quinta-feira, 16 de abril de 2026

A SAÚDE PÚBLICA EM ARACAJU

A Saúde Pública em Aracaju.
(por Antonio Samarone)

Higéia e Panacéia, filhas de Asclépio, vivem de mãos dadas em Aracaju.

A atenção primaria é, sobretudo, medicina preventiva. Com o tempo, o SUS foi cedendo as armadilhas dos modelos da medicina comercial. Vende a ilusão de eficácia. A atenção integral perdeu espaço para a tríade: consulta – exames – remédios. Custos elevados e baixo impacto epidemiológico.

A Prefeitura de Aracaju, está retornando os princípios do SUS, priorizando a Saúde Pública. A Secretária Débora Leite, anunciou a consolidação do Programa de Fortalecimento do “Cuidado em Saúde Mental, na Atenção Primária à Saúde” (PROAPS – Saúde Mental) como referência no acolhimento emocional dos pacientes.

Um avanço esperançoso. Na Saúde, a Prefeita Emília está no caminho certo.

Um programa com o nome comprido, que precisa ser explicado. Muitos usuários da rede básico, apresentam um sofrimento, sem doenças evidentes. O acolhimento ser feito por um psicólogo, por exemplo, garante maior resolutividade do serviço.

Estamos acostumados com ações supostamente curativas: procedimentos, consultas, receitas, exames, internamentos, medicamentos, que nem sempre é a melhor conduta. O sofrimento humano é complexo, raramente responde ao que o mercado oferece.

Aracaju ensaia o fortalecimento da Saúde Pública. A saúde é filha da qualidade de vida e de uma assistência integral e holística. As políticas de doenças, voltadas para o consumo de serviços, insumos e ofertas eventuais de mutirões de procedimentos, são ineficazes e caras.

Em Sergipe, o uso político e distorcido desse desejo à saúde, levou que, no último meio século, os secretários estaduais de saúde, tornaram-se os Deputados Federais mais votados. Preciso lembrar os nomes?

A rede do SUS é de Saúde. Superamos o postinho médico, atendendo doenças agudas: sintomas/medicamentos. A ação é integral e o paciente acompanhado a longo prazo.

Vivemos uma epidemia de transtornos mentais. Depressão, ansiedade, TDAH, TOC, autismo. Um número elevado de alunos da escola básica são atípicos. O "PROAPS" pode atender a essa demanda. O único reparo: o programa não contempla menores de 18 anos. Não entendi essa restrição.

Enquanto o Estado insiste em mutirões politiqueiros, o município do Aracaju, enxerga mais longe: prioriza a prevenção e os programas de saúde pública.

Depois da aposentar-me no cargo de professor de Saúde Pública, da medicina da UFS, confesso que reduzir as leituras especializadas em saúde.

Estou cuidando da Cultura, em Itabaiana.

Vejo com tristeza o abandono do modelo assistencial do SUS, previsto na Lei Orgânica da Saúde. Denomino o meu Blog: Em defesa das Causas Perdidas. O neoliberalismo não convive com o direito à Saúde. Tudo vira mercadoria.

As utopias não morrem, Aracaju aponta uma estrela.

Portanto, sinto a iniciativa da Saúde do Município do Aracaju, em fortalecer as ações humanizadas e preventivas, fortalecendo o acolhimento, e oferecendo ações básicas em saúde mental, na rede básica, como um sopro de esperança na Saúde Pública.

Esse exemplo, precisa ser copiado!

Antonio Samarone – médico sanitarista.
 

2 comentários:

  1. Espero que Itabaiana siga logo o bom modelo. Não dá mais para esperar mais de um ano por uma consulta, seja por falta de especialistas, seja pela fila furada por um apadrinhado trocando saúde por voto (um vizinho me contou como o prefeito da ocasião pagou pelo seu voto com um tratamento de hérnia de disco, mas melhor não lembrar nomes também).

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  2. Não apenas o PROAPS, mas o fortalecimento de programas como Programa Saúde na Escola, eMulti, Programa Academia da Cidade dentre outros fortalece o cuidado preventivo e de promoção a saúde. Cuidado que foi fragilizado em gestões anteriores

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