Dulce dos Pobres.
(por Antonio Samarone)
Eu fui a festa de Santa Dulce dos Pobres, na Bahia (13 de agosto). O Largo de Roma superlotado de deserdados. Gente humilde, velhos, coxos, cegos, sofredores de todos os males, tomados de emoções, louvavam a Santa.
“In hac lacrimarum valle”! Não, não era o vale de lágrimas, da Salve Rainha. Era uma vale carregado alegria, amor e felicidade.
Quando o Padre Antonio Maria cantou noite traiçoeira, nas passagens “Deus está aqui nesse momento, sua presença é real em meu viver... e ainda que vier noite traiçoeira... o mundo quer ver você chorar, mas Deus te quer sorrindo...” a multidão de devotos explodiu de emoção, cantaram alto num coro divino, riam e choravam de felicidade.
Eu, perdido na multidão.
Não sei explicar. A felicidade não precisa da razão. Aquele solo sagrado do Largo de Roma, em Salvador é santificado. Meus anos de pretensões intelectuais, de ateísmo arrogante, era soterrado por aquela manifestação de fé, onde a vida estava sendo ressacralizada.
Não falo dos padres, eles defendem a igreja, enquanto instituição. Falo da fé coletiva.
Baixei a cabeça e chorei silenciosamente. Estava ali a “sarça ardente”? Lembrei-me da passagem do Êxodo: “Moisés, Moisés! E ele respondeu: Eis-me aqui. Tire as sandálias, poque o lugar onde estás é terra santa.” Deus se manifesta coletivamente.
Aquela multidão sofredora estava feliz. Esse é o maior milagre de Santa Dulce dos Pobres.
Encontrei com Dona Terezinha (foto), que faz parte de um grupo terapêutico “Piscontente”. Onde pessoas depressivas, infelizes, enxarcadas de psicotrópicos, superam a tristeza com a graça divina.
Dona Terezinha irradiava felicidade.
As senhoras do “psicontente” recuperaram a alegria de viver. Eu vi.
Senti-me envergonhado das minhas tristezas.
Antonio Samarone. Academia Itabaianense de Letras.

My dear friend, I felt something inexplicable when I was in this procession two years ago, I felt the beauty of the tired faces, eager for the comfort of Sister Dulce, and then a pain so heartbreaking invaded me that it embarrassed me, I saw that the pride that always filled me in these moments...vanished and a peace filled and consoled me internally...I took a piece of the ribbon with the medal and left.
ResponderExcluirO google traduziu involuntariamente e eu não sei destraduzir...
ResponderExcluirKkkkkk