sábado, 14 de março de 2026

O SÍTIO ARQUEOLÓGICO DA IGREJA VELHA.

O Sítio Arqueológico da Igreja Velha.
(por Antonio Samarone)

Os escombros da Igreja Velha e a lenda de Santo Antonio Fujão, são as marcas materiais e simbólicas, que sobraram da fundação do Arraial de Santo Antonio e Almas de Itabaiana (1602). Inicio do Século XVII.

Sobre a lenda, um grupo de peregrinos, retomou a trilha de Santo Antonio Fujão- (igreja velha ao pé de quixabeira, no miolo do Tabuleiro de Ayres da Rocha). A lenda ainda é viva.

Sobre a preservação dos escombros da Igreja, algumas providências já foram tomadas.

A semana passada, um prestigiado radialista, da 93.1 FM, cobrou providências, em seu programa matinal: “cadê o secretário de cultura, fala muito e faz pouco”.

Uma verdade: no atacado, dificilmente as ações superam as falas!

No caso da Igreja Velha, uma falta de informação. Já existe o projeto arquitetônico, mas ainda falta a permissão do IPHAN. Vou tentar explicar:

A Lei Municipal nº 2.207, de 10 de julho de 2018, declarou as ruínas da Igreja Velha, patrimônio cultural. Histórico e imaterial de Itabaiana.

O decreto nº 25.668, de 24 de outubro de 2008, tornou o terreno de utilidade pública, para fins de desapropriação. A Prefeitura já desapropriou o terreno, nas cercanias.

Ocorre, que a Igreja Velha é um sítio arqueológico, portanto, sob a jurisdição federal, sob os cuidados IPHAN. Houve uma tentativa de intervenção municipal, sem um parecer do IPHAN, o que foi suspensa.

Já existe um projeto arquitetônico. Entrei em contato com o Superintendente do IPHAN, em Sergipe, o intelectual Luiz Eduardo Oliva, e marcamos uma audiência. A receptividade do órgão federal foi excelente.

A solução do sítio arqueológico da primeira Igreja de Santo Antonio, em Itabaiana, tem tramitado há décadas, pelos órgãos estaduais de Cultura. O processo 0395/2005 – CEC, pedindo o tombamento da Igreja Velha, recebeu um parecer contrário e humilhante, do virtual Conselho Estadual de Cultura.

O relator do processo de tombamento da Igreja Velha, em Itabaiana, o doutor Luiz Fernando Ribeiro Soutelo, concluiu: “manifesto-me contrário ao tombamento das ruínas da antiga Igreja de Santo Antonio, na Zona Rural do Município de Itabaiana.”

Ainda acrescentou, o relator Soutelo:

“O tombamento das ruínas implicaria num ônus, talvez pesado demais, para o Poder Público Estadual, diante da pequena importância do bem para o universo patrimonial do Estado...”

“Para o Estado, com toda a certeza, é muito mais importante reconhecer-se a feira de Itabaiana com bem material da cultura sergipana.” - Soutelo.

O processo não deixou dúvidas: para o Conselho Estadual de Cultura, a Igreja Velha é uma ruína de interesse local, cabendo as iniciativas de conservação, exclusivamente a Prefeitura.

Procurei na relação atual dos bens tombados pelo Estado de Sergipe, e não encontrei a Igreja Velha, de Itabaiana. Pelo visto, o parecer de Soutelo continua valendo. Aliás, de Itabaiana, não encontrei nenhum bem cultural protegido pelo Estado.

Antonio Samarone (Secretário de Cultura de Itabaiana).
 

Um comentário:

  1. Uma lástima, realmente, que não haja interesse (seja de qual esfera, ou de todas, em diferentes graus) em preservar esse patrimônio. Alguns populares, ao menos, seguem preservando a sacralidade daquele solo

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