quinta-feira, 12 de março de 2026

A LIGA DOS JUSTOS

A Liga dos Justos...
(por Antonio Samarone)

“Cansei de ser moderno, agora quero ser eterno.” – Drummond.

Lembrei-me da cena final de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, onde João das Mortes persegue Corisco, no Sertão de Cocorobó. Entretanto, a revolução foi só no cinema. O Dragão da mal contra o Santo guerreiro. Glauber fascinou até Buñuel.

“Se entrega Corisco, eu não me entrego não. Não me entrego ao Tenente, não entrego ao Capitão, me entrego só na morte, com parabélum na mão.” - O Sertão vai virar mar e o mar virar Sertão.

A sequência mais famosa do cinema mundial é o” massacre na escadaria de Odessa’, no filme Couraçado Potemkin. Eu gosto mais da sequência de Glauber Rocha, nessa cena da morte de Corisco.

Ontem, reuni em lugar ermo, na mais absoluta clandestinidade, com um grupo de amigos quixotescos. A pauta: discutir as saídas, em caso de uma provável invasão do Brasil.

Após muitos discursos, debates e apartes, as teses foram aparecendo: resistência armada (ninguém sabia atirar, nem possuía drone), cavar bunker, para se proteger dos bombardeios; se entregar, sem resistência; se esconder no Raso da Catarina; refundar a Liga dos Justos; pedir asilo na China, na condição de simpatizantes.

Um grupo moderado propôs a neutralidade. A gente nem adere aos Estados Unidos, nem a China. Fica em cima do muro.

Luiz Carlos, filho do Barbeiro Vermelho, hoje evangélico, se lembrou de um trecho bíblico: “No inferno, os lugares mais quentes são reservados aqueles que escolhem a neutralidade, em tempos de crise.”

Todos ali, um dia, acreditaram que o socialismo venceria. O XX Congresso condenou Stálin, caiu o muro de Berlim e Gorbachev inventou a Perestroika. A história acabou. Eles venceram...

Mas, não foi bem assim.

Para complicar, o problema é que nem a história acabou, nem os Impérios são eternos. Ainda estamos vivos, certos, que o Juízo Final está próximo. O ponteiro se aproxima da meia-noite.

Trump ganhou, e está governando como o lema: America First – Make America Great Again (MAGA). Trump começo a operar, via as tarifas. Depois foram as vias de fatos.

A Venezuela foi presa fácil. A revolução bolivariana de Chaves, que possuía uma população armada, para defender-se, entregou o seu líder e a esposa, na bandeja da covardia. Sem resistir, sem reclamar, entregaram as chaves das refinarias.

A maioria dos países latinos americanos, já passou a escritura. Quando será a vez do Brasil? Essa foi a pauta principal, da tal reunião secreta.

Começou a ficar tarde, e nada de propostas exequíveis. Tudo devaneio. Estávamos diante do colapso da civilização humana, sem saídas. Eu não disse, mas pensei: tem um lado bom. Eu sempre sonhei em assistir ao Juízo Final, pelo menos pela televisão.

Na saída, o velho esquerdista Salomé, líder do Pombal das Virgens, na Atalaia Nova, pediu a palavra: “Raul Seixas tinha uma proposta”. Raul Seixas? Todos perguntaram espantados e incrédulos. Sim, ele gravou até uma música, reforçou Salomé:

“A solução para o nosso povo eu vou dar. A solução é alugar o Brasil. Negócio bom é assim. Nós não vamos pagar nada. O dólar deles paga o nosso mingau. Vamos embora, dar lugar para o Gringo entrar.”

Quem sabe!

Marcamos a próxima reunião, para o Sábado de Aleluia. A luta contínua...

Antonio Samarone.
 

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