Um Intelectual frei-paulistano.
(por Antonio Samarone)
Frei Paulo (15 mil habitantes), foi o primeiro município a separar-se de Itabaiana. A autonomia deu-se por conta da força econômica do algodão, na segunda metade do Dezenove. Os frei-paulistanos possuem grande autoestima.
Recentemente, a historiadora Ana Dantas, tornou-se, por méritos, imortal pela Academia de Letras de Itabaiana. É de Frei Paulo, o jornalista Ancelmo Gois, um profissional nacionalmente reconhecido.
Entretanto, esse texto não é sobre Ancelmo. Trato de outro jornalista frei-paulistano: Fragmon Carlos Borges, filho de Francisco Carlos Borges e Maria Lali Carlos Borges, nascido em 12 de abril de 1927. A família Carlos Borges, em Frei Paulo, deu a Sergipe muita gente importante.
O engenheiro civil Josaphat Carlos Borges, foi Prefeito do Aracaju (1946 – 47). Só Gil Francisco, para desvendar o grau de parentesco, com o jornalista vermelho, de Frei Paulo.
Fragmon Carlos Borges foi redator da revista Época (1948/1949), dirigida pelo jovem Walter Sampaio. O primeiro número da revista sergipana saiu em agosto de 1948, com destaque para um artigo do Dr. Walter Cardoso, sobre a fome em Sergipe; uma resenha sobre Monteiro Lobato, ilustrada por Álvaro Santos; um artigo de Walter Sampaio sobre Pablo Neruda; um conto inédito de Carvalho Neto; poemas de José Sampaio e Bonifácio Forte.
Gente, alguém possui essa revista? Quantos números foram publicados?
Fragmon era integrante grupo jovem “Mensagem dos Novos de Sergipe”, do qual faziam parte Márcio Rollemberg Leite, Carlos Garcia, Aluysio e Walter Mendonça Sampaio, Nélson de Araújo, Paulo de Carvalho Neto, Enoch Santiago Filho, Fábio Silva, João Batista Lima e Silva, Lindolfo Campos Sobrinho, Alberto Barreto de Melo, Jenner Augusto, Florival Ramos, José Menezes Campos, Floriano Garangau, José Nunes Mendonça, Armindo Pereira e outros, dedicados às atividades culturais e a política partidária, simpatizantes ou membros do Partido Comunista Brasileiro, estavam todos envolvidos nos seguintes periódicos. Mensagem (órgão cultural, 1939), Símbolo (Órgão Cultural, 1939) e Época (Mensário a Serviço da Cultura e da democracia, 1948/1949).
Os alunos dos mestrados em ciências sociais, em Sergipe, tem essa plêiade de intelectuais para biografar, para que essa memória sergipana, não se apague. Procurem Gil Francisco.
No final dos anos 50, Fragmon Carlos Borges foi o editor-chefe, no Rio de Janeiro, do jornal Novos Rumos, de circulação nacional, pertencente ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). O Jornal Novos Rumos foi publicado entre 1959 e 1964, com uma tiragem de 60 mil exemplares. Novos Rumos foi fechado pelos militares, em 01 de abril de 1964.
Fragmon Carlos Borges, editor-chefe durante quase toda a existência do jornal, morreu em São Paulo, durante a ditadura, de enfarte fulminante, ao qual certamente não estiveram alheias as tensões da clandestinidade, de onde continuava a fazer a imprensa partidária possível.
Fragmon Carlos Borges publicou o ensaio Origens Histórica da Propriedade da Terra – 1958, na revista Estudos Sociais, maio-junho, 1958, republicado em A Questão Agrária – textos dos anos sessenta, Carlos Marighella, Orlando Valverde, Paulo Schilling, Mário Alves, Rui Facó, Fragmon Carlos Borges. São Paulo, Edit. Brasil Debates, Coleção Brasil Estudos, 1980. (foto acima)
Se houver interesse dos pesquisadores, Fragmon publicou artigos e ensaios sobre a realidade brasileira. Gil Francisco já localizou a maioria.
Em Sergipe, Fragmon foi brutalmente perseguido pela polícia, comandada pelo professor e chefe de Polícia, João Monteiro de Araújo. Após críticas ao Governo, ele foi preso e espancado, às dez horas da manhã, de 29 de abril de 1949, em plena Rua São Cristóvão, Centro de Aracaju quando foi abordado por três indivíduos e colocado em um carro de Praça, em seguida conduzido até o Mosqueiro.
Um desses episódios frequentes de violência, ocorreu em Itabaiana:
Perseguido pela força policial do governador José Rolemberg Leite, o jornalista do jornal A Verdade, Fragmon Borges foi mais uma vez surrado, na noite do dia 9 de janeiro de 1951. A agressão ocorreu na cidade de Itabaiana, onde existia um dos maiores núcleos do Partido Comunista no estado, depois de Aracaju.
No final dos anos 50 Fragmon Borges passou a residir no Rio de Janeiro. Rompe com o Partido Comunista para viver na clandestinidade, morrendo em 1975, vítima de enfarto. Foi anistiado em 2006.
Frei Paulo não pode esquecer esse ilustre filho.
Antonio Samarone. Academia Itabaianense de Letras.

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