domingo, 15 de março de 2026
O DIREITO A DENTADURA
O Direito a Dentadura...
(por Antonio Samarone)
Recebi um vídeo, onde, o Presidente da República, solenemente, distribuí dentaduras. O Ministro da Saúde, sorridente, anunciou aos microfones: “quero chamar a senhora, fulana de tal, para receber a sua prótese, das mãos do Presidente.”
O que fizeram com o SUS e com a sua política de Saúde Bucal?
Como militante da reforma sanitária, sanitarista e ex-professor de Saúde Pública, sinto-me com o direito ao espanto.
Eu alcancei as dentaduras sendo vendidas nas Feiras, dentro de arupembas. Os clientes banguelos, iam experimentando, olhando-se no espelho, até encontrar uma que lhe agradasse.
O protético, um empreendedor, orientava aos clientes: se ficar folgada, use corega, que aperta; se ficar apertada, coloque-a num copo com água, na hora de dormir, que ela folga.
Itabaiana admirava a arte do doutor Olavo. As suas dentaduras pereciam um teclado de piano, dentes largos e alvos. O sorriso com a dentadura de Olavo era inconfundível. As dentaduras de Olavo eram obras de arte.
Sem dúvidas, Olavo foi um talentoso artista plástico, hoje, uma dentadura dessas vale uma fortuna. Uma modesta perereca usada, com a marca de Olavo, foi recentemente vendida por 2 mil reais.
Olavo, como todo artista, assinava as suas dentaduras. Dava garantias, até se acabar.
Hoje, Olavo estava perdido. As dentaduras são feitas pela inteligência artificial, impressas em 4D, em fino silicone. Já saem na conta, nem mais, nem menos. Ficam prontas, em questão de minutos.
Lula distribuindo essas dentaduras ao eleitorado, produzidas em série, lembrou-me de um Vereador antigo, que nunca perdeu uma eleição. A sua campanha era centrada na distribuição de dentaduras. Sem limites. A justiça eleitoral nunca apurou os gastos, com essas dentaduras. Era um mistério.
Um Promotor recém-chegado, com fama de intransigente, resolveu abrir inquérito para apurar a gastança do Vereador, com as dentaduras eleitorais. A Polícia Federal foi convocada. No depoimento, o Vereador nada escondeu. Ele provou a origem lícita das próteses.
Ele informou que fez um convênio com a maior funerária da cidade, que, mensalmente, lhe repassava as próteses retiradas dos defuntos.
O dono da funerária confirmou o convênio. Onde já se viu, enterrar alguém com uma peça valiosa na boca? Além dos anéis e brincos, as dentaduras são objetos desejados.
O Vereador deixou o Promotor sem graça, a lei eleitoral não proibia. Uma brecha. As dentaduras eram gratuitas. Bastava lavá-las com água sanitária, deixá-las um tempo dentro da cal e passar um branqueador nos dentes. Ficavam com o sorriso de novas.
Depois do inquérito ter esclarecido a origem das dentaduras, o Vereador nunca mais se elegeu. O preconceito do povo: quando ficaram sabendo a origem, não aceitaram mais as dentaduras dos defuntos.
Os votos desapareceram. O nosso eleitor é esclarecido: dentaduras, só novas...
Antonio Samarone – médico sanitarista.
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Há um vídeo circulando que mostra uma senhora agradecendo a Lula após um tratamento odontológico que lhe devolveu a saúde bucal. Muito mais que isso, ela exibe orgulhosamente o sorriso, está feliz por ter de volta sua dignidade. Em nenhum momento o vídeo fala sobre dentaduras. A opinião de Lula a esse respeito ficou patente em 2005, como mostra a reportagem: Presidente critica distribuição de dentaduras por políticos em época de eleição – CFO https://share.google/GwRJ0Xp8EpCNrHTXA
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