Lata d´água na cabeça.
(Por Antonio Samarone)
A população está apavorado com a falta d’água. Todos lembram que a DESO não era lá essas coisas, mas a IGUÁ é pior. Um fato: a privatização não deu certo.
Não se vive sem água. O sofrimento é grande. Estranho é a passividade da opinião pública, da imprensa e dos órgãos fiscalizadores. As manifestações de descontentamento são localizadas e efêmeras.
Como explicar esse conformismo generalizado?
Um velho professor da UFS, me alertou: “preste a atenção na evolução da economia sergipana. Talvez você enxergue as bases do conformismo.
Em Sergipe, o Estado aumentou o seu orçamento em 300%, nos últimos 14 anos. Em 2012, último ano da gestão Marcelo Déda, o orçamento do Estado foi de 7,5 bilhões; em 2026, o orçamento será de 22 bilhões.”
Enquanto o PIB de Sergipe, cresceu apenas 60% no mesmo período.
Em outras palavras, o orçamento do Estado representa 30% do PIB de Sergipe. Se incluir os orçamentos municipais e federal, passará dos 50%. Em um Estado pobre, quem ordena despesas vira um Imperador. Isso é o que, eufemisticamente, se chama de “máquina”.
Ser de oposição em Sergipe é um caminho espinhoso. Quase ninguém que se expor. Em um condomínio de classe média alta, aqui na Zona de Expansão, o carro pipa está entrando tarde da noite e pelos fundos, para não chamar a atenção.
Como dizia Rosalvo Alexandre: “não puxar o saco do poder, aqui em Sergipe, é um forte sinal de oposição.”
O professor da UFS acha que essa força da máquina está na base do conformismo. Eu acrescentaria: junto a manipulação das redes digitais.
O velho professor, um dos últimos representantes do pensamento crítico na UFS, ainda alertou: “não estou simplificando, o fenômeno do conformismo é bem mais complexo, a economia é apenas uma variável.” Pensei, eu sei!
Enquanto isso, a falta d’água vai continuar. Com um agravante, as tarifas triplicaram.
A IGUÁ possui prerrogativas!
Antonio Samarone – médico sanitarista.
Crédito: a foto é do "Jornal do Dia."

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