Itabaiana – 350 anos. Dolores Duran.
(por Antonio Samarone)
Para os mais novos, Dolores Duram foi uma estrela da música brasileira na década de 1950. Antes da bossa nova e da televisão. Adiléia Silva da Rocha, a Dolores, nasceu em 07 de junho de 1930, no subúrbio do Rio de Janeiro.
Dolores é filha de Dona Josepha da Silva Rocha, costureira, natural de Itabaiana. Aqui reside o meu interesse maior. Josepha nasceu em 1912. Ficou órfã muito cedo, foi morar com um tio, em um sítio, na Zona Rural. Uma vida sofrida, onde os espancamentos domiciliar eram frequentes.
Aos 12 anos, um primo mais velho, marinheiro, a levou para o Rio de Janeiro, numa longa e sofrida viagem. Antes dos paus-de-arara. Semianalfabeta, Dona Josepha foi ser costureira. Contudo, era uma mulher muito inteligente, repentista e cantora de voz suave. Josepha era boa de gogó, afinadíssima. Dolores tem a quem puxar.
Josepha da Silva Rocha, faleceu em 1999, aos 87 anos. Ouvi dizer que Josepha voltou à Itabaiana na década de 1980, visitar a sua terra natal. Estou tentando encontrar os seus parentes.
Dolores Duran, começou cedo na vida artística. Em 1941, aos onze anos, ganhou nota máxima no temido programa de Ary Barroso, interpretando “Vereda Tropical”, um bolero famoso de Gonzalo Curiel.
Dolores, a filha de Dona Josepha de Itabaiana, vida humilde, de formação autodidata, cantava em castelhano, francês e inglês, com uma pronúncia perfeita. Foi do tempo de grandes cantoras: Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Marlene, Linda Batista e Virginia Lane.
Dolores Duran foi amiga de Mário Lago e, através dele, se aproximou do socialismo. Excursionou pela União Soviética, em 1958.
Dolores Duran, mulata, pobre, pelo talento, em pouco tempo frequentava as rodas intelectuais e boemias do Rio de Janeiro. Apreendeu a tocar violão e tornou-se uma compositora de vanguarda. Festeira e namoradeira. Faleceu cedo, em 24 de outubro de 1959, aos 29 anos. Infartou, em decorrência de uma cardiopatia ocasionada pela sequela de uma febre reumática, mal curada.
O funeral da cantora, foi num domingo, as 15 horas, no Cemitério do Caju. Foi enterrada na quadra 55, sepultura 21.555. Como disse um cronista: uma legião de fãs e admiradores acompanharam o sepultamento.
Dona Josepha, a mãe, teve mais três filhos: Hilton, funcionário Público; Hilda, operária; e Irley, a mais nova, que chegou a cantar, com o pseudônimo de Denise Duran.
Dolores Duran foi registrada no cartório, apenas com o nome da mãe. O pai era um policial chamado Antonio Dias, que nunca assumiu. Dolores foi criada por Seu Armindo, pernambucano, e padrasto.
Essa é a história do povo brasileiro. De tantos anônimos, como diz João Bosco: são pais de santo, paus de arara, são passistas, são flagelados, são pingentes, balconistas, palhaços, marcianos, canibais, lírios pirados...
São tantas Josephas, Marias, Adiléias em busca de mostrarem os seus talentos. A tarefa da cultura é recuperar as memórias perdidas.
Dolores Duran, a filha de Dona Josepha de Itabaiana, encantou o mundo com o seu talento. Agora, vou esmiuçar as raízes de sua mãe, para fazer um registro mais completo.
Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.
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