quarta-feira, 25 de outubro de 2017

SANTO DE CASA


SANTO DE CASA
A feira de livros de Itabaiana foi um sucesso de público e vendas. Com um detalhe: um escritor Itabaianense de sucesso, como Carlos Mendonça, vendeu 713 livros durante a feira; uma escritora conhecida nacionalmente, como Tina Correia, esposa do consagrado jornalista Ancelmo Gois, vendeu apenas 06 livros. Em Itabaiana, quem faz o milagre é o santo da casa. Quem conhece a tradição cultural de Itabaiana não tomou como surpresa.
Não estou comparando os escritores. Carlos Mendonça e Tina Correia são talentosos, cada um a seu modo, as razões são outras. A minha cisma é por que o livro de Tina Correia, “Essa menina – De Paris a Paripiranga”, cheio de poesia e erudição, um livro muito bom, bem escrito e bem editado, não emplacou no mercado Itabaianense de letras?
A tradição bairrista de Itabaiana vem de longe. Conta-se que o mestre Orpílio alfaiate afirmava sem hesitação: - nada do que acontecer no outro lado da Serra de Itabaiana me interessa. Depois explicava: - ninguém de fora nunca me encomendou um terno. A lógica do mestre Orpílio continua viva.
Recentemente um palestrante no Rotary de Itabaiana começou a louvar Sílvio Romero. Sílvio prá cá, Romero prá lá, e os ceboleiros entusiasmados. A certa altura, um desconfiado fez a pergunta básica: - venha cá, esse Sílvio Romero é de onde? O palestrante de pronto: - de Lagarto. Aquele “hummmm” de desaprovação entoou pela sala... De Lagarto? Foi aquela decepção.
Portanto, Tina Correia, não fique triste. Nem vende você, nem Machado de Assis, nem Carlos Drummond, nem a mãe de “calor de figo”.
Antônio Samarone