domingo, 18 de janeiro de 2026

O HOMEM É A SUA CULTURA.


O Homem é a sua Cultura.
(por Antonio Samarone)

A Prefeitura de Itabaiana criou uma Feirinha Cultural. A oposição questionou: para que serve a cultura? Cultura não enche barriga. Ainda provocaram: o que é mesmo a arte?

A estatueta de marfim de Hohlenstein-Stadel, esculpida a 33 mil anos, é a obra de arte mais antiga. É impossível convencer aos terraplanistas. A arte é produto do inconsciente, da fluidez cognitiva.

A ideia da Feirinha é alimentar a alma, fortalecer a memória coletiva e celebrar a paz. Uma resistência ao espírito de guerra, ódio e violência que domina o mundo.

O homem moderno (Homo sapiens) surgiu a cem mil anos. Entre os 30 e 60 mil anos, explodiu a cultura: surgiram a arte, a religião e as tecnologias complexas.

A segunda grande mudança foi a agricultura, por volta dos dez mil anos. Nessa evolução, surgiram a consciência e a linguagem.

As primeiras civilizações começaram há cinco mil anos.
O homem inventou a escrita, a matemática, a filosofia e a ciência. Criou maravilhas! Aumentou a vida média, criou a imprensa, a medicina e descobriu a física quântica.

O Data-Center, a Automação e a Inteligência Artificial, criações recentes, pretendem dominar o mundo.

Também inventamos a pólvora, os canhões e os mísseis hipersônicos (Oreshnik). O estoque de bombas atômicas podem destruir o mundo trezentas vezes. O Homo sapiens pode ter uma existência breve. A espécie pode ser extinta num piscar de olhos.

A mente humana estava pronta há 300 mil anos, antes dos Neandertais. O Homo habilis viveu a 2,5 milhão anos. O Homo erectus deixou a África a 1,8 milhão de anos. O Homo de Neandertal sobreviveu na Europa, até os últimos 30 mil anos. Conviveu com o Sapiens.

O Homo sapiens pode não completar os cem mil anos. A espécie terá vida curta. Uma fração insignificante na idade do Cosmo. Mas, ainda continuamos contando histórias.

Herdamos o fogo e a roda. A palavra humano deriva de inumano. Inumar é enterrar os mortos. O antônimo de exumar. O homem descobriu cedo que é mortal. Buscou significados, narrativas. Criou mitos e religiões. A certeza da morte não é inata. Aprende-se.

Religião é religar o sagrado com o profano e o físico com o metafísico. Uma expressão do simbólico e do sagrado.

Estamos com os pés no fim da estrada. Rufam-se os tambores da Guerra, dessa vez, nuclear. Não sobrará ninguém para contar a história. A Arca de Noé não servirá de refúgio.

Nesse quadro geopolítico, a Feirinha Cultural de Itabaiana, se propõe a ser uma forma de resistência, uma celebração da paz e da poesia.

Eu sei, uma resistência simbólica, talvez ineficaz. Mas a ideia é continuar, estabelecer regularidade e remar contra a maré.

Viva a Paz!

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
 

Um comentário: