sábado, 4 de novembro de 2017

Eletrochoque: ciência, comércio ou castigo?


Eletrochoque: ciência, comércio ou castigo?

No início do século XX, os psiquiatras acreditavam que convulsões induzidas por metrazol ou insulina eram úteis para o tratamento da esquizofrenia. Em 1937, o neurologista italiano Ugo Cerletti, constatou que o choque elétrico aplicado na cabeça causava as mesmas convulsões, e criou um equipamento com essa finalidade. A terapia por eletrochoque foi espalhada pelo mundo, sendo um dos procedimentos mais usados nos hospitais psiquiátricos, mesmo sem a menor evidência dos seus benefícios terapêuticos. O eletrochoque também foi usado no controle de pacientes agitados, indisciplinados, politicamente incomodo, como punição.

O eletrochoque foi insistentemente denunciado por grupos de direitos humanos e pelos militantes da reforma psiquiátrica no Brasil. O filme “O Estranho no Ninho”, com Jack Nicholson, teve grande repercussão mundial. A partir da década de 1970, o uso do procedimento começou a ser reduzido, sobretudo, devido a descoberta dos neurolépticos, terapeuticamente mais eficazes.

Entretanto, o uso do eletrochoque aperfeiçoado, retornou com força. A terapia passou a ser aplicada com uso de relaxantes musculares, anestesia de curta duração, a pré-oxigenação cerebral, o uso de EEG para monitoração da crise, e melhores dispositivos e formas de onda para ministrar o choque transcraniano. A medicina continua acreditando que eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento seguro e eficaz para pacientes com transtorno depressivo maior, episódios maníacos, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos. As máquinas modernas de ECT produzem pulsos elétricos breves de 1 a 2 milissegundos.

Conforme a Associação Psiquiátrica Americana, a Eletroconvulsoterapia (ex eletrochoque) é um tratamento de primeira escolha quando: (a) há necessidade de uma melhora rápida e consistente, (b) os riscos de outros tratamentos são maiores do que os riscos da ECT, (c) existe uma história prévia de resposta pobre a drogas e/ou boa resposta pré- via à ECT ou (d) o paciente prefere esse tipo de tratamento. Atualmente, apenas 14 hospitais no Brasil dispõem da ECT pelo Sistema Único de Saúde – SUS, sendo apenas dois no Nordeste, um na Bahia e outro em Pernambuco.

Em 1992, surgiu a terapia de Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) usada nas desordens psiquiátricas, como transtorno depressivo, transtorno afetivo bipolar, transtorno obsessivo compulsivo (TOC); na dependência química e no autismo. Em março de 2006, a Anvisa regulamentou o uso do aparelho de Estimulação Magnética Transcraniana; e em 2012, a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como tratamento médico eficaz. Em Aracaju, temos serviços especializados e profissionais treinados em Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) e Eletroconvulsoterapia (ECT), em plena atividade.

Antonio Samarone.