Uma tartaruga encalhada.
(por Antonio Samarone).
Fazendo a caminhada matinal nas Praias do Aracaju, no domingo da páscoa. Estirando as pernas, em companhia dos doutores Jorge Motta e Luciano Correia, nos deparamos com uma realidade pouco divulgada: as tartarugas desovam nas Praias do Aracaju, no trecho entre o Robalo e o São José dos Náufragos.
Desovam e são protegidas pelo competente Projeto Tamar. Conversamos com uma profissional do Projeto Tamar, presente no local, que nos prestou todos os esclarecimentos.
Uma diferença profunda: na Bahia, na Praia do Forte, a proteção ambiental do TAMAR é atração para o turismo ambiental. Em Aracaju, o mesmo projeto é quase desconhecido. Só as tartarugas são as mesmas.
Para evitar aborrecimentos, eu sei que a primeira base do Projeto Tamar, foi em Pirambu – Se (1982), sei também da grandeza do nosso Oceanário, o primeiro do Nordeste, e que abriga mais de 30 espécies. O projeto Tamar monitora 150 km de praias em Sergipe, 800 desova e 600 mil filhotes chegam ao oceano.
A minha queixa: precisa mais divulgação!
Estamos vaidosos, eu e os doutores da caminhada, por termos salvo uma tartaruguinha. Com fé em Deus, em breve será uma tartarugona. O Dr. Jorge, em um exame rápido, confirmou que era menina.
Luciano politizou a vivência: “não precisa ser especialista, para saber, que o turismo em Sergipe é o mais atrasado do Nordeste. Não aproveitar uma trilha ecológica, na Praia, tomada por tartarugas e carcarás, é a mais profunda incompetência.”
Encontramos essa tartaruguinha da foto, perdida, desorientada, no vasto areal da Praia. As irmãs acharam o mar, pela madrugada, ela não. Pensamos, vamos salvá-la? Eu logo concordei: “achei que nem era fácil, nem difícil.”
Os eruditos doutores, consultaram primeiro a Inteligência Artificial. O relatório da IA, tinha mais de 50 páginas. Um curso completo sobre as tartarugas.
O meu pragmatismo beco-novista, me empurrou para a ação. Pincei cuidadosamente a recém-nascida pelo casco, e levei-a ao Oceano. Ela balançava freneticamente as frágeis nadadeiras, em sinal de agradecimento.
Pensamos: se tivéssemos socorrido uma baleia encalhada, à noite, estaríamos no Fantástico; como o salvamento foi de uma modesta tartaruga, seremos literalmente ignorados.
Gente, ajude!
Antonio Samarone.

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