Itabaiana - Século Vinte e Um.
(por Antonio Samarone)
Sou da geração de 1950. Filho da escola pública. Nasci pelas mãos do dr. Pedro Garcia Moreno, numa casa de rancho, no grande Beco Novo. Numa Itabaiana rural, protegida por Santo Antônio, dominada por padres e coronéis.
Padeci, pacientemente, de todas as mazelas infantis: sarampo, catapora, papeira, tosse braba, sapinho, impinge, sarna, dordóio, caganeira, piolho e chato. Mas sobrevivi, para ser testemunha do desenvolvimento de Itabaiana.
Apreendi que a herança judaica forjou as raízes mercantilista do itabaianense, abriu os caminhos para o empreendedorismo. O itabaianense é antes de tudo um liberal. Odeia tudo o que é imposto. Num primeiro momento, a vida política, recheada de paixões, atrapalhava a economia.
Fazendo justiça: Euclides Paes Mendonça (1950 – 1963), ao seu modo, ajudou na transformação de cidade celeiro a polo comercial. Euclides abriu ruas, alargou avenidas, construiu escolas, açudes e até um campo de aviação. Junto com Oviedo Teixeira, financiaram a venda dos caminhões.
Euclides foi juiz de direito, delegado de polícia, coronel e exator. Mandava até no Monsenhor Eraldo Barbosa. Prendia e soltava, passava contrabando e falsificava os resultados das eleições.
O itabaianense é um mercador. Já nasce com talento comercial, sabendo comprar e vender. Na segunda metade do século XX, (com a chegada da BR-235), os caminhoneiros abriram os caminhos do comercio. A criação do Ginásio Murilo Braga, abriu as universidades.
O caminhão, o comércio e a escola formaram o itabaianense. A cultura deu a autoestima. O futebol uniu. Exportamos o nosso talento comercial. Itabaiana é um modo de vida, uma civilização, um jeito de viver.
Não se pode negar o progresso e o desenvolvimento de Itabaiana, nos últimos 15 anos. Todos os indicadores são positivos. As evidencias são cristalinas. Em Sergipe, Itabaiana é uma locomotiva econômica.
Itabaiana teve o seu desenvolvimento retardado, por décadas, pela politicagem. Os chefes, dos dois lados, governavam para os correligionários, esquecendo as necessidades do município. Qualquer iniciativa, importante para Itabaiana, era obstruída pelas disputas locais.
Historicamente, até a água encanada demorou a chegar (foto), porque um lado era contra. Episódio, que terminou em tragédia.
O salto de Itabaiana para o futuro, deveu-se a uma soma de fatores favoráveis. Entre eles, a modernização da gestão pública. Em Itabaiana, com Valmir, a política venceu a politicagem.
Findo o processo eleitoral, os homens públicos voltam-se para a gestão. As desavenças políticas passam para um segundo plano. Quem governa, deve governar para todos.
Essa experiencia de gestão exitosa em Itabaiana, liderada por Valmir de Francisquinho, possibilitou, de forma inédita, que um grupo político, saído do interior, se credenciasse, por duas vezes, à disputa do Governo do Estado. Derrotado pela justiça, na primeira oportunidade, e pelo poder econômico, na segunda.
Sergipe, prepara-se para receber investimentos polpudos da Petrobrás, que elevará o estado para outro patamar econômico. Os investimentos da Petrobrás retornarão a Sergipe.
O Agreste Sergipano se tornou uma próspera região metropolitana, liderada por Itabaiana. Com o adiamento do projeto para Sergipe, o grupo político, liderado por Valmir, retomou com força o projeto da Itabaiana Grande.
Os estudos apontam para a vocação turística de Itabaiana. Um turismo qualificado: as raízes religiosas (Vila de Santo Antonio e Almas); ter sido o local dos milagres de Santa Dulce, e sede do Parque Nacional Serra de Itabaiana, apontam para um turismo religioso ambiental.
As pré condições estão dadas: uma culinária desenvolvida, tendo a carne como principal atração; o ouro e os folheados, a castanha assada (herança dos quilombos); a música centenária (duas filarmônicas, escola de sanfona), o artesanato, o folclore (quadrilha balança mais não cai).
Uma grande feira livre (a segunda maior do Nordeste), rica culturalmente, grandes eventos econômicos (SEALBA, Feira do Caminhão), eventos culturais (festa do caminhoneiro, micarana, festa do vaqueiro, festivais de música e de cinema).
Itabaiana sabe onde quer chegar e conhece os caminhos.
Antônio Samarone (Secretário de Cultura de Itabaiana).

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