domingo, 2 de novembro de 2025
O CABO MAMONA
O Cabo Mamona.
(por Antonio Samarone)
“Cabo Mamona, comandante da milícia/ Não quis mais ouvir a missa/ do Cura do Patrimonio/ - Prende-se o Padre, Sacristão, com alegria/ Prendo as filhas de Maria e os músicos da Santo Antonio (Filarmônica)/ Mamona não é chalaça/ Vá tomar a sua cachaça.” – Caxangá, citado no livro do doutor Vladimir.
Mamona era o chefe de polícia do Coronel Sebrão. No dia 14 de junho de 1916, Sebrão botou a polícia na porta da igreja, para acabar com as Trezenas de Santo Antonio. A briga do chefe político com o padre Vicente Francisco de Jesus tinha radicalizado.
O padre, que gostava de confusão, botou os seus seguranças na porta da igreja. No, arranca rabo, o soldado Bicudo abateu a golpes de facão, o senhor Luiz Pereira de Andrade (avô de Francis de Andrade). A vítima caiu ensanguentado na Rua da Vitória, morreu na calçada, sem assistência, com a orelha esquerda e o nariz decepados. O crime ficou impune.
O Bispo, Dom José Thomas, suspendeu a procissão de Santo Antonio, em 1916. Fato único, nos 350 anos da Paróquia de Santo Antonio e Almas.
O Padre Vicente Francisco de Jesus, era um lagartense, da Terra de Itajay. Chegou a Itabaiana em 26 de janeiro de 1913. Um padre operoso. Segundo as más línguas, queria suceder o chefe político Batista Itajay, que andava adoentado e já morava em Aracaju.
O padre Vicente fechou o cemiterinho, do fundo igreja. A Irmandade das Almas assumiu o atual Cemitério das Almas. A Irmandade comprou três esquifes pretos, para enterrar os pobres. Os indigentes eram sepultados enrolados num cobertor. O caixão voltava para transportar os próximos.
Vicente Francisco de Jesus reformou a igreja. Construiu a capelo mor, colocou um relógio na torre (relógio construído pelo artista itabaianense Manoel Garangau). Trouxe um sino de São Paulo, inaugurado em 1º de janeiro de 1915. Sino que anda silencioso. O padre adquiriu os 15 quadros da via-a-sacra, que até hoje, estão nas paredes da igreja.
O padre Vicente fazia oposição aberta ao Coronel Sebrão, chefe político. Como retaliação, foi exonerado do cargo de Delegado da Educação, no município. Mexeu no bolso.
O padre não deixou por menos, durante uma Santa Missão, não permitiu que Dona Carrôla, amante do Coronel, crismasse uma criança. “A senhora não tem condições de ser madrinha.” Uma desfeita pública!
Circulava de mão em mão: “Dona Carrola por ser batuta na Taba/ O repertório não acaba/ Sem que traga confusão/ Mas que audácia de tamanha zabaneira/ Pois não passa de rameira/ Concubina de Sebrão. Aplique mercúrio em ampola/ Para a sífilis de Carrôla.”
O padre comprou uma briga ruim. Dona Carrôla, amante de Sebrão, não era uma qualquer. Era irmã de Antonio Dutra, comerciante e duas vezes Prefeito, e de Dona Caçula, a mãe de Oviedo Teixeira.
O saldo da briga foi a transferência do Padre Vicente, sendo substituído pelo Monsenhor Constantino, que permaneceu em Itabaiana até 1926.
O Monsenhor Constantino era natural de Penedo e nome oficial do Beco do Ouvidor, onde nasci. Cem anos depois, temos outro penedense, padre Paulo Lima, comandando a Freguesia de Santo Antonio e Almas.
Padre Vicente Francisco de Jesus é o nome da rua que sai da esquina do antigo Grupo Guilhermino Bezerra, em direção à Praça de Eventos, em Itabaiana.
E nome da antiga Escola do Padre: Educandário Cônego Vicente Francisco de Jesus, onde fiz o primário. A escola do Padre era particular, para os filhos dos endinheirados, e para os filhos dos pobres, patrocinados pelo Círculo Operário.
O Cabo Mamona, chefe da guarnição, foi promovido a sargento e Zé de Brió perdeu o avô.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
VIVA SANTO ANTONIO
Viva Santo Antonio.
(por Antonio Samarone).
A comemoração dos 350 anos da Freguesia de Santo e Almas, reativou a minha memória. Foi nessa matriz que me batizei (1954) e fiz a primeira comunhão, aos sete anos.
Nessa igreja, apreendi o catecismo tridentino, com o padre Everaldo (Bode Cheiroso). Apreendi que o homem é composto de corpo e alma espiritual, que o pecado original se transmite a todos os seus descendentes e que o homem não pode salvar-se a si mesmo.
E mais, que a morte, o juízo final, o inferno e o paraíso, a ressurreição dos mortos e a vinda de Cristo, são verdades eternas, dogmas. Influenciado pelo iluminismo, acreditei na razão e achei que o homem se bastava.
Naveguei por outros mares.
Ontem, lembrei-me da igreja em minha infância, tribuna para os ricos, uma grade de madeira defronte ao altar principal, com dois degraus, onde eu gostava de me sentar, para sentir o cheiro do incenso de perto. Um belo teto de madeira com uma pintura, que não me lembro o nome do pintor. Parecia a Capela Sistina.
Nem tudo eram flores: nunca fui escolhido para o lava pé da semana santa, nem para sair de anjo em procissão.
Lembrei-me do cemitérinho, onde um certo Cônego namorava. Terminou casando e deixando a batina. Em 21 de outubro de 1939, chegou o padre Eraldo Barbosa, e ficou por 15 anos. Gostava da política, e apoiava apaixonadamente a UDN de Leandro Maciel e Euclides Paes Mendonça.
A igreja que conheci, o monsenhor Soares botou abaixo (1975). Inclusive, levou vários Santos para o Museu de Arte Sacra de São Cristóvão. Entre ele, o mais antigo, o único que restou da igreja velha. O “Nosso Senhor da Coluna Verde!”, que queremos de volta.
Só não mudou a devoção a Santo Antonio. O amigo Wagner mandou-me uma mensagem: “Impressionante! O pessoal da sua terra adora Santo Antonio. Era um português e morreu em Pádua, na Itália.”
Esse português, meu colega, chegou à Itabaiana no Período da União Ibérica, quando os holandeses tinham invadido o Nordeste. Santo Antonio participou pessoalmente dos combates, para expulsão dos holandeses. Os colonos precisavam de proteção.
Em Itabaiana, reza a lenda, que Santo Antonio interferiu abertamente na indicação da sede do Arraial. O Tabuleiro de Ayres da Rocha, foi uma escolha de Santo Antonio. Mesmo sendo um local árido, foi a preferência do Santo. O pé de quixabeira foi o seu abrigo.
A atual igreja, de pedra e cal, foi obra do padre Francisco da Silva Lobo. Ele substitui a anterior, de barro e óleo de baleia. Construída, no local da quixabeira.
No início do século XX, o itabaianense Manoel Garangau, construiu o famoso relógio da igreja, hoje parado. Estamos procurando quem saiba consertá-lo.
Tive uma excelente impressão do novo Vigário, Paulo Lima. De longe, já parece um Cônego, dos antigos. Em pouco tempo, dinamizou a centenária Irmandade das Almas (1665), realizou a procissão de São Miguel e mandou fazer uma valiosa peça heráldica, para a Irmandade. Vejam a foto.
A igreja católica está se tornando parceira da história cultural de Itabaiana. Aliás, as comemorações dos 350 anos, foi puxado por ela. A prefeitura chegou junto.
Ontem, na hora dos “VIVAS”, Dom Josafá pediu um “viva” para São Miguel. Uma novidade, o Arcanjo, mesmo sendo um dos fundadores de Itabaiana, andava esquecido.
Viva Santo Antonio. Viva!
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
(por Antonio Samarone).
A comemoração dos 350 anos da Freguesia de Santo e Almas, reativou a minha memória. Foi nessa matriz que me batizei (1954) e fiz a primeira comunhão, aos sete anos.
Nessa igreja, apreendi o catecismo tridentino, com o padre Everaldo (Bode Cheiroso). Apreendi que o homem é composto de corpo e alma espiritual, que o pecado original se transmite a todos os seus descendentes e que o homem não pode salvar-se a si mesmo.
E mais, que a morte, o juízo final, o inferno e o paraíso, a ressurreição dos mortos e a vinda de Cristo, são verdades eternas, dogmas. Influenciado pelo iluminismo, acreditei na razão e achei que o homem se bastava.
Naveguei por outros mares.
Ontem, lembrei-me da igreja em minha infância, tribuna para os ricos, uma grade de madeira defronte ao altar principal, com dois degraus, onde eu gostava de me sentar, para sentir o cheiro do incenso de perto. Um belo teto de madeira com uma pintura, que não me lembro o nome do pintor. Parecia a Capela Sistina.
Nem tudo eram flores: nunca fui escolhido para o lava pé da semana santa, nem para sair de anjo em procissão.
Lembrei-me do cemitérinho, onde um certo Cônego namorava. Terminou casando e deixando a batina. Em 21 de outubro de 1939, chegou o padre Eraldo Barbosa, e ficou por 15 anos. Gostava da política, e apoiava apaixonadamente a UDN de Leandro Maciel e Euclides Paes Mendonça.
A igreja que conheci, o monsenhor Soares botou abaixo (1975). Inclusive, levou vários Santos para o Museu de Arte Sacra de São Cristóvão. Entre ele, o mais antigo, o único que restou da igreja velha. O “Nosso Senhor da Coluna Verde!”, que queremos de volta.
Só não mudou a devoção a Santo Antonio. O amigo Wagner mandou-me uma mensagem: “Impressionante! O pessoal da sua terra adora Santo Antonio. Era um português e morreu em Pádua, na Itália.”
Esse português, meu colega, chegou à Itabaiana no Período da União Ibérica, quando os holandeses tinham invadido o Nordeste. Santo Antonio participou pessoalmente dos combates, para expulsão dos holandeses. Os colonos precisavam de proteção.
Em Itabaiana, reza a lenda, que Santo Antonio interferiu abertamente na indicação da sede do Arraial. O Tabuleiro de Ayres da Rocha, foi uma escolha de Santo Antonio. Mesmo sendo um local árido, foi a preferência do Santo. O pé de quixabeira foi o seu abrigo.
A atual igreja, de pedra e cal, foi obra do padre Francisco da Silva Lobo. Ele substitui a anterior, de barro e óleo de baleia. Construída, no local da quixabeira.
No início do século XX, o itabaianense Manoel Garangau, construiu o famoso relógio da igreja, hoje parado. Estamos procurando quem saiba consertá-lo.
Tive uma excelente impressão do novo Vigário, Paulo Lima. De longe, já parece um Cônego, dos antigos. Em pouco tempo, dinamizou a centenária Irmandade das Almas (1665), realizou a procissão de São Miguel e mandou fazer uma valiosa peça heráldica, para a Irmandade. Vejam a foto.
A igreja católica está se tornando parceira da história cultural de Itabaiana. Aliás, as comemorações dos 350 anos, foi puxado por ela. A prefeitura chegou junto.
Ontem, na hora dos “VIVAS”, Dom Josafá pediu um “viva” para São Miguel. Uma novidade, o Arcanjo, mesmo sendo um dos fundadores de Itabaiana, andava esquecido.
Viva Santo Antonio. Viva!
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
PADRE FRANCISCO DA SILVA LOBO
O Padre Francisco da Silva Lobo
(por Antonio Samarone)
O grande terremoto de Lisboa de 1755, começou as 9:40 da manhã, do Dia de Todos os Santos, matando mais de 30 mil pessoas. Os jesuítas afirmaram que a tragédia foi uma punição divina pelos pecados de Portugal. Os jesuítas caíram em desgraça. Em 28 de junho de 1759, os jesuítas foram expulsos do Brasil, por ordem do Marques de Pombal.
Nesse tempo (1745) o padre Francisco da Silva Lobo, português de Coimbra, chegava à Itabaiana, acompanhado de muitos familiares. A família “Lobo”, em Itabaiana, descende do reverendo.
Suspeita-se que o alagoano Mário Jorge Lobo Zagallo, pertencia a essa família.
Pelos escritos deixados “Notícias sobre a Freguesia de Santo Antonio e Almas da Villa da Itabaiana", parece ser o padre Lobo, um clérigo de alta cultura.
Vale a pena transcrever um longo trecho, publicado no Portal Itnet, em 20/11/2010:
“Quando o novo padre assumiu as rédeas da Igreja, substituindo o pároco Antonio da Costa Cerqueira, que conduziu os destinos da freguesia durante os anos de 1741 a 1745, Itabaiana era uma vila com estrutura bastante precária: população exígua, dispersa na imensidão territorial da vila, a esmagadora maioria constituída de homens livres pobres e negros analfabetos.”
“Havia uma câmara e cadeia funcionando num mesmo prédio, um cartório, pequenas casas com telhas nos arredores da Igreja Matriz, etc. O quadro era, para os dias de hoje, desolador."
"A principal instituição era a Igreja Matriz. Havia também, restrita a fina flor da elite serrana, a Irmandade das Santas Almas do Fogo do Purgatório de Itabaiana, criada em 1665."
"Além de guia espiritual, os mais voluntariosos padres, nessa época, faziam os trabalhos de ensinar a ler e escrever os filhos das famílias mais abastardas e das pessoas que tinha maior apreço.”
“Educação era privilégio.”
“Cabe mencionar também a função de grandes "assistentes sociais" que desempenhavam. Eram eles, indubitavelmente, a principal autoridade dos monarcas portugueses para as populações interioranas."
"Os padres gozavam de muito prestígio social. Ser amigo de um padre era a maior sorte que uma pessoa poderia ter. O padre Francisco da Silva Lobo nos 23 anos que esteve em nossa cidade mostrou-se um sacerdote inteligente, entusiasta, progressista.”
Um resumo da contribuição do Padre Francisco da Silva Lobo, para a Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana;
1- Criação de uma Orquestra Sacra, que se tornou a atual Filarmônica Nossa Senhora da Conceição (280 anos);
2- Escreveu um valioso texto sobre a história de Itabaiana (1757);
3- Reconstruiu a Igreja em pedra e cal (1764). A igreja de Santo Antonio depois foi reformada pelo Cônego Domingos de Melo Resende (segunda metade do Dezenove) e deformada pelo Monsenhor José Curvelo Soares (1967 – 1975).
Existe uma versão oral que a antiga e extinta fonte da Pedreira, foi resultado da retirada das pedras para construir a matriz de Santo Antonio. Faz sentido.
Em 1768, o padre Francisco da Silva Lobo deixou a Paróquia de Santo Antonio, não se sabendo se faleceu ou voltou para Portugal.
Quem for escrever a história da Igreja Católica em Itabaiana (atenção Richelieu), certamente incluirá dois capítulos: Francisco da Silva Lobo e Domingos de Melo Resende.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
(por Antonio Samarone)
O grande terremoto de Lisboa de 1755, começou as 9:40 da manhã, do Dia de Todos os Santos, matando mais de 30 mil pessoas. Os jesuítas afirmaram que a tragédia foi uma punição divina pelos pecados de Portugal. Os jesuítas caíram em desgraça. Em 28 de junho de 1759, os jesuítas foram expulsos do Brasil, por ordem do Marques de Pombal.
Nesse tempo (1745) o padre Francisco da Silva Lobo, português de Coimbra, chegava à Itabaiana, acompanhado de muitos familiares. A família “Lobo”, em Itabaiana, descende do reverendo.
Suspeita-se que o alagoano Mário Jorge Lobo Zagallo, pertencia a essa família.
Pelos escritos deixados “Notícias sobre a Freguesia de Santo Antonio e Almas da Villa da Itabaiana", parece ser o padre Lobo, um clérigo de alta cultura.
Vale a pena transcrever um longo trecho, publicado no Portal Itnet, em 20/11/2010:
“Quando o novo padre assumiu as rédeas da Igreja, substituindo o pároco Antonio da Costa Cerqueira, que conduziu os destinos da freguesia durante os anos de 1741 a 1745, Itabaiana era uma vila com estrutura bastante precária: população exígua, dispersa na imensidão territorial da vila, a esmagadora maioria constituída de homens livres pobres e negros analfabetos.”
“Havia uma câmara e cadeia funcionando num mesmo prédio, um cartório, pequenas casas com telhas nos arredores da Igreja Matriz, etc. O quadro era, para os dias de hoje, desolador."
"A principal instituição era a Igreja Matriz. Havia também, restrita a fina flor da elite serrana, a Irmandade das Santas Almas do Fogo do Purgatório de Itabaiana, criada em 1665."
"Além de guia espiritual, os mais voluntariosos padres, nessa época, faziam os trabalhos de ensinar a ler e escrever os filhos das famílias mais abastardas e das pessoas que tinha maior apreço.”
“Educação era privilégio.”
“Cabe mencionar também a função de grandes "assistentes sociais" que desempenhavam. Eram eles, indubitavelmente, a principal autoridade dos monarcas portugueses para as populações interioranas."
"Os padres gozavam de muito prestígio social. Ser amigo de um padre era a maior sorte que uma pessoa poderia ter. O padre Francisco da Silva Lobo nos 23 anos que esteve em nossa cidade mostrou-se um sacerdote inteligente, entusiasta, progressista.”
Um resumo da contribuição do Padre Francisco da Silva Lobo, para a Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana;
1- Criação de uma Orquestra Sacra, que se tornou a atual Filarmônica Nossa Senhora da Conceição (280 anos);
2- Escreveu um valioso texto sobre a história de Itabaiana (1757);
3- Reconstruiu a Igreja em pedra e cal (1764). A igreja de Santo Antonio depois foi reformada pelo Cônego Domingos de Melo Resende (segunda metade do Dezenove) e deformada pelo Monsenhor José Curvelo Soares (1967 – 1975).
Existe uma versão oral que a antiga e extinta fonte da Pedreira, foi resultado da retirada das pedras para construir a matriz de Santo Antonio. Faz sentido.
Em 1768, o padre Francisco da Silva Lobo deixou a Paróquia de Santo Antonio, não se sabendo se faleceu ou voltou para Portugal.
Quem for escrever a história da Igreja Católica em Itabaiana (atenção Richelieu), certamente incluirá dois capítulos: Francisco da Silva Lobo e Domingos de Melo Resende.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
A BELEZA SALVARÁ O MUNDO
A beleza salvará o mundo.
(por Antonio Samarone)
O tempo está próximo... Hoje, dia 23/10, quinta-feira, as 19:30 (SETE E MEIA), ocorrerá a abertura da Sétima Bienal Internacional do Livro de Itabaiana. Uma festa da Cultura. O final de semana será repleto.
No último meio século, Itabaiana encontrou o caminho do desenvolvimento econômico. O talento comercial do itabaianense, puxado pelos caminhoneiros, abriu portas, gerou riquezas, a população ultrapassou os cem mil.
A gestão pública se modernizou.
Sei que Itabaiana não é um solo fértil para almas ingênuas. Aqui se trabalha. Itabaiana não dorme. Todos querem vencer. A grandeza material, a tradição, a história, a riqueza do seu modo de vida, produziram uma cultura diversificada, uma riqueza imaterial, simbólica e universal.
É essa força cultural que impulsiona a grandeza da nossa Bienal. Não é por acaso, que artistas e intelectuais itabaianenses rompem fronteiras.
Itabaiana é uma sociedade do século XVII. A sua Paróquia completa, no dia 30 de outubro de 2025, trezentos e cinquenta anos. A Igreja organizou uma grande festa.
Essa Bienal está sendo organizada pela Academia Itabaianense de Letras, em parceria com a Prefeitura Municipal, e com os quiseram ajudar. Todos foram procurados.
A Bienal não tem donos. A Bienal é um patrimônio do povo. A Bienal vem de longe. Agradecemos aos que carregaram esse andor até aqui.
Essa é a Bienal do jubileu, dos 350 anos da Freguesia de Santo Antonio e Almas de Itabaiana.
Os amantes da Cultura serão acolhidos fraternalmente e com muita arte. Do cordel a música clássica, poetas e trovadores, literatura e cinema, música e dança, pintura e escultura, hip hop e capoeira.
Itabaiana está de braços abertos.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
(por Antonio Samarone)
O tempo está próximo... Hoje, dia 23/10, quinta-feira, as 19:30 (SETE E MEIA), ocorrerá a abertura da Sétima Bienal Internacional do Livro de Itabaiana. Uma festa da Cultura. O final de semana será repleto.
No último meio século, Itabaiana encontrou o caminho do desenvolvimento econômico. O talento comercial do itabaianense, puxado pelos caminhoneiros, abriu portas, gerou riquezas, a população ultrapassou os cem mil.
A gestão pública se modernizou.
Sei que Itabaiana não é um solo fértil para almas ingênuas. Aqui se trabalha. Itabaiana não dorme. Todos querem vencer. A grandeza material, a tradição, a história, a riqueza do seu modo de vida, produziram uma cultura diversificada, uma riqueza imaterial, simbólica e universal.
É essa força cultural que impulsiona a grandeza da nossa Bienal. Não é por acaso, que artistas e intelectuais itabaianenses rompem fronteiras.
Itabaiana é uma sociedade do século XVII. A sua Paróquia completa, no dia 30 de outubro de 2025, trezentos e cinquenta anos. A Igreja organizou uma grande festa.
Essa Bienal está sendo organizada pela Academia Itabaianense de Letras, em parceria com a Prefeitura Municipal, e com os quiseram ajudar. Todos foram procurados.
A Bienal não tem donos. A Bienal é um patrimônio do povo. A Bienal vem de longe. Agradecemos aos que carregaram esse andor até aqui.
Essa é a Bienal do jubileu, dos 350 anos da Freguesia de Santo Antonio e Almas de Itabaiana.
Os amantes da Cultura serão acolhidos fraternalmente e com muita arte. Do cordel a música clássica, poetas e trovadores, literatura e cinema, música e dança, pintura e escultura, hip hop e capoeira.
Itabaiana está de braços abertos.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
terça-feira, 21 de outubro de 2025
RUA FLORENTINO MENEZES
Rua Florentino Menezes.
(por Antonio Samarone)
O célebre pesquisador Ibarê Dantas, acaba de lançar o seu décimo quarto livro. Os primeiros foram sobre a história de Sergipe, num viés acadêmico. Os quatro últimos foram ensaios. Dois sobre os “Leandros” Maciel (pai e filho), o terceiro sobre Marcelo Déda. Esse último, sobre Florentino Menezes. Imortalizado, por nomear uma rua importante, no Aracaju.
Eu gosto mais dos ensaios.
O professor Dantas esmiuçou muita coisa de Florentino, bebeu na fonte luminosa de Sebrão, sobrinho (com minúscula). Ibarê comentou os escritos de Florentino, suas palestras e as poucas polêmicas. Ia esquecendo, florentino foi membro fundador do Instituto Histórico.
No auge da Revolução de 1930, revolta tenentista, o Brasil em ebulição. Em Sergipe, uma parte dos homens letrados, florentino na vanguarda, discutiam freneticamente a criação de uma cidade veraneio, no topo da Serra de Itabaiana.
O movimento dividia-se em alas irreconciliáveis, quanto ao nome da nova Villa, no domo da Serra: Florentinópolis, para a maioria, ou Vila do Bom Jesus da Serra de Itabaiana, como queria o padre Moises, de Laranjeiras.
Não era um movimento de desocupados, reunia muita gente douta. Quase a mesma gente que ajudou a fundar o Instituto Histórico (1912). Em 1932, um grupo de 14 pessoas chegou ao topo da Serra, de automóvel. Chegaram a fundar um Centro de Propaganda da Serra de Itabaiana.
Senti que o ilustre professor Dantas, não tem simpatia pelos textos de Florentino. Já eu, gostei. O socialismo utópico que Florentino defendia, era o único que cabia em Sergipe. E olhe lá.
Eu gosto dos intelectuais quem metem o bedelho em tudo. Os especialistas geralmente são chatos.
A história de Florentino descambou para a tragédia. Por mais empenho e talento, ele terminou pobre e esquecido. No final, os seus textos eram publicados nos jornais de propaganda dos remédios Phos-Kola e Elixir de Marinheiro.
Florentino foi um bom poeta? Não sei avaliar, vou consultar Jozailto.
Florentino morreu em 1959. No final, ele escreveu uma utopia sobre a velhice. Conselhos de como combatê-la. Tudo ilusão!
Como canta o talentoso poeta João Brasileiro: “A causa mortis/ é só um detalhe/ é mera formalidade/ é uma desculpa esfarrapada/ não tem nada a ver/ não se iluda meu irmão/ se não for isso é aquilo/ o importante é morrer/ e viva a vida/ e morra em paz.”
Afinal, o que achei do ensaio do professor Ibarê? Quem sou eu, um humilde diletante, para avaliar a consistente obra do mestre. Mas, gostei! Li em duas sentadas, quase em um só fôlego.
As utopias não morrem. Vão e voltam...
Soube que a expansão imobiliária em Itabaiana, marcha firmemente em direção à Serra. Já chegaram aos pés, o próximo passo é subir. Aliás, muitos já subiram.
Florentino Menezes estava certo.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
(por Antonio Samarone)
O célebre pesquisador Ibarê Dantas, acaba de lançar o seu décimo quarto livro. Os primeiros foram sobre a história de Sergipe, num viés acadêmico. Os quatro últimos foram ensaios. Dois sobre os “Leandros” Maciel (pai e filho), o terceiro sobre Marcelo Déda. Esse último, sobre Florentino Menezes. Imortalizado, por nomear uma rua importante, no Aracaju.
Eu gosto mais dos ensaios.
O professor Dantas esmiuçou muita coisa de Florentino, bebeu na fonte luminosa de Sebrão, sobrinho (com minúscula). Ibarê comentou os escritos de Florentino, suas palestras e as poucas polêmicas. Ia esquecendo, florentino foi membro fundador do Instituto Histórico.
No auge da Revolução de 1930, revolta tenentista, o Brasil em ebulição. Em Sergipe, uma parte dos homens letrados, florentino na vanguarda, discutiam freneticamente a criação de uma cidade veraneio, no topo da Serra de Itabaiana.
O movimento dividia-se em alas irreconciliáveis, quanto ao nome da nova Villa, no domo da Serra: Florentinópolis, para a maioria, ou Vila do Bom Jesus da Serra de Itabaiana, como queria o padre Moises, de Laranjeiras.
Não era um movimento de desocupados, reunia muita gente douta. Quase a mesma gente que ajudou a fundar o Instituto Histórico (1912). Em 1932, um grupo de 14 pessoas chegou ao topo da Serra, de automóvel. Chegaram a fundar um Centro de Propaganda da Serra de Itabaiana.
Senti que o ilustre professor Dantas, não tem simpatia pelos textos de Florentino. Já eu, gostei. O socialismo utópico que Florentino defendia, era o único que cabia em Sergipe. E olhe lá.
Eu gosto dos intelectuais quem metem o bedelho em tudo. Os especialistas geralmente são chatos.
A história de Florentino descambou para a tragédia. Por mais empenho e talento, ele terminou pobre e esquecido. No final, os seus textos eram publicados nos jornais de propaganda dos remédios Phos-Kola e Elixir de Marinheiro.
Florentino foi um bom poeta? Não sei avaliar, vou consultar Jozailto.
Florentino morreu em 1959. No final, ele escreveu uma utopia sobre a velhice. Conselhos de como combatê-la. Tudo ilusão!
Como canta o talentoso poeta João Brasileiro: “A causa mortis/ é só um detalhe/ é mera formalidade/ é uma desculpa esfarrapada/ não tem nada a ver/ não se iluda meu irmão/ se não for isso é aquilo/ o importante é morrer/ e viva a vida/ e morra em paz.”
Afinal, o que achei do ensaio do professor Ibarê? Quem sou eu, um humilde diletante, para avaliar a consistente obra do mestre. Mas, gostei! Li em duas sentadas, quase em um só fôlego.
As utopias não morrem. Vão e voltam...
Soube que a expansão imobiliária em Itabaiana, marcha firmemente em direção à Serra. Já chegaram aos pés, o próximo passo é subir. Aliás, muitos já subiram.
Florentino Menezes estava certo.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
sábado, 18 de outubro de 2025
A ROMARIA DA BIENAL DE ITABAIANA.
A Romaria da Bienal de Itabaiana.
(por Antonio Samarone)
Fomos à Aparecida, convidar a Prefeita Jeane Barreto para trazer o município a Bienal de Itabaiana (23 a 26/10) e para as comemorações dos 350 anos da Freguesia de Santo Antonio e Almas (30/10). O padre Antonio Maria vai rezar, com os seus cânticos.
Achei tudo diferente, em Aparecida. A cidade arrumada, o progresso do milho, roças enormes esperando a colheita e a última romaria de Nossa Senhora, recebeu 200 mil peregrinos. Não sei quem contou, mas ninguém duvida. “As romarias são atos religiosos onde se reza com os pés.”
Recebi um mimo: um livro dos escritores Aparecido, Isabela e Leidivaldo, contando a história do município. Já li. Muito bem escrito e revelador das raízes municipais.
Dos 76 municípios sergipanos, 22 recebem nomes de Santos. Aparecida é mais profunda: a cidade tem uma história religiosa.
A Cruz do Cavalcante, virou Cruz das Graças pelo algodão e pela seca (1963).
As brigas políticas transferiram a sede para o Povoado Maniçoba (1975) e trocou o nome para Nossa Senhora Aparecida.
A região foi desmembrada da Grande Itabaiana em 1933, quando o povoado Saco do Ribeiro passou a ser a Vila de Ribeirópolis. Em 1938, Ribeirópolis virou cidade. Aparecida foi junto.
A visita me permitiu entender a força do agronegócio em Itabaiana. Os plantadores de milho, a maioria, são de lá. Compram ou arrendam propriedades onde tiver. Já chegaram ao Maranhão.
A Bienal de Itabaiana está de braços abertos para o Agreste, aliás, para o mundo. A Bienal é internacional.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
OS ORÁCULOS DA INTELIGENCIA ARTIFICIAL.
Os Oráculos da Inteligência Artificial.
(por Antonio Samarone)
“Viver é perigoso, sempre acaba em morte.” – Pedro Devoto.
A clareza e a erudição de Sidarta Ribeiro, em seu clássico “O Oráculo da Noite”, não são suficientes, o sonho perdeu importância, na atual Sociedade do Cansaço.
O Dr. Péricles Leite de Azevedo, tornou-se celebre em seu consultório psicanalítico. O seu divã é prateado, movido a inteligência artificial. Basta deitar, o divã já faz a anamnese. O paciente preenche um longo questionário, todo de múltipla escolha, semelhante aos aplicados pelas revistas de fofocas, para medir o QI.
O Dr. Péricles desconhece os clássico, Freud e Jung. Não acredita que os sonhos sejam vias de acesso ao inconsciente. Mesmo sem nunca ter lido, ele acha a “Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud, uma grande bobagem.
Os atuais critérios de diagnóstico são pretensamente objetivos, dependem de um score previamente estabelecido. A ciência aponta as exigências para o diagnóstico. Por enquanto, cabe ao profissional tomar a decisão.
O Dr. Péricles percebeu a inconsistência desse método, para os transtornos psiquiátricos crônicos. Ele abandonou essas certezas, centradas método estatístico, o mesmo recurso da chamada medicina por evidências.
Ele foi em buscas de outras verdades.
Hoje, ele utiliza a inteligência analítica, acessando aos dados do perfil dos paciente, nos "Big Data". E essa mudança trouxe-lhe fama, prestigio e riqueza. O acesso a esses perfis custa caro.
Usam-se os princípios da autoajuda, auxiliando os padecentes, elevando a sua autoestima, dando-lhes foco, aumentando a produtividade, numa visão centrada no “I Can” (eu posso).
O Dr. Péricles é um coach da psicanálise, um oráculo do desempenho.
Ele não acredita na escrita, considera os livros cansativos, supérfluos e ineficientes. A sua teoria está consolidada em vídeos, cujo acesso, custa uma bagatela. Só a imagem é portadora da verdade, pensa o doutor.
Quem sempre acreditou que José, filho de Jacó, salvou o Egito, interpretando os sonhos do Faraó Potifá, está desapontado com esse desprezo pelos sonhos.
Duas dúvidas permanecem insolúveis: por que os sonhos, mesmo os utópicos, sempre acabam mal, a gente acorda antes. E, com o que sonham os cegos e surdos de nascença?
O Dr. Péricles de Azevedo trouxe a objetividade científica, para o desvendamento da consciência humana. Os psicanalistas deixaram de ser comadres bem paga.
Antonio Samarone – Professor aposentado de História da Medicina.
(por Antonio Samarone)
“Viver é perigoso, sempre acaba em morte.” – Pedro Devoto.
A clareza e a erudição de Sidarta Ribeiro, em seu clássico “O Oráculo da Noite”, não são suficientes, o sonho perdeu importância, na atual Sociedade do Cansaço.
O Dr. Péricles Leite de Azevedo, tornou-se celebre em seu consultório psicanalítico. O seu divã é prateado, movido a inteligência artificial. Basta deitar, o divã já faz a anamnese. O paciente preenche um longo questionário, todo de múltipla escolha, semelhante aos aplicados pelas revistas de fofocas, para medir o QI.
O Dr. Péricles desconhece os clássico, Freud e Jung. Não acredita que os sonhos sejam vias de acesso ao inconsciente. Mesmo sem nunca ter lido, ele acha a “Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud, uma grande bobagem.
Os atuais critérios de diagnóstico são pretensamente objetivos, dependem de um score previamente estabelecido. A ciência aponta as exigências para o diagnóstico. Por enquanto, cabe ao profissional tomar a decisão.
O Dr. Péricles percebeu a inconsistência desse método, para os transtornos psiquiátricos crônicos. Ele abandonou essas certezas, centradas método estatístico, o mesmo recurso da chamada medicina por evidências.
Ele foi em buscas de outras verdades.
Hoje, ele utiliza a inteligência analítica, acessando aos dados do perfil dos paciente, nos "Big Data". E essa mudança trouxe-lhe fama, prestigio e riqueza. O acesso a esses perfis custa caro.
Usam-se os princípios da autoajuda, auxiliando os padecentes, elevando a sua autoestima, dando-lhes foco, aumentando a produtividade, numa visão centrada no “I Can” (eu posso).
O Dr. Péricles é um coach da psicanálise, um oráculo do desempenho.
Ele não acredita na escrita, considera os livros cansativos, supérfluos e ineficientes. A sua teoria está consolidada em vídeos, cujo acesso, custa uma bagatela. Só a imagem é portadora da verdade, pensa o doutor.
Quem sempre acreditou que José, filho de Jacó, salvou o Egito, interpretando os sonhos do Faraó Potifá, está desapontado com esse desprezo pelos sonhos.
Duas dúvidas permanecem insolúveis: por que os sonhos, mesmo os utópicos, sempre acabam mal, a gente acorda antes. E, com o que sonham os cegos e surdos de nascença?
O Dr. Péricles de Azevedo trouxe a objetividade científica, para o desvendamento da consciência humana. Os psicanalistas deixaram de ser comadres bem paga.
Antonio Samarone – Professor aposentado de História da Medicina.
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