sábado, 15 de março de 2025

ARACAJU, UMA CAPITAL ACOLHEDORA

Aracaju – uma Capital acolhedora.
(por Antonio Samarone)

Aracaju sempre recebeu carinhosamente a todos. As minhas primeiras visitas foram em busca dos serviços de Saúde: retirar um caroço no peito que sangrava, no Hospital de Cirurgia; e receber a vacina de poliomielite, aos sete anos.

Depois, vinha ocasionalmente. Durante os jogos da primavera, por exemplo. Lembro-me que tinha vergonha de entrar nas lojas, achava tudo muito grande. Eu era um tabaréu assumido.

Durante o vestibular, fiquei numa pousada, na subida da ladeira da Rua São Cristóvão. Já universitário, residi na República Cebolinha, uma casa da UFS, na Rua de Maruim, 488, para estudantes carentes, que não tinham onde ficar. Não existia restaurante universitário, a Universidade dava uma ajuda de custo para manter a Residência.

Na Universidade me tornei um cidadão politizado, pela via do Movimento Estudantil. Fiz amizades, ampliei os horizontes, já me sentia em casa. Aracaju foi numa mãe. O meu lazer era na Atalaia Nova, na casa do revolucionário Ivan do Cachimbo, um comunista inveterado.

A militância política me abriu as portas da cidade. Passei a frequentar os bares dos intelectuais, esquerdistas e bichos grilos. Fui professor no Arquidiocesano. O Padre sabia do meu comunismo, mas me acolheu. Sem esse trabalho não teria como me manter em Aracaju.

No Arquidiocesano fiz amizades com alunos e professores. Conheci muita gente, que adoro até hoje. As relações sociais em Itabaiana são muito competitivas. Em Aracaju, as relações são mais leves.

O meu compadre Matheus, também vermelho, me levou à periferia. Conheci Aracaju de cabo a rabo. Uma cidade pacifica, fofa, sorridente. Depois, me deram dois mandatos de vereador. Fiz o que pude. Entrei e sair limpo da política.

Em Aracaju encontrei Betania e me casei. Um amor que dura. Encontrei os comunas não praticantes, onde fiz muitos amigos. Éramos uma confraria dos justos. Passei pelo PT, desde os tempos da Rua de Siriri. Os médicos me acolheram em sua Academia.

Fui professor de Saúde Pública da UFS, crente que daria a minha contribuição para a humanização da medicina. Fui derrotado, a medicina seguiu as leis do mercado. Sempre remei contra a maré, crente nas ideias.

Moro na Praia do Robalo, Condado do Mosqueiro, na Grande Aracaju. Vou diariamente à Itabaiana, onde estou Secretário de Cultura. Gosto da ida e da volta, pois adoro as das duas cidades. Santo Antonio é padroeiro das duas.

Parabéns, Aracaju, pelos 170 anos.

Antonio Samarone. Médico sanitarista.
 

Um comentário:

  1. Samarone, belo texto. Minha família é de Estância e vim nascer aqui em 1959. Ficamos em Estância até 1969, moramos na vila Marta Maria, e estudamos no Imaculada Conceição,. Nossa infância foi nos arredores da Praça Camerino, minigolfe, ,Associação Atlética e ir no centro da cidade, era uma viagem, a pé,com uma turma de meninos. Vimosa cidade crescer, e demos também nossa contribuição. Amo essa cidade, assim como também Estância. Parabéns Aracaju.

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