sexta-feira, 28 de agosto de 2026
A PREFEITA EMÍLIA E A CULTURA.
A Prefeita Emília e a Cultura. (por Antonio Samarone)
A Prefeita anunciou a transformação do abandonado Palácio Inácio Barbosa, em Palácio Museu. No térreo, funcionará a Secretaria da Cultura e no 2º andar, o gabinete especial de despacho.
O complexo terá cine-teatro e café recreio. O projeto será do nacionalmente consagrado arquiteto, Ezio Déda. A prefeitura usará recursos próprios.
Palmas! A Prefeita Emília entra para a história da cultura em Sergipe.
As grandes obras da cultura em Sergipe foram feitas por João Alves e Marcelo Déda. O Centro de Criatividade (1985), inspiração de Luiz Antonio Barreto; e o Teatro Tobias Barreto. Déda fez os dois museus (Palácio Museu e o Museu da Gente Sergipana). Já foi muito.
A importância política da cultura em Sergipe tem oscilado. Já esteve sob o comando de gente preparada, grandes nomes: Joel Silveira, Luiz Antonio Barreto, José Carlos Teixeira, Aglaé Fontes, Amaral Cavalcante, Ofenísia Freire, Núbia Marques, Luciano Correia, Luiz Alberto e Fernando Soutelo.
Atualmente, a cultura do Aracaju está sob o comando de Paulo Correia. Um nome reconhecido pelos pares, no mundo da cultura.
Por outro lado, a cultura já foi entregue a políticos decadentes, para facilitar composições eleitoreiras. Prefiro não os citar. Foram muitos. Gente acanhada culturalmente.
O palácio Inácio Barbosa foi construído por Graccho Cardoso. Inaugurado em 1º de janeiro de 1924. O projeto foi do arquiteto italiano, Hugo Bozzi, em estilo neoclássico, refletindo a belle époque de Aracaju. Muito parecido com o Palácio do Catete. O engenheiro foi Alfredo Aranha.
O Palácio Inácio Barbosa foi tombado pelo Decreto Estadual nº 16.559, de 26 de dezembro de 1997. O processo demorou 12 anos. A má vontade com a cultura em Sergipe é endêmica.
O Prefeito Marcelo, em 2005, nos 150 do Aracaju, transferiu a sede da Prefeitura para um prédio desativado do Banco do Brasil, na Rua Acre. O principal argumento foi o preço do imóvel. Uma pechincha, diziam os petistas. Além da agressão a memória histórica, a medida acentuava o esvaziamento comercial do centro da Capital.
A partir do despejo, o palácio ficou abandonado por 21 anos. Um casarão mal assombrado, em plena deterioração. Um colega, Dr. Rômulo, o filho de Lessa, médico e filosofo, todas as vezes que me encontrava, mostrava a sua indignação com o descaso das autoridades com na memória de Sergipe.
Em 2017, o Prefeito Edvaldo Nogueira ofereceu o Palácio a UNIT (lei 4.983, de 20 de dezembro de 2017), de portas fechadas, inclusive com o patrimônio histórico. Quando o reitor da UNIT, com fama de mecenas, descobriu que teria custos para a benemérita instituição de ensino, desistiu da empreitada. A UNIT enjeitou um palácio.
Em maio de 2022, o Prefeito Edvaldo anunciou pomposamente, que o belo palácio abandonado, seria transformado em uma Pinacoteca, dedicado a produção artística sergipana. O projeto nunca saiu do papel.
Finalmente, a Prefeita Emília anunciou o fim do descaso. Deu um destino cultural, com recursos próprios, a esse patrimônio dos sergipanos.
Por justiça, sou obrigado a aplaudir a inciativa da Prefeita Emília.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
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A cultura é o sal da vida civilizada. E, como a sal na comida, que ninguém nota até que o cozinheiro dele esqueça, da Cultura só se vai lembrar quando ela chega a próximo de zero.
ResponderExcluirHás de convir que o nível civilizatório é muito variável; e que numa sociedade estável, não precisa que ele seja tão alto para se lograr sucesso. E, afinal, é o sucesso material que importa à maioria.
A Cultura, parece irrelevante.
Fiz um artigo cobrando da Prefeita essa obra, mas com a volta do Palácio de despacho, É tradição republicana não somente manter o local de despacho, mas que esse esteja frente a uma praça. Marcelo Deda, quando prefeito, fugiu do Palácio e da praça e foi se refugiar no centro administrativo. É que ele gostava do povo e não o temia. Quando governador, fez a mesma coisa, e fica explicado porque ele fez o museu. Amor à cultura?
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