domingo, 11 de junho de 2017

MESTRES DA MEDICINA EM SERGIPE


Delso Bringel Calheiros, (91 anos), nasceu em 04 de fevereiro de 1926, na Vila de Santo Antônio do Rio Madeira/Rondônia, aos cinco anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Aos onze anos, mudou-se para Salvador, já pensando em ser médico. O pai, Guilherme Calheiro da Silva (militar), alagoano; e a mãe, Zeneide Bringel Calheiros, cearense. Durante a graduação ensinou química no Ginásio da Bahia, tendo sido professor do Dr. Nestor Piva.

Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1950. Chegou a Sergipe em 1951, contratado como dermatologista do IAPC. Montou consultório no primeiro centro médico de Aracaju, na antiga passarela, transferindo-se depois para o Edifício Cidade de Aracaju. Residindo na Av. Hermes Fontes, tinha por rotina ir e vir ao trabalho a pé. O Dr. Delso foi um médico comedido, atencioso com os pacientes, de sólida formação humanista, tinha como hábito lavar as mãos compulsivamente após o exame de cada paciente, isso num ritual demorado, com um ensaboamento generoso. Dizia-se na brincadeira, que depois da lavagem ele flambava as mãos.

Foi professor fundador da faculdade de Medicina de Sergipe, sendo a disciplina dermatologia ofertada no quarto ano. No ambulatório da faculdade foi montado um serviço auxiliar à Saúde Pública de controle da Hanseníase e doenças venéreas. Foi chefe do Departamento e Diretor da Faculdade. Como professor destacou-se pela didática apurada, os temas tornavam-se fáceis explicado pelo professor Delso Calheiro. Aulas inteligentes, recheadas de leveza e fina ironia.


Dr. Delso (91 anos) continua ativo, filosofando, com boa memória, mas acha que está pagando caro por estar vivo, uma “taxa de permanência” muito alta, e que a velhice só é suportável porque a outra opção é bem pior. Não simpatiza com a atual dermatologia cosmética e que sempre foi médico de doenças de pele. Afirma que não conhece nada da dermatologia cosmética e que tem muita satisfação com isso. “O médico deve tratar os seus pacientes com carinho e compaixão, para poder atravessar a vida com dignidade” ensina o Dr. Delso. Fechou o consultório sem nunca ter cedido a medicina comercial, ao mercado médico. Não acumulou patrimônio, nem exerceu a medicina como forma enriquecimento. Uma medicina que ficou no passado.