Itabaiana – 350 anos. Meu Pé de Laranja Lima.
(por Antonio Samarone)
O mundo está aquecendo. O Prefeito Valmir decidiu: Itabaiana vai plantar árvores!
Reunimos (foto) o secretário do meio ambiente, Vinicius Moura; o da agricultura, Erotildes de Jesus; a agrônoma Susi Alves e o técnico em agronegócios Breno Veríssimo, para tratarmos do assunto.
Primeira constatação: não é fácil arborizar! Desmatamos por 400 anos, para fazer roça e criar gado. Itabaiana veio morar na cidade a duas gerações. Temos as raízes rurais. A cidade a base de cimento, aço, blindex e asfalto é vista como um progresso, encanta muita gente.
Nunca nos afeiçoamos as plantas. Temos animais de estimação, raramente adotamos uma planta. As árvores nunca foram chamadas pelos nomes próprios. São genericamente pés-de-pau. É fácil derrubá-las, sem nenhum peso na consciência. As folhas caídas são consideradas sujeiras.
Na infância, eu me emocionei com o Pé de Laranja Lima, do romance de José Mauro de Vasconcellos. Na prática, recordo-me do Pé de Jaboticaba que levava o nome de mamãe, em um sítio nas Flechas. O meu avô era estranho, batizava as frutíferas com os nomes das filhas.
Sem uma mudança na relação das pessoas com o meio ambiente, não adianta contratar uma empresa para plantar árvores. Plantar ainda planta, mas não viceja. Sem o cuidado e o carinho do poder público e da sociedade, a muda não cresce, não chega ao seu destino.
Basta o exemplo do Aracaju. Os canteiros centrais das avenidas são cemitérios de mudas. O índice de aproveitamento não chega a vinte por cento. Sem os manguezais, Aracaju seria um deserto. Desmataram até o Parque da Sementeira.
Itabaiana não fica atrás, a cobertura vegetal é muito baixa. Em minha infância, cada quintal tinha as suas fruteiras. O meu, tinha um frondoso jenipapeiro. Hoje, o que restou dos quintais foram cimentados.
A segunda constatação: a arborização é um trabalho de parceria da prefeitura com as escolas, as agências ambientais, as universidades, as empresas, a imprensa, as igrejas, sindicatos, ambientalistas e as pessoas de boa vontade. Sem uma união consciente, a realidade ambiental não muda.
Vamos buscar parceria com os alunos de educação ambiental da UFS. E com quem estiver disposto a ajudar. Sem medo das dificuldades, vamos criar uma Itabaiana mais verde. Vamos em busca de aliados, para elevar a qualidade de vida.
A arborização não pode ficar limitada a Zona Urbana. Em Itabaiana, muita gente que cresce economicamente, volta ao campo, construindo chácaras faraônicas, belas casas e piscinas com cascata. Geralmente, cortam as árvores que existiam.
Vamos plantar as árvores que nos tocam. Sem preconceitos. As craibeiras do sertão são bem-vindas. Os ipês-amarelos do pé da Serra. Canafístulas, pau-brasil, juazeiros, quixabeiras, dendezeiros, moringas, mangueiras e jaqueiras.
Eu quero um pé de pitomba, igual ao da minha infância, no Canto Escuro, ao lado da casa de Dona Gemelice.
A arborização segue as raízes culturais de cada comunidade. Por isso, fui convidado para a reunião.
Antonio Samarone – Secretário da Cultura de Itabaiana.
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