sábado, 13 de junho de 2026

SANTO ANTONIO E ALMAS.

Santo Antonio e Almas
(por Antonio Samarone)

Lá em casa, somos todos Antonio. A devoção de mamãe era exagerada (depois virou Crente). Se o primeiro filho fosse menino, seria Antonio. E foi. A promessa foi paga.

O primeiro colono que chegou à Itabaiana, trouxe um Santo Antonio, de Portugal. Veio de Coimbra. Conta-se, que essa imagem acompanhou Conselheiro (1874), em sua peregrinação ao Monte Santo.

Os primeiros colonos, sofreram influências dos franciscanos (Santo Antonio) e dos beneditinos (São Bento). Fundaram a Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana. Itabaiana Grande era o nome indígena da Serra.

E “Almas”? Almas foi uma referência a São Miguel, patrono dos beneditinos e padroeiro das almas do purgatório.

No altar principal da Matriz de Itabaiana, encontram-se os dois Santos (veja a foto). Santo Antonio o guerreiro, demiurgo e casamenteiro. Mais recentemente, padroeiro dos caminhoneiros.

Itabaiana antes de Villa, foi Freguesia. A cruz antecedeu a espada.
A Villa deve a sua fé e a sua religiosidade ao franciscano Santo Antonio.

A influência dos beneditinos (São Miguel), deu-se no modo de vida. “Ora et labora” – ora e trabalha. Itabaiana não dorme. Muitos dos colonos eram cristãos novos. Talento para os negócios.

Em 1665, os beneditinos em Itabaiana, criaram a “A Irmandade das Santas Almas do Fogo do Purgatório”, a centenária Irmandade das Almas, que daqui a pouco (13/06), puxará a maior procissão de Sergipe.

O capítulo XII, dos compromissos da Irmandade das Almas, obriga:

“Os irmãos desta Santa Irmandade serão obrigados no dia de São Miguel, 29 de setembro, como protetor das Almas, fazer-lhe a sua festa, que consta de missa cantada e pregação, com toda a solenidade, e lhe dirão uma capela de missas em seu altar, as quartas-feiras.”

A Capela de São Miguel está erguida no Cemitério de Santo Antonio e Almas.

A Irmandade das Almas possuía vida própria, independência da igreja e patrimônio: cemitério e o laudêmio, cobrado pelo terreno comprado ao Padre Sebastião Pedroso de Goes, onde se instalou a sede da Villa. Por aqui passou um padre, que reformou os estatutos. A Paroquia tomou conta da Irmandade.

Sou dos tempos, que o presidente da Irmandade das Almas era Zé Bigodinho. Que representava a loteria federal em Itabaiana.

Comemora-se a festa de Santo Antonio em Itabaiana, desde o início do século XVII. Na segunda metade do século XX, o trezenário foi diversificado. Os caminhoneiros juntaram a folia e os negócios, a parte religiosa. A festa religiosa juntou-se a festa pagã. A alvorada de fogos virou o buzinaço.

Após muitas comemorações, alegria e zoada, hoje, (13/06), para-se um pouco, para se acompanhar a procissão. Uns pagando promessa, outros rezando distraídos e, uma minoria, prestando a atenção a vida dos outros.

No meio dos devotos, os políticos distribuem acenos, risos sinceros e simpatias. Não posso esquecer de ressaltar a garbosa filarmônica, executando seus velhos dobrados.

Esse ano, depois da procissão, teremos uma novidade: o Brasil estreia na Copa do Mundo.

Antonio Samarone. Secretário de Cultura de Itabaiana.
 

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