sábado, 27 de junho de 2026

OFTALMOLOGIA EM SERGIPE

Oftalmologia em Sergipe.
(por Antonio Samarone)

Até as primeiras décadas do século XIX a oftalmologia era apanágio dos cirurgiões aprovados, que realizavam operações de catarata, fístula lacrimal e enucleação do globo ocular.

Os autores antigos responsabilizavam a sífilis, as febres intermitentes e o reumatismo pelo desencadeamento de muitas lesões oculares. Algumas afecções importantes da oftalmologia: conjuntivite, terçol, sapiranga, oftalmia purulenta ou tracoma.

A cátedra de oftalmologia somente foi instalada nas faculdades brasileiras em 1873.

Entretanto, muito antes, médicos conhecedores da especialidade já a praticavam na Corte. O mais afamado deles, em meados do século XIX, foi Charles Joseph Frederic Carron du Villard (1800 – 1860), italiano, natural da Savóia, e naturalizado francês. Morreu no Rio de Janeiro, para onde viera em 1857. Dirigiu o consultório de olhos da Santa Casa de Misericórdia, onde teve como assistente o médico francês Louis-François Bonjean (1808 – 1892). Foram membros da Academia Imperial de Medicina.

Carron du Villard foi um verdadeiro chefe de escola na Santa Casa. Seu discípulo mais importante foi o médico paraense Manuel da Gama Lobo. Sucedeu Carron na direção do serviço na Santa Casa. Foi o primeiro a usar o oftalmoscópio, inventado pelo alemão Helmholtz em 1851, no Brasil. Gama Lobo publicou vários trabalhos sobre a oftalmologia.

Outros oftalmologistas renomados que exerceram a profissão no Rio de Janeiro foram: Hilário Soares de Gouveia, o primeiro a ocupar a cátedra de doenças dos olhos e Fernando Pires Ferreira, piauiense, formado em Paris, que vai ocupar o serviço da Santa Casa.

Pires Ferreira teve como principais discípulos o oftalmologista Rego Lopes e os sergipanos, José Antonio Abreu Fialho, José Lourenço de Magalhães e o cearense José Cardoso de Moura Brasil.

Em Sergipe, a historia oral aponta a destreza oculistas do Dr. Antonio Militão de Bragança, em Laranjeiras. Lampião foi seu cliente, como comprova a ficha clínica encontrada no hospital local. Existe uma polêmica, se Bragança operou ou não Lampião, são muitas versões. O certo é que o olho cego de Lampião, carecia de cuidados frequentes.

A igreja católica considerou Santa Luzia a padroeira dos portadores das afecções oculares. Abusava-se de colírios e remédios caseiros: suco de cansanção (Jatropha urens). Sumo frescos de brotos de imbaúba (Crecópia). Esterco de jacaré e água boricada.

Em 1854, fundou-se no Rio de Janeiro o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, que introduziu o sistema Braile no Brasil.

Na história do ensino médico no Brasil a cadeira de “oftalmologia” clínica foi a primeira disciplina especializada a ser instalada. Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro a cadeira foi criada em 1873, e teve como seu primeiro professor o eminente cientista Hilário Soares de Gouveia. O Doutor Hilário, por divergências políticas com o recém instalado regime republicano, ensinou somente até o ano de 1895.

Para ocupar essa vaga, submeteu-se e foi aprovado em concurso público, no ano de 1898, o médico sergipano José Antonio de Abreu Fialho, que se estabeleceu como lente catedrático de oftalmologia a partir de 1906, indo desempenhar um papel marcante na consolidação da especialidade no Brasil.

O Dr. Jose Antonio de Abreu Fialho natural de Aracaju, filho de Tito de Abreu Fialho, Delegado Fiscal da União, e D. Maria José de Abreu Fialho, nascido a 20 de janeiro de 1874. Bacharel em Ciências e Letras pelo Imperial Colégio Pedro II, matricula-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, recebendo o grau de doutor em 16 de janeiro de 1897, defendendo a tese “A oculística perante a patologia: perturbações oculares nas moléstias cerebrais”. Fez especialização em Viena, na clínica Fuchs.

O seu filho, Sílvio Abreu Fialho, escreveu a biografia do Pai, chamada “Páginas Viradas”. Durante a sucessão de Gracco Cardoso no Governo de Sergipe, o Presidente Arthur Bernardes procurou um sergipano ilustre, e não envolvido com as disputas políticas locais. A personalidade consultada foi o Dr. Fialho, que de pronto não aceitou, alegando não conhecer Sergipe, e não querer deixar as atividades clínicas. Com a rejeição de Fialho, o escolhido foi o diplomata Ciro Franklin de Azevedo.

A SBO - SOCIEDADE BRASILEIRA DE OFTALMOLOGIA - foi fundada em 6 de setembro de l922, por JOSÉ ANTONIO ABREU FIALHO, catedrático de Oftalmologia da Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro e Diretor da Faculdade por mais de 10 anos.

A extraordinária contribuição de FIALHO, ao desenvolvimento da oftalmologia brasileira, tem seguidores desde então, na liderança da especialidade e qualquer tentativa de citar nomes, poderá ficar incompleta, gerando injustiça.

O Dr. Abreu Fialho, nasceu em 20 de janeiro de 1874 em Aracaju/SE, filho de Tito de Abreu Fialho, delegado fiscal da União e Maria José de Abreu Fialho e faleceu em 17 de março de 1940.

Antonio Samarone. Academia Sergipana de Medicina.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário