897, defendendo a tese “A oculística perante a patologia: perturbações
oculares nas moléstias cerebrais”. Fez
especialização em Viena na clínica Fuchs.
O seu filho, Sílvio Abreu Fialho,
escreveu uma biografia do Pai, chamada “Páginas Viradas”. Durante a sucessão de
Gracco Cardoso no Governo de Sergipe, o Presidente Arthur Bernardes procura um
sergipano ilustre, e não envolvido com as disputas políticas locais. A
personalidade consultada foi o Dr. Fialho, que de pronto não aceitou, alegando
não conhecer Sergipe, e não querer deixar as atividades clínicas. Com a
rejeição de Fialho, o escolhido foi o diplomata Ciro Franklin de Azevedo.
A SBO - SOCIEDADE BRASILEIRA DE
OFTALMOLOGIA - foi fundada em 6 de setembro de l922, por JOSÉ ANTONIO ABREU
FIALHO, catedrático de Oftalmologia da Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio
de Janeiro e Diretor da Faculdade por mais de 10 anos.
A extraordinária contribuição de FIALHO,
ao desenvolvimento da oftalmologia brasileira, tem seguidores desde então, na
liderança da especialidade e qualquer tentativa de citar nomes, correrá o risco
de ficar incompleta, gerando injustiça. O Dr. Abreu Fialho faleceu a 17 de
março de 1940.
Antonio Samarone.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
SERGIPE NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA
Sergipe na contramão da história.
Não é segredo que as energias sustentáveis (eólica, solar, biomassas,
etc) representam o futuro. O mundo anda nesta direção. No Brasil, o Nordeste
representa o polo mais avançado da renovação de fontes energéticas. O Rio
Grande do Norte, por exemplo, possui 122 Usinas Eólicas em operação e mais 25 sendo
construídas. O Piauí inaugurou o maior parque de energia fotovoltaica (solar)
da América Latina.
E em Sergipe, por onde caminhamos? Possuímos o acanhado Parque Eólico
Barra dos Coqueiros, com a capacidade instalada de apenas 34,5 MW, e nenhuma
previsão de novos. Um Parque quase simbólico. Por outro lado, estamos fazendo
festa pela instalação da maior termoelétrica da América Latina, atividade entre
as mais poluentes do mundo, nas proximidades de um polo turístico (os condomínios
da Barra dos Coqueiros). Na realidade, as grandes empresas internacionais,
produtoras de energias de fontes poluentes e não renováveis, estão procurando
lugares remotos, com baixos índices de cidadania, para se instalarem. E
escolheram Sergipe.
Na fase de construção gera empregos, libera recursos para recuperar
alguns equipamentos culturais e cria a ilusão que Sergipe pode se recuperar
economicamente. Observação: não incide tributos estaduais sobre a produção de
energia; sendo mais claro, o estado não tem nada a arrecadar. Por outro lado, a
médio e longo prazo uma questão se impõe: começando a funcionar a partir de
2020, quais serão as consequências para o meio-ambiente e para a saúde das
populações afetadas? No futuro, a chuva ácida e gases para apressar o aquecimento
global...
Antônio Samarone.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
O DESTINO DO SUS EM SERGIPE (O acordo do Cirurgia)
O destino do SUS em Sergipe (o “acordo do Cirurgia”).
A Constituição Federal e a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080, 19/09/1990)
estabelecem que o SUS deve ser descentralizado, com direção única em cada
esfera de governo. A ênfase é na descentralização dos serviços para os
municípios. Não há dúvidas, a municipalização é o caminho legal do SUS. Em
Sergipe andamos na contramão. Um “acordo”, transferiu a gestão do maior
contrato do Sistema (hospital de Cirurgia) para o Estado, retirando de Aracaju
a municipalização plena. Na prática, o hospital de Cirurgia vira um anexo do
HUSE, e Aracaju fica sem referências para alta e média complexidade. A ambição política
do Estado em retomar o comando, deixando ao município apenas a rede básica, vem
de longe. O SAMU já foi estadualizado e a assistência ao parto está a caminho.
Registre-se que o município de Aracaju desejou esse “acordo”.
Existe um consenso entre os técnicos, o caminho para recuperar o SUS
passa pelo fortalecimento da rede básica, que deve regular as ações de alta e
média complexidade. Por isso o comando deve ser único. Entregar o comando das
ações ao estado, apenas por razões políticas, é um retrocesso. Se o município está
com dificuldades momentâneas para gerir o sistema, o caminho é ajuda-lo na
superação. A direção única prevista na constituição não foi um capricho do constituinte,
é uma exigência da racionalidade administrativa. Essa fragmentação do SUS,
agravada com o “acordo” do Cirurgia, empurra para o agravamento da crise.
A retorno da gestão político do SUS estadual é grave. Transformar o
SUS num comitê eleitoral é um crime contra os mais pobres. Essa aventura é
conhecida em Sergipe. Nas três vezes anteriores, o resulto foi cruel: os gestores
se deram bem eleitoralmente, mas os serviços foram arruinados. Passada a
tormenta, se levou muito tempo para se desfazer os maus feitos. Infelizmente,
parece que em Sergipe a história se repete.
Antônio Samarone.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
QUEM PENSOU NO FUTURO?
Quem pensou no futuro?
O governo do Piauí instalou o maior
empreendimento de energia fotovoltaica da América latina”, energia limpa e sustentável.
Em Sergipe, o Governo autorizou a GE Power Services instalar a maior termoelétrica
da América Latina, a usina vai produzir 1,5 mil megawatts e será capaz de
atender a 15% da energia consumida no Nordeste. São posições opostas de gerar
energia, desenvolvimento e emprego: uma sustentável, outra poluidora; uma visando
o futuro, outra afundada no passado. Sergipe seguiu o caminho do passado,
resolveu implantar o modelo Cubatão de desenvolvimento.
As termoelétricas a gás, o caso
de Sergipe, lançam no meio ambiente o CO² (gás carbônico) – efeito estufa; SO²
(dióxido de enxofre), gotículas de ácido sulfúrico (chuva ácida); o NOx (óxidos
de nitrogênio), responsáveis pelo smog; encontra-se entre as atividades mais poluidoras
do mundo. A termoelétrica de Sergipe, sozinha, produzirá dez vezes mais CO² que
toda a frota de veículos do estado. Sabe-se que essa é apenas a primeira usina,
o projeto prevê mais duas.
Além do agravamento do efeito
estufa, as termoelétricas são responsáveis pelo aquecimento da água, onde o
despejo for lançado, com consequências para a vida marinha; e pela temida chuva
ácida, pondo em risco a agricultura e as matas restantes. A chuva ácida atinge
vários km de distância das termoelétricas.
Sei que os defensores desse
modelo de desenvolvimento, que ignoram os impactos ambientais, vão dizer que
houve “estudos” e que os agravos serão mínimos. Não é o que apontam os estudos científicos
publicados sobre as termoelétricas. No momento, a cidade de Peruíbe, interior
de São Paulo, está em pé de guerra contra a implantação de uma termoelétrica.
Já aprovaram uma lei municipal proibindo. A crescente resistência a instalação
de atividades destruidoras do meio ambiente, tem levado as empresas procurarem regiões
onde a consciência ambiental seja reduzida.
A Governo Jackson Barreto deixará
essa bomba poluente como herança. Deus nos proteja.
Antônio Samarone.
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